Sabrina Niehues
Eu gosto da bebida por causa do efeito que ela tem sobre mim. Gosto disso porque minha mente funciona mais lentamente. É que eu não gosto muito de estar sóbria. Minha mente costuma me causar um grande estrago.
Todos se perguntam qual foi o motivo disso tudo. Ela parecia tão feliz. Tanto na vida real quanto nas redes sociais. Estava sempre alegre. Agora todos pensam que ela fez isso apenas para "se mostrar". Nada sabem eles sobre os conflitos que ela tinha consigo mesma. Nada sabem eles o que ela sofria e quais os motivos que a levaram ao suicídio.
Eu não posso ignorar os meus problemas. Seria como ignorar a minha vida. Não posso ignorar a dor. Eu estaria ignorando a mim mesma. Essa sou eu. A dor. Essa é minha vida. Um sofrimento.
Carta para meu pai
Você se aproxima tão amável. E mesmo dopada de calmantes e antidepressivos, eu ainda não consigo ser gentil, nem com você que eu tanto amo e que também me ama. Eu só tinha feito uma pergunta. Não queria lhe magoar, pai. Eu nunca quis. Eu sempre me sinto mal quando a gente se desentende. E eu não sei como estou conseguindo digitar isso aqui com lágrimas nos olhos. Eu só precisava dizer que eu lhe amo, pai. E eu me sinto horrível quando nos desentendemos. Eu nunca me sinto tão mal quanto nesses poucos momentos. Eu só queria entender por quê eu sou assim. Eu não queria ser. Eu sei que sou um demônio, como diz minha mãe. Eu não sei por quê ela me diz isso sabendo que eu me sinto mal. Às vezes eu penso que ela não me ama. E se ama, não ama tanto quanto você, pai. Você me ama de um jeito lindo e sábio. E um dia eu quero amar assim como você. Eu lhe amo, pai. Você é só e tudo o que tenho. Por favor, não me abandona.
Eram dois garotos inteligentes demais para a pouca idade que lhes era dado. Eram amigos, também. Ambos eram bem namoradores. E o mais impressionante: nenhum deles acreditavam no verdadeiro amor. Eu ficava abismada com isso. Eu sempre fui tão fascinada por esse sentimento que dizer ser o amor... E eu me perguntava como dois seres tão inteligentes não acreditavam nisso. Talvez por serem racionais demais e eu sentimental à beça? Deve ser. Mas eu sempre pensei que era impossível viver sem alguém. Será que os inteligentes não concordaria que a solidão não basta? Na verdade, um deles me diz que o problema não é o verdadeiro amor, mas sim as falsas pessoas que não sabem amar.
Eu vivo buscando uma explicação para tudo. Principalmente para o amor. Então me pergunto: como posso estar buscando uma explicação racional para um sentimento? Acredito, agora, que isso seja quase impossível. Acho que pode-se tentar, pode-se comparar uma coisa à outra, mas não explicar de um modo exato. Explicar o amor seria quase como tentar fazer um mudo falar.
Era uma garota tão alegre. Vivia fazendo todos rirem. E o povo da pequena cidade não entendia por que ela havia feito isso. Mas, na sua carta de despedida, ela deixou escrito: 'Eu fazia eles rirem e era isso o que importava. O que ninguém lembrava era que eu também queria rir'.
O conto dos dois caminhos
Eu estava perdida em sofrimento, solidão e agonia. Desejava tanto a morte quanto a luz do dia. Já não sabia se amava mais a vida ou se desejava mais a morte. Só que eu era covarde. Tão covarde que eu não sabia viver e nem morrer. Tinha medo da vida e da morte. E eu vivia vazia, parada nessa encruzilhada. Olhava para os dois caminhos, sem saber qual seguir. Então peguei a direita, o caminho da vida. Fiquei tão apreensiva que eu chegava a subir nos barrancos da vida, só para não entrar de cabeça nessa estrada. Olhava para todos os cantos, todas as sombras... Eu prossegui pelo caminho da vida solitariamente. Durante algum tempo... Mas, ao decorrer desse, eu encontrei outras pessoas nesse caminho. Pessoas como eu. Que também haviam parado na encruzilhada e que também haviam ficado indecisas. Conheci um senhor que havia dito que havia conhecido um homem sofredor, como nós dois. Esse homem optou pelo caminho da esquerda, o da morte. E o senhor me disse que não sabia por quê. E eu lhe disse que também não sabia. Então nós rimos, aquele riso triste. E então o senhor começou a narrar-me sua história de vida. Disse-me que, quando tinha a minha idade, também havia chegado na primeira encruzilhada. Nesse instante, arregalei os olhos. E o senhor entendeu porquê. E ele disse-me para não me assustar, pois no decorrer deste caminho eu hei de encontrar mais encruzilhadas como essa primeira. E eu perguntei-lhe como ele sabia disso, sendo que nós dois estávamos apenas no início do caminho da vida. Ele me disse que ele já não estrava mais no início. Disse-me que havia nascido, prosseguido feliz e chegado à primeira das encruzilhadas. Disse-me que passou pela vida e que a seguiu até encontrar outras tantas encruzilhadas, iguais à primeira. E disse-me que, como eu podia observar, ele havia optado sempre pela vida, mesmo desejando também a morte. Ele me disse que a única certeza que tinha nessa vida era que um dia ele teria de seguir o caminho da morte, mesmo querendo ou não. E então ele me disse que não havia porque em apressar o fim, já que ele viria de qualquer jeito. Ele me disse, então, que optou pela vida porque queria saber mais sobre ela. Queria encontrar, no fim disso tudo, mais uma vez a alegria que sentia ao ser criança. Perguntei como ele sabia que a encontraria. Ele me disse que não sabia. Perguntei, então, se ele havia encontrado. Ele me disse que sim, mas que já à havia perdido. Ao me ver com um olhar desentendido, ele disse à mim que havia encontrado o amor. E então eu perguntei a ele por que ele havia voltado. Ele me disse que não tinha mais o que viver. Que sua vida já estava no fim e que jamais encontraria felicidade nessa, já que seu grande amor se fora. Ele me disse que optou por voltar, apenas para narrar aos outros, como eu, suas histórias. Disse também que queria terminar no início. Que gostaria de morrer na primeira encruzilhada. Que esperaria pela morte ali mesmo. Disse-me que estava apenas voltando no tempo. E disse-me também que queria prosseguir, antes que esse já não o deixasse mais fazê-lo. Assim, o velho me disse um adeus e se foi. E eu prossegui meu caminho, desejando, lá no fundo, encontrar a alegria. Prossegui. Após um tempo, encontrei um garotinho. Estava escondido no meio do mato que crescia pelo barranco em que eu andava. Ele se escondia da vida, mas ela não o deixava. Perguntei a ele por que se escondia. Ele me disse que era a vida quem se escondia dele, e não o contrário. Ele me disse que a vida é que não quis ser gentil com ele. Ele era tão pobre com um rato. Era sujo e imundo. Olhei para ele e disse-lhe que a vida também não me é gentil, mas eu não desisti de conquista-la. Disse à ele para prosseguir que um dia daria certo. Dei então um abraço bem forte no garoto sujo e prossegui. Ao olhar para trás, vi que ele sorria. Eu continuei andando. O tempo passou. Encontrei pelo caminho água, comida e ar fresco. Encontrei o necessário para continuar vivendo. Mas não encontrei a alegria que, lá atrás, aquele velho senhor dizia ter encontrado. Eu, hoje, sou tão velha quanto ele. Estou tão cansada que resolvi parar na próxima encruzilhada que me vier. E farei a mesma coisa que fez aquele velho. Vou ficar parada na encruzilhada, pensando na vida e na morte. Esperando-a chegar. Pensando em como fui feliz antes da primeira encruzilhada. Tudo porque eu tinha conhecido a alegria que um dia aquele velho sentiu. Eu só não dei a sorte que ele deu. Eu apenas vi a alegria andando ao longe, já o velho pode abraça-la. Ele pode amar e ser amado. Já eu, parei na primeira parte, na primeira encruzilhada.
Talvez com o tempo, com a tua ausência e com a minha incompetência eu te esqueça. Mas não por completo. Mas não mesmo. Nem que eu tenha que colar tua foto no meu espelho e olhá-la todos os dias e então lembrar que eu ainda te amo e que tu és minha vida.
Ultimamente tenho estado tão cansada… Cansaço físico, mental, sentimental… Cansaço até para minha leitura rotineira. Cansaço até de pensar, ouvir, falar, sentir e viver.
Durante meus quinze anos de vida, convivendo sempre com meu pai, eu não imaginava que ele fosse alcoólatra. Sempre o vi beber, rotineiramente, e sempre ouvi minha mãe reclamando disso. Mas, sempre que ele bebia, em excesso ou não, ele nunca mudava seu humor. Nunca ficava mais ou menos nervoso. Nunca, em hipótese alguma, agrediu alguém. Mas, se alguém abrisse a boca para brigar ou reclamar dele, ele se irritava. Então, após quinze anos (minha vida toda, até agora), eu não tinha me dado conta de que meu pai é alcoólatra. Caí na real após uma conversa com uma prima mais velha. Ela havia mencionado meu pai e um tio meu. Disse que não havia no mundo pessoas melhores que eles, mas que, infelizmente, eram viciados em bebida. Tudo bem, creio que todas as pessoas tem seu lado bom e ruim. E quem somos nós para julgar alguém? Nós não somos ninguém. É sempre difícil aceitar o lado ruim de quem a gente ama. A gente sempre pensa que as pessoas que amamos são perfeitas. Na verdade, elas só são perfeitas aos nossos olhos. Mas eu o aceito assim. Eu aceito meu pai como ele é. Com todos os seus defeitos e qualidades. E eu o amo de qualquer jeito. E sei que ele também me ama. E sou grata por isso. Me pergunto, então, como ele foi se viciar no álcool. E então olho para dentro de mim. Quantas vezes eu quis beber também? Penso que está no sangue. Gosto da bebida tanto quanto meu pai. Então ligo os pontos... Por que eu gosto de beber? Para esquecer meus "problemas". Para esquecer as coisas, palavras e pessoas que me machucam. Para esquecer minha vida. E então penso que talvez esse seja o mesmo motivo pelo qual meu pai bebe. Pelo qual, quando jovem, começou a beber. Eu sei que ele é um homem que vive no passado. Como eu.
É sempre difícil aceitar o lado ruim de quem a gente ama. A gente sempre pensa que as pessoas que amamos são perfeitas. Na verdade, elas só são perfeitas aos nossos olhos. E elas também erra, como nós. Mas o importante é amar.
Em direção à beira do precipício
Foi para lá que me levaste
Vivo agora cheia de vício
Tu foi embora e não me levaste.
Eu vejo as pessoas apaixonadas e sendo felizes. E então olho para dentro de mim e sinto vontade e necessidade de ser feliz também.
É tão ruim isso. Ela diz que mudou. E é verdade, eu já reparei isso. Mas… Eu devo confessar que ela mudou para melhor. Melhor para ela, melhor politicamente correta. Mas não melhor para mim. Agora todas elas tem alguém. Eu só tenho a solidão e memórias ruins. Tento afogá-las na bebida e mandá-las embora com a fumaça que venho soltando ultimamente. Eu me sinto tão só. Como se não tivesse nada nem ninguém. Me sinto insignificante. Eu só queria ter um motivo bem forte para continuar vivendo.
Eu me lembro
Que enquanto cê jogava bola
Eu tava lendo
E enquanto cê tava na escola
Eu tava vendo
Da janela aqui de casa
Eu te olhava
Correndo pela quadra
Apreciava
Cada passo que cê dava
Emocionava
E teu cabelo ao vento
Eu adorava
De dentro do meu aposento
Acompanhava
Cada suspiro lento
Eu me amarrava
E se dependesse de mim
Ali mesmo eu ficava
Porque eu gosto assim
Você na minha aba
Daqui até o fim
E enquanto cê tava na academia
Eu ficava no meu quarto e dormia
E enquanto cê tava com ela
Eu não vivia
E quando eu te encarava
Cê nem me amava
E por dentro eu chorava
Esperando em vão
Um dia você sentir por mim
Amor n'alma e no coração.
Um amor tão grande quanto o Titanic
Eu te amo como as pessoas amam o ar que respiram. Te amo, tão obviamente como o céu é azul e o sol é quente. Te amo tanto que nem consigo descrever, apenas fazer comparações. Mas saiba que vou te amar para sempre, como Jack amou Rose e como Rose amou Jack.
