Avesso
Enquanto dormia...
Um anjin
Que bem me queira
Me ensinou que noite
É o avesso do dia
Que toda rosa
Tem espinho e magia
Que, se pra alguns
Lua é corpo celeste
Pra outros, é queijo...
Ou astro de inspirar poesia!
Os Avessos
Às vezes nos sentimos pelo avesso, seguindo na contra mão da vida. É como se os nossos pés afundassem em areia movediça e fôssemos perdendo o equilíbrio a cada passada.
Outras vezes não nos conhecemos, parece que retiraram de dentro da nossa alma os registros do que já vivemos e, assim, parecemos estranhos a nós mesmos.
Muitas vezes o viver nos parece algo tão prazeroso, mas logo depois sentimos um vazio intenso dentro da alma como se tivessem nos tirado do prumo da felicidade.
Entretanto, outras vezes sentimos dentro da alma uma força tão forte, tal qual uma tempestade que varre com força os detritos acumulados das dúvidas em nossa alma que são conduzidos como que por uma enchente, que não deixa nada no lugar.
Esta força é Deus que precisa de vez em quando sacudir-nos com as suas energias de misericórdia para acender as luzes que o pessimismo apagou e nos deixou tateando na escuridão.
A faca perfura, transpassa a carne
como um espelho refletindo
o interior do corpo
O avesso das palavras
e a contramão das decisões
fez em mim o desespero, seu habitat
Os erros do passado
e as lembranças do cárcere
transitavam em minha mente
sem remorso aparente
tento disfarçar a lágrima
que insiste em cair
Ajoelho no chão em prece
tendo ao meu lado seu corpo amado
Cai a faca emitindo um som
inesquecível, frio, agudo e breve
Abreviei uma vida !
grito de desespero e de remorso,
e o seu gemido de dor
para sempre ficará gravado
AVESSO
Às vezes me apanha à deriva o peito.
Sinto-me náufrago querendo porto;
um ponto final buscando recomeço.
Às vezes não me entendo direito.
Somente me entendo quando torto,
ou quando vasculho meu avesso.
Do Avesso Me Vesti, às vezes o detalhe te faz perceber a Importância da visão interior e o quão Significante seja um Simples detalhe!
Quantas vezes a vida me virou no avesso,e tive que costurar remendos,com linha forte difícil de arrebentar,até voltar para o direito,e me ver por inteira ?e aqui estou.
O mundo está pelo avesso, os iguais não se protegem mais, e o cachorro não volta mais ao seu vômito. Os bichos são mais humanos que os "animais".
Colocar a vida pelo avesso,
Revelar o olvidado sentido,
Libertar o represado fluído,
Recuperar a inocência do berço.
"O mundo está de ponta cabeça, completamente do avesso.
Será o começo do fim ou o fim para um novo recomeço?"
O que me importa se hoje foi só
desassossego?...
Se foi avesso
Se foi dor...
Eu ainda insisto em
dançar pra vida
Porque sei que tudo na vida passa
E se eu não manter- me
em perfeito equilíbrio
A vida não terá sentido...
Nada de bom fluirá!
memórias
aquele moleque travesso, avesso a cercas, à revelia dos pais, sem um vintém "varava" a estação de são miguel, e no balanço do trem, ganhava novos mundos, novos cheiros e aromas de mogi até o brás.
sabedor q 'manoel feio' fazia jus ao nome, e senhor absoluto das lagoas de 'ururai' até 'aracaré', aos treze já com responsabilidade de homem operário, em busca de salário, às cinco já estava de pé.
deixara para trás as peladas no campinho e o pega-pega, e na gaveta da memória o seu estilingue, suas bolinhas de god e o pião, distanciando-se temporariamente do cheiro cáustico e do apito da nitro, calçando um vulcabras apertado p pisar em outros chãos.
sonolento e sem poder dar no pé, aquele ainda menino, sem despertar do cochilo, sabia estar em ermelino ao sentir o cheiro de enxofre da matarazzo, dona de outra chaminé.
de 'eng. goulart', 'eng. trindade' e 'penha', a única memória afetiva e q pode fazer parte dessa resenha, é ter visto de longe e ao logo da linha o que seria o bucólico parque ecológico e o inalcançável clube esportivo da penha.
da 'carlos de campos', ja livre da busca pelo feijão e arroz, soube tempos depois que o governador de são paulo, patrono da estação, a fez quartel general na revolução de trinta e dois.
já na quarta e quinta paradas, área mais industrializada, aliás, até o brás, o cheiro o remetia à usinagem; a uma montanha de cavaco do ferro descascado, imagem que o menino não esquece jamais.
tudo mudava no tatuapé e no belém, quando o cheiro da fábrica de bolachas, e o aroma da café seleto, produtos às vezes arredios à mesa daqueles passageiros, tomava o trem por inteiro.
aos operários apenas cheiros que vão e que vêm, e aquele moleque, agora com mais idade, relembra Solano Trindade, e em noites insone ainda ouve no ranger das ferragens do trem: "tem gente com fome / tem gente com fome / tem gente com fome".
15/04/2017
- Relacionados
- O dia mais feliz da minha vida está ao avesso
