Baile
O Ipê Amarelo da Serra
dançando o baile
desta bonita tarde
de Solstício de Inverno
parece comigo
por dentro sempre
que te vejo no caminho.
O Ipê-do-morro recebe
a noite fascinado
com o baile magnífico
do Hemisfério Celestial Sul,
Como Poetisa da nossa
bela América do Sul
me sinto mais próxima
dos ipês do que
de qualquer outra pessoa,
porque enquanto
o mundo está em guerra
estou buscando a paz
mesmo que digam que falta não faz.
Cai a noite e você
sem desconfiança
se entregou ao baile
querendo ser mais
do que meu amigo
achando que o seu
coração não estava
correndo perigo,
Agora você não quer
mais outra coisa na vida
do que viver colado comigo.
“Com tantas fantasias, sonhar em ir a um baile de máscara é só para quem vive em um conto de fadas”.
É noite...
brota em brasa a lua.
Cobre escudo,
em teu rubro halo
dormem dores,
acordam sonhos
em um baile de brumas.
Oh melodia, não só quero te ouvir, como também não só quero te sentir. Seria pedir demais decifrar as tuas notas, conhecer a tua pauta musical? Quero perder-me em cada nota, do dó ao si. Quero bailar nas tuas nuances, nos enlaces. Ouve-me... a percussão que emito. És tu a desejada, a endeusada. És tu o sopro. És tu o bálsamo. És tu o timbre desejado. Tu és o Jasmim sonoro mais suave deste floral. Sim. Tu és. Ouve-me... consegues me escutar? Consegues decifrar as minhas notas? Estou aqui, bradando feito um violino. Suave. Pausa. Audição. Um momento. Agora, inaudível. Aos poucos, vem surgindo sorrateiramente a doce melodia que me cativara. Eu me deixo cativar, pois não tenho dono. Eu sou o maestro da minha orquestra. Eu comando. Porém... estou aperfeiçoando o meu instrumento. Estou afinando as cordas, o tom, o som. Consegues me ouvir?
Vem de longe
o vento mansinho,
perfumando a noite,
a bailar,
traz vozes em carinho
meu coração quer tocar
fico em êxtase, vou ouvindo
a canção que talvez
seja só minha
e ainda não consegui decifrar
Enquanto você achar que só beber e dançar que é viver a vida... É sinal que você ainda não aprendeu nada!
NÃO SEI PORQUE GOSTO TANTO da vida do interior...
Às vezes penso que é por causa dos bailes que se realizam dentro das estufas nas entressafras, regados à simplicidade... Ou se é porque estar no meio da criação ou da plantação, não tem preço...
Às vezes penso que é pelas festas simples nos salões paroquiais, esparramados pelas localidades, com tanta gente boa e comida maravilhosa...
Às vezes penso que são os encontros com os amigos, no domingo depois da missa...
Às vezes penso que é devido à vastidão das paisagens, que me dão a certeza da existência de um Deus Supremo, ou talvez seja pela vida simples que se leva por aqui...
Gente do interior não pergunta... proseia, não corre desesperado para chegar... apenas vai, observa e age. A gente do interior sabe que para colher é preciso plantar, trabalhar duro. A gente do interior tem sabedoria e sabe que aquilo que não é cuidado... seca.
No interior, as pessoas tem outra relação com o tempo...
Costumo sempre dizer àqueles que me visitam: - "O povo do interior é bom. A pessoa entrar em uma estrada com fome, não sai do outro lado ainda com fome".
Gente simples, solidária,, trabalhadora e boa.
Na verdade eu sei sim os motivos pelos quais gosto tanto do interior, mas é que são tantos que o difícil mesmo é enumerá-los.
O DANÇARINO NEGRO PROMETIDO
Amei você dançarino, fiquei deslumbrada, pela primeira vez que dancei. Achei até que tinha entrado em um conto de fadas, você dançarino, era o meu príncipe encantado, pura ilusão de mulher poetisa romântica.
Eu chegava até a ser sem graça. Mas, a dança me mudou totalmente o meu destino. A vida é uma constante experiência enquanto estivermos vivos, existe um processo de deslocamentos intermináveis, e cada ser humano passa por estágios, condições e atitudes e eu passava por isso.
Eu aprendi a sorrir! A vida brilhava mais, o avesso virou revesso, eu já não era só avesso, recuperava a capacidade do meu espaço, da minha liberdade até então reprimida. Aprendi a amar você, dançarino prometido.
Homem negro, alto, sorriso encantador! Nosso primeiro olhar foi pura conexão, no bolero, rainha das danças que seduz.
Você falou pra mim que o importante era ser feliz, negar o momento seria empobrecer o crescimento, as possibilidades de explorar os seus limites apreendidos através da passagem na Terra.
É um momento em que a visão é aprimorada, e o medo precisa ser vencido para que possa vislumbrar um novo horizonte, caso o medo permaneça não se vislumbra um novo horizonte, um novo amanhecer.
Por muitas vezes o destino começa a intensificar o processo da vida sem que os protagonistas percebam, e o processo vai se tornando contagiante.
Você foi meu príncipe negro prometido, gostava de perder-se seu corpo negro, dando uns olhares intensos, tu também me olhavas.
Certa vez havia um nevoeiro na serra quando voltávamos do baile, coisa encantadora, lindo de se ver, nós ficamos encantados com a beleza da natureza, conversamos, trocamos olhares. O clima ia cada vez ia tornando-se mais romântico, a natureza oferecia suas dádivas. Eu pensava em te beijar, abraçar romanticamente..
Tudo aquilo já eram as relações simbólicas da vida, aquelas que vão identificando no ser humano uma trajetória para novas descobertas, novas sensações. E tudo ia compondo um pano de fundo sem participação de coadjuvantes.
Tudo era puros desejos, até o dia que nos amamos loucamente entre pétalas de rosas, luz de velas, incenso, música... Ele falou: ”Estava escrito nas estrelas”!
Consideravam-me ruim, eu adorava isso. Não me assustava os comentários ou olhares de reprovação, a liberdade me bastava, a única que seguraria minha mão para uma dança no grande baile de máscaras que é o mundo.
- Relacionados
- Frases de Baile
- Baile de Máscaras
