Boa Noite minha Querida
Sabe o que é engraçado? Eu não tenho muitos planos. Já desisti de boa parte deles, inclusive até mesmo de você. até te ver novamente, quando você me olha que eu olho no seu olho o mundo muda de repente. Você sempre despertou o melhor em mim, e mesmo sem saber ou querer por causa de você eu evolui. Porém já não te vejo com tanta frequência, e agora estou aqui tentando entender como fiquei tão dependente de você?
"E o preguiçoso olhou para a cama e viu que era boa... e nela repousou por tempo indeterminado."
Affram 1:1
" ENCERRA "
Eu sou de São João da Boa Vista,
estado de São Paulo. Enfim, Brasil!
Sou filho dessa terra-mãe gentil!
Um poeta, um sonhador, quase um artista…
Banhada pelo sol num céu de anil
São João se curva à Serra da Paulista,
aos pés da Mantiqueira que, ao turista,
retrata sua beleza em bom perfil.
É terra de paixão, mulher bonita,
estrada do minério e da bauxita
que vem de Minas bordeando a serra…
Aqui me fiz, cresci, ganhei a vida,
amei com toda a força me estendida
e hei de morrer o verso que me encerra!
Pude dedicar boa parte do meu tempo a essa paixão, vício e maravilha que é escrever, criar uma vida paralela onde nos refugiamos contra a adversidade, que torna natural o extraordinário e o extraordinário natural, que dissipa o caos, embeleza o feio, eterniza o instante e torna a morte um espetáculo passageiro.
A boa literatura cria pontes entre pessoas diferentes, fazendo-nos gozar, sofrer ou nos surpreendermos, nos une sobre as barreiras das línguas, crenças, usos, costumes e preconceitos que nos separam.
"O fato de alguém não gostar
de você, não faz dessa pessoa
boa ou má, assim como não
fazde você alguém ruim ou desagradável. São apenas dois caminhos, duas ideias, dois mundos que não se alinham, e tudo bem."
CASTELO DE CARTAS
Passei boa parte da vida tentando montar uma estrutura que funcionasse. Algo que fosse estável, coerente, socialmente aceitável. Fiz o que se espera. Escolhi com base em lógica, planejamento, segurança. Fui eficiente. Fui funcional. E, claro, fui elogiado por isso.
Por muito tempo, achei que isso bastava. Cumprir papéis. Evitar riscos. Fazer o certo. Como se viver fosse um conjunto de fórmulas a seguir. Como se o controle total fosse sinônimo de paz.
Só que o que funciona no papel nem sempre sustenta o peso da realidade. Eu seguia um roteiro invisível: manter o tom, dizer o que esperam, esconder o que pesa, apagar o que incomoda. Quando algo ameaçava essa ordem, minha reação era aumentar o controle. Mais rigidez. Mais contenção.
Mas chegou uma hora em que isso parou de fazer sentido. Eu acordava com a sensação de estar no lugar certo, mas sendo a pessoa errada. Era como viver minha própria vida com distanciamento. Eu estava ali, mas desconectado de mim.
E aí tudo começou a ceder. Não foi um desastre repentino. Foi um desgaste lento, uma sequência de pequenas rachaduras que revelaram o que eu fingia não ver: aquela vida não era minha. Era um personagem que eu sustentava com disciplina. E medo.
Medo de falhar, de ser visto demais, de não saber lidar com o que viria depois. Eu me escondia atrás de bons argumentos e decisões corretas. Me protegia até daquilo que poderia me fazer bem, porque me fazer bem também significava perder o controle.
Até que começou a quebrar.
Foram experiências simples, uma conversa honesta, um gesto sincero, um olhar que atravessa. Coisas pequenas que, por algum motivo, me desarmaram. E pela primeira vez em muito tempo, eu me senti visto. Não pelo que eu mostrava, mas pelo que eu escondia.
Foi aí que percebi: eu não era estável, era contido. Não era equilibrado, era reprimido. Eu não era forte, só estava o tempo todo fingindo que não sentia.
Isso não é força. Isso adoece.
Então comecei a fazer diferente. Dizer o que penso. Sentir sem censura. Parar de justificar tanto. Me permitir errar. Me permitir ser afetado. Aceitar o incômodo como parte do processo.
Não foi bonito. Nem heroico. Foi dolorido, confuso, por vezes vergonhoso. Mas real. E isso, por si só, já foi libertador.
Hoje, olho pra tudo que eu montei antes e vejo a fragilidade por trás da aparência de solidez. Tudo aquilo que eu chamava de estrutura era medo bem empilhado. Um castelo de cartas, meticulosamente erguido, que cai com um simples sopro de verdade.
E agora que desmoronou, não quero reconstruir nos mesmos moldes. Não quero de volta aquele velho conforto que anestesia. Não quero mais me encaixar em lugares apertados só pra parecer certo.
Quero espaço. Quero sinceridade. Quero o direito de não estar bem. De não saber. De mudar de ideia. De ser inteiro, mesmo sem controle algum.
E se esse caminho me afastar de onde estive antes, tudo bem. Talvez seja mesmo hora de ir. De deixar pra trás o que não sustenta mais quem eu sou agora.
Porque às vezes, crescer é isso: parar de segurar o que já caiu.
E se alguém perguntar quem eu sou depois disso tudo, talvez essa seja a última coisa que eu tenha a dizer:
Eu sou só um homem de medos bobos…
e coragens absurdas.
A vida é boa no começo, quando tudo é incrivelmente novo e as experiências são descobertas. Depois, as experiências se somam à rotina de uma vida de trabalho árduo, dia após dia, e o que parecia uma novidade incrível agora é um cansaço à beira da exaustão. E quando os anos se passam na vida, a idade passa a ser apenas mais um fardo para um corpo que vê a velhice logo ali, com sinais que dizem que o fim está próximo. E viver é um cansaço que não se quer mais correr, e o tempo se preocupa no fim. E só resta seguir em frente, olhar para trás e relembrar o melhor período da vida, o começo vigoroso e inexperiente, quando tudo era novidade. Agora só resta o desgaste como alívio, as lembranças do que foi bom ao longo do caminho desde o início da vida, e agora, no fim, sou eu quem acena, afinal, os novos amadurecem, vivendo para aprender que o tempo acabará por tomar para si o que nunca foi nosso...
Instantes
A vida é boa, de fato.
Mas a felicidade
é um enigma sem tradução,
uma chama que dança
no vento do acaso,
iluminando breves instantes
antes de se perder
como areia escorrendo
pelos dedos distraídos
de quem tenta aprisioná-la.
Não há palavras
que a definam,
nem mapa que revele
onde repousa.
Ela surge sem aviso,
num sorriso que rompe
a monotonia dos dias,
num abraço que se prolonga
além da urgência
e da insegurança.
É indescritível,
porque não se fixa
no intervalo de uma frase
nem se dobra
ao tempo de uma vida.
Quando nos toca,
é silêncio e pulsar,
uma vertigem de ser
sem o peso da identidade,
um vislumbre de essência
quando esquecemos
de existir.
O bêbado é o butequeiro
Mais uma Zé
O butequeiro lhe serve uma boa dose de pinga
O bêbado engole de uma só vez
O butequeiro questiona
Você não acha que já bebeu de mais meu amigo?!
Sim senhor eu bebo pela vida
Só bêbado embriagado eu me sinto lúcido o bastante pra pensar na vida
O butequeiro serviu mais uma é disse
Está é por conta da casa
O bêbado agradeceu e num só gole engoliu suas amarguras...
Você acredita que mudou. Você quer ser uma boa pessoa. Você tentou. Mas isso não resolve nada do que você fez.
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