Miguel delibes

Cerca de 3912 frases e pensamentos para a busca por Miguel delibes;

Pai, Viemos Ver Luanda.


Hoje, convidei o meu pai
a sair da sala, a desligar o mundo plástico,
e a calçar os pés da verdade.
Convidei-o a conhecer as ruas.


“Vamos, Pai.
Vamos ver as paisagens que os ecrãs escondem.
Vamos passear pela cidade que a televisão não mostra.”


E fomos…
Caminhámos por avenidas onde a esperança já não mora,
por vielas onde a infância morre sem nome,
onde crianças brincam com a fome,
e senhoras mendigam migalhas para alimentar
a última faísca de um amanhã incerto.


“Então, Pai…
o que achaste da nossa bela Luanda?”


Ele calou-se.
E no seu silêncio, a cidade gritou.
Seus olhos marejados
não cabiam no peito das notícias oficiais.


E eu disse-lhe:
“Esta é a graciosidade que ninguém exibe.
Mortes prematuras, abandonos precoce,
corações descartados como lixo.”


Venham todos.
Venham ver Luanda com os próprios olhos.
Não com os olhos que vos emprestam.
Venham vestir a camisola de Angola,
não a do orgulho cego,
mas a do luto ativo,
do olhar que se revolta.


Ganhem coragem.
Desçam das vossas salas refrigeradas.
O solo está quente de lágrimas.
As ruas estão sedentas de testemunhas.


Venham ver o que é ser angolano
fora da publicidade.

Quando se é novo é sempre a somar. Somam-se amigos, emoções, experiências, livros, canudos, lugares, responsabilidades, preocupações e ambições, vícios e prazeres que não viciam.
Até cada ano de vida que se viveu é celebrado como se fosse uma proeza. É triunfalmente que se chega aos 6, 10, 14, 18 ou 22 anos. E com razão. Ainda consigo lembrar-me que eram obra.
Depois, não sei a que idade (é aquela em que nos deixamos de importar tanto com as coisas, daí nunca darmos por ela), começamos a compreender a alegria e a liberdade de subtrair coisas e pessoas que só nos pesam, roubando-nos tempo, paciência e a calma necessária para sobrevivermos e que se vão tornando, monstruosa e deliciosamente, cada vez maiores.
O tempo de subtrair é cruel e frio e imensamente libertador. Dá vida aos últimos anos de vida que temos. Sim, porque a vida acaba. A morte acontece e, irritantemente, dura para sempre. Há quem diga que é como o tempo antes de nascermos (até um gênio como Samuel Beckett caiu neste pensamento impreciso) mas não é. O tempo depois de morrermos é sempre pior do que o tempo antes de nascermos.
Ninguém sobrevive. Nascemos, vivemos e morremos. Sobreviver é tão estúpido como anteviver. A grande diferença entre estar perto da nascença e estar perto da morte é que a proximidade da morte é necessária e suficientemente melhor conselheira.
Antes de morrermos convém nos despirmos até estarmos nus; só com os nossos verdadeiros amores.

Miguel Esteves Cardoso

Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
[...]
Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e ações de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência.
[...]
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
[...]
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.

O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar."

Miguel Esteves Cardoso
Último Volume. Assírio & Alvim: Lisboa, 1991.

PRÓLOGO: À PROCURA DO SER HUMANO




Havia muita gente na rua...


Os cônjuges passeavam de mãos dadas; jovens congregavam-se à sombra de uma mulembeira, discutindo a literatura africana dos séculos XVIII e XIX; outros, mais curiosos, discorriam sobre a ascensão do Iluminismo e a Revolução Científica e Tecnológica; alguns, do outro lado do ocidente, ostentavam vaidosamente aquilo que vestiam e consumiam...


Havia ainda aqueles que se entregavam a pelejas por nada menos do que pecúnia. Talvez, à primeira vista, isso pareça fútil, inclusive para um Miserável como eu... irrisório de se dizer e absurdo de se ouvir.


Cheguei a cogitar interceder; não obstante, como estava apenas de passagem, pouco desejava o meu íntimo que assim o fizesse.


Fui-me embora.


Segui adiante como segue o vento: sem olhar para trás.


Pensei se a minha atitude seria passível de apreciação por parte da sociedade. Por outro lado, temia igualmente que ela me censurasse por ter permitido que o meu subconsciente se recusasse a interceder em favor daqueles incompatíveis.


Ponderei, afinal, que a vida se assemelha a um cemitério, onde as tumbas já foram preparadas para nós há muito tempo. Daí que aquilo a que chamamos viver seja, de facto, um belo enterro.


Enfim...


Achei melhor abandonar tais reflexões e prosseguir a viagem de forma tranquila e solene.


Enquanto caminhava pelas terras da Humpata em direção à Chibia, já com a garganta ressequida pela longa jornada, deparei-me, de forma inesperada, com um viajante mukubal. Apressei-me, então, a saudá-lo:


— Graça e paz, amigo viajante. O que o traz a estas terras longínquas?


Então, respondeu-me:


— Estou à procura do ser humano. Pois, de onde venho, existem poucos.


Perplexo ante o que acabara de ouvir, tornei a inquirir:


— Afinal, amigo viajante, que tipo de ser humano procuras especificamente?


Em tom metafórico e exaurido pelo cansaço, replicou:


— Daquele que não deseja afirmação, mas perdão. Daquele que não quer possuir o céu, mas apenas ser digno de habitá-lo.


Estarrecido com as palavras do nômade, ensimesmei-me a refletir:


Que estranho...


De que tipo de ser humano se trata?


Não somos todos nós humanos por natureza?


Afinal, o que nos distingue daquele que ele tanto procura?


Permaneci aturdido diante das minhas próprias indagações e concluí que talvez tudo não passasse de um delírio do viajante mukubal; que o excesso de fadiga o tivesse levado a proferir tais afirmações aparentemente absurdas.


Enquanto monologava com o meu subconsciente, o viajante mukubal disse-me imediatamente:


— Não penses demasiado, filho.


Sabes, houve um tempo em que este mundo era habitado por pessoas verdadeiramente humanas. Pessoas de coração benigno. Zelavam umas pelas outras; faziam de tudo para resguardar a paz e a harmonia social; auxiliavam-se mutuamente, unidas por um único propósito: o bem-estar comum.


Não obstante, com o passar do tempo e com a descoberta dos minerais e de outros recursos naturais — ouro, diamantes, carvão, ferro e tantos mais —, bem como, mais tarde, do petróleo, da energia, das grandes invenções tecnológicas e, por conseguinte, da bomba atómica, esses humanos foram-se dissipando.


Na verdade, o amor tornou-se exótico nos últimos tempos.


O ego, por seu turno, erigiu-se como a suprema afirmação do homem.


Cada indivíduo passou a buscar a própria exaltação perante os demais.


Converteram-se em amantes da guerra.


Possuídos pela febre da opulência.


Famintos de poder.


Endividados pela ignorância.


Dominados pela ganância.


Obnubilados pela ausência de lucidez.


Sepultados na desgraça e engendrados pela cobiça.


É desse ser humano que estou à procura, filho.


Por acaso, viste algum por aí?

⁠Na escuridão silenciosa de nossa própria mortalidade, surge uma pergunta que muitos de nós prefeririam evitar: como será o nosso epitáfio? Afinal, o epitáfio não é apenas uma inscrição gravada em uma lápide; é o resumo de como vivemos nossas vidas, como tocamos os corações das pessoas e o legado que deixamos para trás.

⁠Se você pretende realmente conhecer sua verdadeira
essência, é necessário fazer alguns sacrifícios

"Todos temos uma vida, e pelo facto de a possuirmos, dá-nos o direito de vivê-la livremente".

⁠" Em vida é melhor olhar ao céu do que lá viver...
Na certeza de que teremos sempre alguém a olhar por nós, a observar-nos...
Namorar a lua, mas com os pés bem assentes no chão é meio caminho para a felicidade.
E o resto do caminho faz-se todos os dias um pouco de cada vez, porque nesta vida não há caminhos traçados, os caminhos fazem-se a andar, acreditando sempre que aquele será o caminho certo, o caminho por certo que nos levará onde queremos chegar... " 

✍ Miguel De Campos 

Níveis intelectuais diferentes são conflituantes e, quando juntos, são fontes de sofrimento mútuo.

Inserida por Inquilinodomundo

Por mais socialmente correto que o indivíduo seja, quando em dificuldades extremas, terá que se adaptar e, se necessário, ser completamente anti-social.

Inserida por Inquilinodomundo

A importância da preservação da cultura é relevante no
sentido de incentivar a ignorância e estagnação. Deveria
ter sido incentivada há milhares de anos, dessa forma não
teríamos atingido este estágio de desenvolvimento e o
planeta seria mais natural.

Inserida por Inquilinodomundo

A velhice não está na idade, está na mentalidade.

Inserida por Inquilinodomundo

Se Deuses os homens fizeram não há perdão, se homens os Deuses fizeram estão perdoados.

Inserida por Inquilinodomundo

Viva lá vida sem ter medo de viver

Inserida por Jacksonmiguel

Amar pode ser mais doloroso que odiar, por isso entendo como alguns preferem o ódio ao amor, eu prefiro sofrer, amar.

Inserida por Inquilinodomundo

Um aprendiz de ser-humano tentando aprender. Um sistema podre e uma sociedade hipócrita tentando impedir. A vida sofrida de quem fez e faz sofrer. Uma realidade terrível de seres ratos humanos sendo. O fedor dos paludes da mortandade e indiferença. O amor que vai, o ódio que fica, o amor que volta e se junta ao ódio. As chagas incuráveis do underground. Felicidade jamais conhecida. Jazida corrompida. Triste...

Inserida por Inquilinodomundo

Conta-me uma piada! quando eu, de tão triste, não quiser sorrir.
Me norteia! quando eu não tiver para onde ir;
Abraça-me! quando eu desesperado desejar sumir.
Beija-me agora! enquanto Eu, ainda estou aqui.

Inserida por cancioneiro1990

Penso tanto... tanto nela.
De contínuo, mas enfim!
Olho triste pela janela...
Ah... sera que ela pensa em mim?

Ausento-me de mim mesmo.
Com o pensamento eu corro!
Alegro-me quando de súbito vejo,
Os traços inocentes do seu rosto.

Ah... mas se ela soubesse,
O quanto me dói sentir!
Ah... mas e se ela dissesse:
- Eu sinto o mesmo por ti.

Quando recomponho-me,
Julgo não saber ao certo o que vi.
E ao espelho fitando-me...
Noto, que estou a sorrir.

Penso tanto... tanto nela!
Constantemente, mas no fim;
Fecho triste a janela
E esqueço-me de mim.

Inserida por cancioneiro1990

No desmaiar da tarde,
Quando insone estou pensando.
Sinto um desespero, uma Saudade;
Da minha vida, que vai passando.

Sou diferente de TODOS!
Sou único e empático.
Propago como um acorde solto
Indo e vindo, Diastrático!

Mas essa dor de não ter
O acalanto que me valha!
Sinto sempre que estou a perder;
Fico só. À beira da praia.

Mas deixa... tudo é nulo!
O meu querer e o meu não ter.
Se fosse-me dado mais um segundo
Eu passaria com Você!

Inserida por cancioneiro1990

Esvazio o meu coração e só me resta a solidão.

Inserida por cancioneiro1990