Ferreira de castro

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⁠" Tenho olhos, tenho boca, tenho pernas, tenho ouvidos; mas o que é esta carenagem toda se não tenho o coração - a alma?"

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⁠⁠ETÉREO AMOR  {Soneto}


O amor que não questiona nada, somente - É -
A vida aconteceu num sopro e aos ouvidos ma deu:
Viva! A palavra se tornou em decreto porque é o que - É -
Na essência do ser foi como se deu e onde se esqueceu

Porque não se olha para a formiga e diz:
Por que és tão pequena? Por que não foi ser grande?
Não se perturba o elefante perguntado sobre seu tamanho
Isso não se questiona! É a natureza do bicho - elefante -

Natureza intima de todas as coisas
Assim se firmou tudo na terra e céu - assim é o que é -
Nada obscuro quando se tira o véu

Natureza intima de todas as coisas
Amor é só o amor. O que é o amor? - amor é o que é -
Etéreo obedecer da natureza com primor.

Poeta_sabedoro

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AUTóPSIA


Loucos! O que procuram neste poema?
_Óbito bem definido - pode registrar.
No tempo jaz o bisturi de tal dilema,
Vossos corações podem aquietar.

O tal já vinha há tempos dissecado.
Ele chegou e repousou na maca jacente 
Óbito bem definido foi o que eu disse.
A família dizia: _há tempos doente!

Salvem o poema! Alardeou alguém.
Mas já era tarde o mesmo jazia.
Sequer uma evocação promulguem! 

Nunca se viu fato descomedido assim
O poema vive e levantando bradou:
Quem a esperança perdeu ou já amou?!

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⁠"Em tudo sê nada, e em nada sê tudo."

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⁠HAICAI

Não vivi o amor
Da calma primaveril.
Talvez no verão.

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⁠O Barco (haicai)

Vai dar tudo certo,
Deus está na ventania.
O barco andará.

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⁠Borboleta (haicai)


Borboleta azul,
Voando não é mais casulo.
Final de inverno. 

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⁠Picolé ( haicai)


Lambe o picolé
Menino veja lá o sol.
Lindo entardecer! 

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⁠Passarinho ( haicai)

Um Dia chuvoso
Um pardal levantou voo.
Uma pena cai.

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⁠ ⁠Folha ( haicai)

Vi pela janela
Gotículas de orvalho.
Uma folha se move.

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⁠Caça ( haicai)

Um coelho cai
ferido pela coral.
Sol escaldante. 

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⁠Inseto ( haicai)

Inseto noturno,
fala-me qual o seu nome.
Bate asas e some. 

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⁠HAIKAI 

O haicai fez moda:
Agasalhe seu coração_
Desnude sua alma.
 

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VAGALUME ( haicai)

⁠Veio com o vento
Assentou-se no tapume.
Diz ser vagalume.

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PERNILONGOS ( haicai)

⁠Na luz ofuscada
Pernilongos dançarinos.
Finda a leitura...

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AMOR ( haicai)

⁠Pra falar de amor
A vergonha desvanece_
Canto pras estrelas.

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Paixão ( haicai)

⁠Bate o coração!
'A primeira vista gela_
Amor sentinela.

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Fim de verão
( haicai )

Mato cansanção
Aloe vera - um adeus.
Alô outonal!

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⁠Escrever como hobby – pensar como oficio.

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⁠MINHA AMENDOEIRA

Um dia fui até que [ por demais feliz],
Lembro-me de uma velha castanheira.
Embaixo dela brincava no tempo de minha
Infância.
Chamava-a pelo nome de castanheira, mas,
O que se comia era a amêndoa [ o fruto].
Certo dia dessas distrações de criança,
Pus-me a brincar num balanço improvisado.
De maneira meio solta e leve com a vida, como
A quem não deve nada e não sabe de nada.
Comecei numa pressa de viver o momento
Que só e' peculiar 'as crianças.
Na primeira balançada foi um vai e vem
Esplêndido, e na segunda vez foi uma atirada
Um pouco mais ousada,

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