Sidarta da Silva Martins

Encontrados 5 pensamentos de Sidarta da Silva Martins

SER AMIGO


Ser Amigo!
Publicado: Quarta-feira, 3 de outubro de 2007


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Eu acredito que todos nós já tivemos alguma decepção com amigos. Tenho meditado sobre este assunto, tenho pensado nesta palavra “amizade” constantemente, à busca de respostas.
Afinal, amigo é aquele das horas alegres, das horas de bonança, das horas de sucesso? Ou amigo é aquele que aparece nas horas em que você acha que ninguém irá aparecer, quando você não mais acredita, quando você está só, perdido nos inúmeros labirintos da existência humana?

Acho que este poema começa a responder a esta questão, tão presente em nossas vidas.
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“Ser, existir, estar presente.
Parece esta ser a primeira, e única, condição para ser amigo.
O amigo nada pede, está lá quando o outro precisa.
Nada exige, se entrega, de corpo e alma,
Sem pré-condições e sem senões.

Ser amigo é caminhar ao lado, em silêncio,
Quando nada há a ser dito, mas tudo a ser sentido.
Ser amigo é estender as mãos quando nada mais resta
É compreender o outro, quando ele próprio não se compreende.
Vencido pelas tantas e quantas surpresas da vida,
Nada mais tem, nada mais espera, em nada mais acredita,
A não ser na amizade, bálsamo para todas as feridas.

Amizade!
Palavra linda, sublime, encantada.
Traz em si a beleza da história da existência humana.
Amizade!
O maior feito do ser humano
A maior conquista do ser.
É a entrega total, infinita, eterna.

Tijolo por tijolo, uma amizade verdadeira demora para ser construída
Mas quando é construída, se torna eterna, atravessa os tempos.
Transporta pessoas de um lado ao outro dos oceanos
Só pelo prazer de estar um pouquinho com a pessoa amiga
Sentir seu calor, sentir seu cheiro, sentir seu perfume, receber um beijo...
Tomar um café a dois, olhando o horizonte,
Falando das coisas boas que, juntos, viveram.
E das tantas e quantas batalhas, que juntos venceram.
Ser amigo é uma constante troca, um constante vai-e-vem de afetos,
De momentos carinhosos, de momentos doces, de alegria infinda.

Ser amigo é bater à porta, quando todas as portas se fecharam.
É estar presente, mesmo que em silêncio,
Quando todos os demais se foram
È chegar de mansinho, na calada da noite,
Para espantar os fantasmas dos inúmeros pesadelos humanos.
É dar as mãos com delicadeza e dizer, apenas com um olhar,
Que a amizade é a flor mais perfumada que o ser humano já pode conhecer
É o mais sublime dos amores...

Estar presente quando todos estão presentes?
Dar as mãos, quando todos estão de mãos dadas?
Perdoar o perdoável?
Compreender o compreensível?
Aceitar o aceitável?
Entregar-se dentro do possível?
Pôxa! Isto é o comum!
Ser amigo é ser incomum, é surpreender, é chegar no momento certo,
Quando tudo o mais tem dado errado...
Ser amigo é dedicação, compreensão, devoção, e, principalmente, perdão.
É perdoar o imperdoável, é compreender o incompreensível,
É amar, quando não mais existe lugar para o amor...
É mostrar-se presente, quando todos se foram...
É estender as mãos, quando suas mãos são as únicas que restaram,
E dançar uma valsa, quando o baile já se acabou...
Ser amigo é esquecer-se de si mesmo para lembrar-se do outro
Em uma entrega total, sublime, infinita.

Ser amigo, enfim, é lembrar-se, constantemente,
Que a vida, por si só, é pequena, mas pode tornar-se grande.
E uma grande vida é feita de pequenas coisas
A palavra “amigo” é uma dessas pequenas coisas...”

Sidarta da Silva Martins
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Compreensão (Sidarta Martins)

Eu compreendia
Que precisava entender as pessoas
Hoje compreendo
Que preciso, antes, entender a mim mesmo.

Eu compreendia
Que precisava enquadrar as pessoas
Hoje compreendo
O quanto estou fora de esquadro

Eu compreendia
Que precisa ajustar os passos alheios
Hoje compreende
Como danço fora do compasso

Eu compreendia
Que precisava ensinar meus filhos
Hoje compreendo
O quanto tenho a aprender com eles

Eu compreendia
Que os jovens de hoje são mal formados
Hoje compreendo
O quanto estou mal informado

Eu compreendia
Que as mulheres não entendiam os homens
Hoje compreendo
Como não conheço a mulher e a alma feminina

Eu compreendia
Que a juventude não estava preparada para o ensino superior
Hoje compreendo
O quanto deixei de me preparar para os jovens de hoje

Eu compreendia
Que amava ardorosamente meus pais
Hoje compreendo
O quanto estive longe quando eles realmente precisaram de meu amor

Eu compreendia
Que sabia ouvir minha família e meus amigos
Hoje compreendo
O quanto me fiz surdo e insensível

Eu compreendia
Que nunca acertava nos relacionamentos
Hoje compreendo
Como me fechei para a verdade sobre as escolhas que faço

Eu compreendia
Que sabia educar as crianças
Hoje compreendo
O quanto ainda tenho que aprender sobre educação

Eu compreendia
Que a corrupção tomou conta da Humanidade
Hoje compreendo
O quanto procuro levar vantagem em tudo que faço

Eu compreendia
Que era extremamente bondoso
Hoje compreendo
O quanto vivo longe da verdadeira bondade

Eu compreendia
Que indo à igreja, orando, fazendo jejum, eu amava o meu próximo
Hoje compreendo
O quando, hipocritamente, me escondi atrás da religião

Eu compreendia
Que olhando pelos animais, salvava a Humanidade
Hoje compreendo
O quanto não vejo o Humano que vive e convive comigo diariamente

Eu compreendia
Que Deus, em algum momento, foi injusto e esqueceu-se de mim
Hoje compreendo
O quanto, voltado para mim mesmo, distanciei-me de Deus

Enfim, e só agora
Compreendo
O quanto vivo distante do divino.

Sidarta da Silva Martins
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Outra vida, quem me dera!


Outra vida, quem me dera!
Quem me dera ter outra vida
Começar de novo, voltar no tempo
Só para encontrar-te, e amar-te!

Amar-te a mais não poder
Querer-te a mais não querer
Entregar-me a ti de corpo e alma
De corpo puro e de alma repleta
De alma repleta e completa
De teu amor e pelo teu amor

Ah! Quem me dera.
Quem dera a vida não fosse
- Como o é
Apenas uma quimera
Uma bela e doce quimera
Mas uma quimera!

Quem me dera...
Poder encontrar-te em outro tempo
Em um tempo nosso
Um tempo de amor, de calor, de fervor
Quem me dera!

Quem me dera...Pudesse eu voltar atrás
Mudar o tempo, trocar os dias, e encontrar-te!
Encontrar-te em meu tempo, ou em seu tempo
Mas encontrar-te!

Encontrar-te em um tempo de amor, de paixão
De paixão e de entrega total, corpo e alma, alma e corpo
Numa entrega que tornasse eterno o eterno amor que lhe tenho
Quem dera pudesse eu encontrar-te!

Quisera voltar no tempo, ser novamente um menino
E encontrar-te menina, menina dos olhos vivos, lindos
Menina deste menino, ser seu melhor amigo, seu melhor companheiro
E apaixonar-me novamente, loucamente
Colher flores, catar pedras, guardar trecos...Tudo para ti, só para ti
Quem me dera...Ah! Quem me dera.

Sidarta da Silva Martins
Inserida por sidartamartins

Viver cada minuto

Viver cada minuto
Fazer de cada um deles um minuto a mais
Um minuto a mais em nossa existência
Mais convivência, mais amizade, mais demonstração de afeto
Mais reconciliação com o semelhante, com nossos familiares
Mais reconciliação conosco, com nosso interior, com nossas crenças
Prolongar nossa existência a cada minuto
Fazendo de cada minuto uma razão a mais para viver
Uma razão a mais para se dar, e para receber...
Fazer de cada minuto vivido uma vívida lembrança do existir
Deixando em cada coração uma sementinha de alegria
Uma sementinha de sorrir, uma sementinha de prazer
Prazer pelo encontro, prazer pelo aperto de mão, pelo abraço
Pelas reuniões de trabalho, pelo carinho, pela participação na construção diária
Na construção diária de um mundo melhor, mais cordato, mais afetivo
Prazer por estar ali, usando aquele minuto para expressar o amor
Para expressar o calor, para transmitir ao outro, ao semelhante
A imensa satisfação por poder dividir um minuto
Um minuto de nossa curta existência
Que se faz imensa a cada minuto, a cada minuto bem vivido
Pois cada minuto irá expressar nossa inteira existência
Expressar quem somos de fato, o que de fato queremos, o que valorizamos
Cada minuto contém toda uma vida, contém toda a história humana
E a história humana, a vida de cada ser humano, de cada um de nós
É feita de minutos...

Sidarta da Silva Martins
Inserida por sidartamartins

Consciência Negra: Há o que comemorar?

Precisamos compreender que fomos educados dentro de uma cultura “branca”, onde a Escola é Branca, o Hospital é Branco, onde o Símbolo da Paz é Branco, onde Deus é Branco! Onde o termo “negrice” é aceito com a maior naturalidade, e o termo “denegrir” é usado em documentos oficiais...

Recentemente foi publicado um estudo intitulado "Mapa da Violência 2015", sobre a violência contra a mulher. Neste mapa destaca-se a acentuada diferença entre a agressão à mulher branca e à mulher negra, no Brasil.

Importante deixar claro que qualquer tipo de violência é abominável! Contra a mulher, contra a criança, contra qualquer Ser Humano, contra animais... Porém, há que se refletir sobre os resultados deste "Mapa da Violência 2015".

Quando pensamos na questão da Consciência Negra, somos, irremediavelmente, remetidos a um passado recente, quando nossos irmãos negros eram espancados até a morte, em praça pública, transformando o dia em feriado, para que todos pudessem assistir à maldade branca, à maldade dos senhores e serviçais desalmados, de ontem e de hoje, sem qualquer consciência sobre sua demência, sem qualquer consciência sobre o fato de que qualquer poder sem amor é loucura, é doença.

E quanto poder sem amor se espalha por este mundão de Deus! E quanta hipocrisia!

Por que não se fala sobre isso nas Escolas Ituanas e Brasileiras? Por que isso não está nos livros de história?

Continuo me perguntando se nas comemorações feitas em Itu, uma cidade aristocrática, de ontem e de hoje, haverá espaço para pedidos de desculpas pelas maldades em praça pública, ou para agradecimento aos verdadeiros construtores dos casarões, das igrejas, e das praças onde eram espancados.

Será que a dignidade, enfim, falará mais alto, e se curvará à verdade, reconhecendo um passado recente, que nos enche de vergonha?

Quando me vejo cristão e me compadeço com o sofrimento do Cristo, nosso exemplo maior, me pergunto se o sofrimento ao qual foram submetidos centenas de milhões de irmãos nossos, não só nas Américas, mas em todo o mundo - e continuam sofrendo, não é digno, também, de compadecimento e reconhecimento público.

Mas existem outros pontos a serem discutidos, a serem colocados “à prova de consciência”, antes de nos colocarmos a defender isso ou aquilo para os nossos irmãos negros.

Por exemplo: Você concordaria que sua filha, branca, se casasse com um negro? Você receberia sua neta, branca, com o parceiro negro, para posar em sua casa, almoçar à sua mesa, com a mesma disposição que a receberia se estivesse com um parceiro caucasiano? Você respeita seu genro negro? Seu chefe negro? Seu comandante negro? Seu médico negro? O policial negro? O pedreiro negro?

Quanta hipocrisia, meu amigo! Quanta hipocrisia!

Aliás, quantos de nós aceitam fazer consulta com um médico negro? Quantos de nós aceitam um professor negro? Quantos de nós aceitam que nossos filhos e filhas frequentem a casa de amiguinhos negros, e vice-versa?

Indo um pouco além: Em uma Sociedade com 51% de negros, quantos vereadores negros temos, prefeitos negros, deputados negros, senadores negros, promotores negros, professores negros, juízes negros?

Há muito que caminhar, ainda, e esta é a CONSCIÊNCIA QUE PRECISAMOS TER. Precisamos compreender que fomos educados dentro de uma cultura “branca”, onde a Escola é Branca, o Hospital é Branco, onde o Símbolo da Paz é Branco, onde Deus é Branco! Onde o termo “negrice” é aceito com a maior naturalidade, e o termo “denegrir” é usado em documentos oficiais...

Aliás, que tal levantarmos TODOS os termos pejorativos aos negros e pedirmos que sejam retirados dos dicionários de língua portuguesa?

Tenho a honra e a alegria de ter tido, em minha infância, inúmeros amigos negros, de ter recebido, em minha casa, na minha juventude, colegas negros de Ensino Básico e Médio, para estudarem comigo. Tenho a imensa honra de viajar, semanalmente, e trocar impressões, com uma gentil amiga negra, uma mulher de imenso valor, Educadora das mais destacadas. Não cito seu nome aqui, por não estar autorizado, mas ela sabe do respeito que tenho por ela e por todos nossos irmãos negros. Um beijo terno a você, doce amiga, onde quer que esteja agora.

Consciência, negra consciência!

Consciência!
Negra!
Consciência sobre um passado
Negro!
Um passado negro de negras ações
Negras atitudes de um branco com alma negra
Um negro passado!

Consciência!

O negro passado a limpo
O príncipe, negro
Com um passado limpo
Limpando a alma, lavando o espírito
Um príncipe, vários príncipes!
Guerreiros, heróis, crianças e velhos
Homens e mulheres, príncipes e heróis
Fantoches de um branco sem consciência

Consciência!

Consciência sobre a maldade
Consciência sobre o passado
- O passado, passado a limpo!

Feriado!

O passado em praça pública
Para assistir à maldade inconsciente
De um branco onisciente, de um branco insano
Agredindo ao negro
Em praça pública!
Agredindo ao negro de alma branca
Que lhe traz a consciência de sua alma negra
Negra nas intenções
Negra nas ações
Negra nas maldições
Maldições que hoje voltam
Vão e vem, em um vai-e-vem sem fim
Até que haja a consciência, plena!
E a aceitação...

Consciência!

Lavando a alma, trazendo a calma
A esta alma negra
Lavando um passado e construindo um futuro

Consciência!

Em uma só palavra, a ciência, conosco
Conosco o conhecimento, sobre nós mesmos
Sobre o que fomos e o que somos

Consciência, paz, amor
Com ciência!

Sidarta da Silva Martins
Inserida por sidartamartins