Ferreira de castro
Descobri uma lei sublime, a lei da equivalência das janelas, e estabeleci que o modo de compensar uma janela fechada é abrir outra, a fim de que a moral possa arejar continuamente a consciência.
Felizmente já faz tempo. Pensei que ia contar com raiva no reviver das coisas, mas errei. Doer se gasta. E raiva também, e até ódio. Aliás também se gasta a alegria, eu já não disse?
[...], nada volta mais, nem sequer as ondas do mar voltam; a água é outra em cada onda, a água da maré alta se embebe na areia onde se filtra, e a outra onda que vem é água nova, caída das nuvens da chuva. E as folhas do ano passado amarelaram, se esfarinharam, viraram terra, e estas folhas de hoje também são novas, feitas de uma seiva nova, chupada do chão molhado por chuvas novas. E os passarinhos são outros também, filhos e netos daqueles que faziam ninho e cantavam no ano passado, e assim também os peixes e os ratos da dispensa, e os pintos... tudo. Sem falar nas moscas, grilos e mosquitos. Tudo.
E, no fim das contas, de que adiantava ficar reexaminando nossa tristeza o tempo todo? Era como cutucar uma ferida e se recusar a deixá-la sarar. Eu sabia o que tinha vivido. Sabia qual tinha sido meu papel. De que adiantava repassar isso?
Da vida só levamos o que nos faz bem...viva,sorria e insista pois melhor vencer tentando e conquistando do que não lutar
Rosto
Rosto nu na luz directa.
Rosto suspenso, despido e permeável,
Osmose lenta.
Boca entreaberta como se bebesse,
Cabeça atenta.
Rosto desfeito,
Rosto sem recusa onde nada se defende,
Rosto que se dá na duvida do pedido,
Rosto que as vozes atravessam.
Rosto derivando lentamente,
Pressentindo que os laranjais segredam,
Rosto abandonado e transparente
Que as negras noites de amor em si recebem
Longos raios de frio correm sobre o mar
Em silêncio ergueram-se as paisagens
E eu toco a solidão como uma pedra.
Rosto perdido
Que amargos ventos de secura em si sepultam
E que as ondas do mar puríssimas lamentam.
Minhas emoções são desenfreadas. Uma loucura. Está
no sangue. Eu compartilho isso com meu pai. E minha mãe também. Não temos o dom da temperança.
Para refletirmos
Sobre palavras...
Eu tinha uma pessoa amiga, muito especial e próxima a mim que sempre me respondia quando eu lhe dizia frases de afeto: "Palavras são só palavras"!
Eu nunca quis aceitar isso como verdade, pois, afinal, palavras sempre foi a minha maneira mais eficaz de demonstrar o quanto eu admiro, adoro ou amo uma pessoa. Geralmente as minhas palavras sempre vinham com gestos de carinho e atenção e, por fim, um abraço apertado, pois essas também são as minhas outras linguagens de demonstração de amor.
Pois é, meu amigo, hoje talvez de uma forma cruel e rasteira eu possa dizer que aprendi a lição que você sempre buscou me ensinar.
Eu entendo que as coisas tenham pesos e percepções diferentes de acordo com cada pessoa. Cada um sente de uma forma, cada um recebe de uma forma, cada um interpreta de uma forma e cada um supera as coisas de sua própria maneira. E isso deve ser respeitado.
Cada um é responsável pelo que diz e cada um é responsável pela interpretação que faz, do que se ouve ou lê. Não é mesmo?
Pois bem, hoje eu leio tantas palavras bonitas, doces, amenas, carinhosas e o que eu mais gostaria de acreditar é que "palavras não são só palavras".
É preciso muito mais do que palavras bonitas para ressignificar um coração estraçalhado por uma grande decepção.
Sinto muito em dizer isso, mas você sempre teve razão!
"Vivemos em um mundo hipócrita, de porcos capitalistas, onde o dinheiro sempre esta em primeiro lugar; onde alguns tem muito, e ao mesmo tempo, muitos não tem nada."
Eu havia descoberto quantas nuances existem nos sentimentos, o quanto é difícil ser você mesmo e deixar os outros te aceitarem.
O amor quando se alberga
no peito do rico ou pobre
se torna logo um guerreio
com capacete de cobre
e só obedece a honra
porque a honra é mais nobre.
Se o amor é soberano
a honra é sua coroa,
portanto, um amor sem honra
é como um barco sem proa,
é como um rei destronado
no mundo vagando à toa.
MUITO INTERESSANTE......
As pessoas julgam as outras, com base na forma como elas mesmas agem ou agiram
Os defeitos, os erros, as falhas que você vê nos outros são falhas que você tem, em maior ou menor grau. Como é que você nota quando alguém está sendo malicioso? Porque você conhece malícia. Se não conhecesse, não perceberia.....
Como é que você cuida os erros alheios e não cuida os seus próprios? – Como é que você é tão severo com as falhas do outro e sempre arruma uma desculpa pras suas? Como é que você fica tão indignado ao perceber os defeitos do próximo e se sente tão injustiçado quando apontam os seus defeitos? Dois pesos e duas medidas ...
Não se esqueça de que aqueles defeitos e erros que você, espírito imortal, não apresenta neste atual passeio terrestre, provavelmente já teve e cometeu em outras experiências. Sem falar que ninguém está livre de errar ainda pro futuro…
Pois é assim que funciona. Nós somos nossos juízes. E nos julgamos com a medida que usamos para julgar os outros. Por isso, quanto mais severo você for com as falhas do próximo, mais severo você será com as suas próprias falhas. A vida em sociedade é um espelho em que você se vê refletido naqueles que o cercam. Você é bom? Ótimo, pare de julgar por sua bondade. Você não é bom? Então não seja burro, não prejudique a si mesmo sendo tão severo condenador!
