Avó
Eu disse à árvore:
me abençoa, árvore,
sê minha avó
minha mãe
minha filha.
sê tu, árvore,
minha ilha de pássaros
e verdes
meu eterno retorno
pulmão e coração
meu berço minha rede.
ela, a árvore,
nada nem disse
e ficou ali naquela existência
sua de árvore
minha avó
minha mãe
minha filha
como todas as coisas são
sem precisão de bússolas
ou outras confirmações.
meu avô não gostava de agosto
dizia agosto mês de desgosto
quando passava dizia agora não morro mais
Tenho 63 anos, eu conheci seu avô, fui amigo do seu pai e ainda vivi bons momento com você. Esse é um momento difícil para mim, estou velho, tenho cabelos brancos, talvez esteja até um pouco enrugado, mas a minha memória ainda é a mesma! Lembro de todas as glórias que buscamos juntos, lembro de ti cantando comigo, lembro de todas as taças levantadas em minha presença. Hoje não contribuo muita coisa, você se mudou e assim como um avô eu vivo sozinho, me sinto abandonado e muitos já não lembram mais de mim... Por isso hoje eu te desejo toda sorte do mundo e muitas outras taças, sei que és imortal, mas eu não sou. Por isso hoje, assim como Vargas, eu saio da vida para entrar para a história.
⁃ Olímpico Monumental
Acho engraçado quando dizem "ela tem o jeito da avó dela", etc. Tem é nada. Tem o jeito dela e somente isso.
Antes eu não acreditava. "Só depois que fiquei velho que passei a acreditar, que meu avó foi menino."
Vida Mar
Brincadeira de novo
Alta maré
Enterrado é o avô
Baixa maré
A outras, mãos laçadas
Alta maré
Despedidas são dadas
Baixa maré
É contrato de sócio
Alta maré
São papéis do divórcio
Baixa maré
Névoa entre memórias
Mais
Baixa
Maré
Tumba dedicatória
Pra
Sempre
Maré
Converse um pouco com a minha avó sobre corpo humano e logo ela vai te perguntar qual o maior órgão do ser humano. A pele. Aprendeu isso em um curso de massagem. Deslizava sua pele em outra pele. Agora enrugada já não desliza mais. Ela que reveste, que protege, que cobre, tão fina e delicada, segura rios de sangue, de pulsações, corações. Estes que batem agitados com o toque de uma pele especial, que saltam com a lembrança de uma pele, que se fecham para peles específicas e que esquentam os tremores da pele no frio. Pele que se livra ao notar o fogo, pele que se torna os olhos dos cegos, a forma no escuro, que se arrepia com um mau pressentimento. Ela, que tirada da natureza, com suas cores de terra, foi tirada à força de sua beleza para se tornar apenas três: branca, preta e amarela. Ela que surge em uma barriga, em trilhões de barrigas, que transforma o prazer em gente, que reveste crianças e ingenuidades. Culpada pela própria riqueza acabou virando carma, castigo, azar. Ela que definiu de berço escravos arrancados de seus tetos, de peles arrancadas, cortadas, que definiu judeus encurralados, que caiu gelada em câmaras de gás. Culpada pelos próprios filhos, responsabilizada. Pele que em umabraço salva um dia inteiro, salva uma vida, pele que com o toque acalma e cura, que com suas texturas, bocas, suscita paraísos. Pele que cobre gênios, bichos, tapete de pelos, de camadas grossas para nadar no gelo, de confundir leões. Ela que se multiplica para ver crescer suas criações, sem pensar em formas e pressas, generosa com todos que respiram. Pele, ela que sem querer fazer sentido apenas gostaria que todas as suas peles estivessem unidas como uma pele só.
Ser ou não ser... A falecida minha avó dizia que somente basta ser e acontecer, porque o resto vai ser de todo jeito.
No tempo da minha avó e no tempo da minha mãe. Mas e o meu tempo onde está? No tempo da minha avó era o tempo do sacrifício. Imagine só, passar roupa com ferro de brasa, pegar água da bica para tomar banho e lavar louça, lavar roupa no rio... que sofrimento! Mas eu acho que era gratificante, pois naquele tempo as moças eram muito prendadas, as crianças se divertiam com brincadeiras mais saudáveis, pula-pula, amarelinha, pega-pega e muitas outras. Elas se exercitavam com essas brincadeiras. Mas hoje em dia está difícil só praticamos brincadeiras eletrônicas que só deixam a gente engordar. No tempo da minha mãe eu gosto de ouvir de quando ela era criança, ela dizia que gostava de ir na casa da tia Irene que morava na fazenda, ela fala que se divertia muito com suas primas. Aprendeu a andar de bicicleta e quase atropelou a tia Irene no terreiro da fazenda. Quando ela tinha uns 5 anos mais ou menos um porquinho comeu seu copinho de canudo e ela chorou muito. E agora no meu tempo é muita modernidade, tem água na torneira, tomo banho de água quente no chuveiro, a roupa é lavada na máquina e o ferro é elétrico. Agora eu penso: “Quanto sofrimento elas tiveram,mas de uma coisa eu tenho certeza, elas foram muito felizes.” 15.11.08
O livre arbítrio do avô, do pai e do filho é uma questão consciencional estabelecida pela individualidade de cada tomado por lapsos sociais do imaginário coletivo.
- Já dizia meu avô "ande sempre com a pessoa que é maior que você, nunca com quem é menor que você."
(Gilmar Brito do Amaral)
Acho engraçado quando sempre dizem das pessoas: "Ela é igual ao pai (mãe, avó, avô, irmão, tio, tia, sobrinha, sobrinho, vizinho, seja quem for) dela". Não é igual não. Ela é igual a ela e somente isso. Mesmo que o comportamento seja parecido, as motivações não são as mesmas. Somos únicos, ninguém é igual a ninguém.
prefiro a morte a redimir-me
pensamento arcaico corre pelas veias
filho de vários tempos, meus avós estam vivos,revoltados e feridos
nunca fui a guerra e me lembro dela como um sonho
despreocupado, desorientado
Um homem cheio de barreiras
um homem cheio de barreiras?
um ser intransponível
um ser intransponível ?
Tem fel nesse mel
casas são como um papel
onde está todo meu sentido
aos cacos, nos descombros dos muros caídos
aaaah perdição, faz de mim um ser tão cruel e sem noção
a todos que me olham sou vitoria ou enganação
observo que limito o seu limite de percepção
quando é furiosa sua ação
“- Vocês tem sido boas meninas?”
Perguntava-nos minha avó, sistematicamente, todo mes de dezembro enquanto eramos meninas, a mim e as minhas primas. A pergunta era sempre individual, o que dava um certo charme, fazendo com que nos sentissemos especiais.
Para ela, ser uma boa menina era ter sido correta com minha mãe, meus tios que ajudaram a me criar, respeitando nossos vizinhos nordestinos e sabendo dividir minhas coisas com as primas. Fui de infancia muito simples, dai o valor das coisas pra mim ontem e hoje, ser tão diferente.
Para ser boa menina, precisava comandar uma agulha como poucas, arrumar a cama sem efeito de propaganda (aquela em que a mocinha levanta o lençol láaaaa em cima pra deita-lo suavemente sobre a cama) e lavar as panelas, deixando-as com cara de novas.
Boas meninas também faziam massa de macarrão em casa (com a maciez de uma petala rosa, dizia minha avó), lavavam o carro da tia solteira, recolhiam cocozinhos do cachorro e olhavam com carinho para o avô que produzia tarrafas em casa (grande pescador meu avô!). Eu era portanto uma boa menina!
O que eu responderia hoje à minha avó se ela me perguntasse de novo, olhos nos olhos, eu e ela?
Acho que ainda sou a boa menina, porque mantenho muitas coisas daquele tempo tão bom, terno e confortável…ainda amando as pessoas e suas crises, me contorcendo para que me enxerguem (como era antes, ainda eh agora!).
Mas também sou má, porque tenho o egoismo de me preocupar mais comigo hoje em dia, deixando um pouco o sorriso fácil pra lá, cosendo muito muito menos, cozinhando cada vez melhor, mas de vez em quando. Apelo entao para as facilidades da vida moderna, a fim de justificar para Dona Helena, que brilha no céu, que não sou preguiçosa e tenho certeza absoluta de que ela também gostaria dessa vida que levamos hoje (sushisashimis, restaurantes em casa esquina, comidinhas prontas, lavadoras,secadoras, skype, msn…! U la laaa).
Explicando: a pergunta formulada pra mim e para minhas primas tinha um objetivo: fazer-nos pensar se éramos dignas de um presente de Natal e se poderiamos iniciar o novo ano com as bençaos que as boas meninas ganham (por termos sido internas em colegio de freiras, isso contava MUITO!!! Presentes e bencaos, eram um evento e tanto).
Penso que aquele tempo foi impressionantemente repressor, mas minha linda avo, fazia da repressao social que sofriamos nos, as meninas, uma oportunidade de ensinar coisas. Ela era uma contadora de historias e nem sabia.
Para nos todas, que queremos ser boas meninas, com certeza minha avo diria “Nao passem pelas pessoas sem olha-las. Nao fiquem paradas como poste esperando dadivas gratuitas, porque nem Deus, nem nosso umbigo, nem nosso proximo gostam disso”. Mais facil? Nao sei nao…
Dona Helena sabia das coisas!
minha querida avó Anna Maria Peres Sanches Marin Sevilha
Tinha dois olhos azuis...que me cercavam..
Às vezes eu me lembro daquele olhar...
Me quebravam, de saudade eram de tão belos..
mesmo zangada, ela sorria com os olhos.!
Chamando atenção!
..
MEU AVÔ
A morte nos ensina muito. Ver a morte se apossando lentamente de alguém, é um aprendizado sofrido, eu diria. É como se Deus, ou quem quer que seja, escancarasse na nossa frente, a nossa fragilidade perante o mundo, perante tudo. Aprendi muito com meu avô e sua espera da morte. Meu vô Zé, um lindo senhorzinho que se foi a pouco tempo. Aprendi com ele e na verdade, aprendi sobre mim e sobre todos. Por que estamos todos à espera da morte. Estamos todos sentados em cima de uma cama, esperando a morte chegar. O que nos diferencia, é como esperamos esta morte. Por que é certo, é definitivamente certo que ela virá. E nos cobrirá os olhos com seu manto negro. Somos todos mortais. E de uma hora pra outra, ser mortal parece uma afronta.
Risível. Sim, é de rir. É de rir, nos ver afrontados com o divino pela morte. Vê-la nos olhos de outra pessoa e agir com ira e insanidade. Por que? Alguém sempre pergunta. E outro responde: Por que é injusto! Embora, ninguém nos tivesse dito, que seria o contrário.
A morte nos aproxima dos nossos, nos une, nos fragiliza e nos fortalece ao mesmo tempo. Uma grande ironia. De certo isto foi pensado por um ser maior? Por Deus? Quem responderia estas perguntas? Quem poderia nos dizer como e quais caminhos e que ventos nos levam à morte? E quais os motivos? E se devem haver motivos?
Sei que nos olhos de minha família, houve tamanho sofrimento. Muito sofrimento. Por que aquele que gostaríamos de ter conosco, teve que ir. Esta dor transforma. Une. Mesmo que as relações antes, estivessem rompidas, trincadas. A morte, esta vilã, uniu, transformou. Que ironia, isto tudo.
Pra mim, viver é uma grande ironia. E a morte a única certeza.
Meu avô já dizia: Se Deus fez algo mais perfeito e belo que a mulher, fez pra Ele! A mulher é sensível e ao mesmo tempo sábia, traz nela o germe da vida e o amor, consequentemente a luta pelo respeito e a dignidade. Admiráveis são elas!
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