Sabrina Niehues
Podem ir embora. Opa, parece que é desnecessário dizer isso. Parece que já foram, mesmo contra minha vontade. Foram todos. Todos sempre vão. Todos seguem um caminho, outros pegam uma trilha, um atalho. E eu fico aqui. Parada na encruzilhada, sem saber pra onde ir...
O problema é que eu vejo o que mais ninguém vê. Eu vejo o sofrimento alheio. Eu vejo a injustiça, fome, seca e todas as desgraças existentes e aparentemente invisíveis aos olhos dos outros. Eu sofro por todos eles e por mim também.
O tempo passa tão rápido. Ontem eu ainda era criança. Amanhã já serei adulta. Depois serei uma idosa. E depois? Não sei. Quando fecho os olhos eu vejo a escuridão. Quando eu abro-os, já vejo o fim da vida. Às vezes quero que passem rápido os minutos. Quando vejo, tudo acabou. A vida ao fim chegou.
Eu vou te esperar o tempo que for. Mesmo que seja por toda a minha vida. Mesmo que seja em vão. Eu preciso saber, no fim, que eu tentei.
A vida é curta
A vida é curta, amor
Vem cá me amar
Sentir meu calor
Girar no ar
Espantar a dor
Te faço flutuar
Num céu multicor
Andar num mar
Coberto de flor
Vem para olhar
Meu eu sonhador
E para perdoar
Meu ruim interior
Mas vem, sem ah
Não deu, amor
Só não vem brigar
Após o licor
Vem só me visitar
A vida é curta, amor
Rotina
Manhã de inverno
Gelada
Sigo meu ego
Sei que é furada
A manhã é fria
Não mais que eu
Penso na alegria
Ainda não bateu
Anseio pela noite
Lua ao céu
O último açoite
Cobrido pelo véu
Vejo o mar
Sinto amor
Quero te olhar
Sentir teu calor
À noite virá
Em busca de amor
Irei ignorar
Toda a dor
Eu vou sair
Volto outro dia
Vou dormir
Sonhar com a alegria
Eu queria ser balconista de boteco. Eu ouviria histórias de amor. Certamente, as que não deram certo. Eu conheceria pessoas apaixonadas, sofredoras. Afogadores de amor, de dor...
Por que vocês fogem de mim, palavras, quando eu mais preciso? Vocês são tudo o que eu tenho. Eu não tenho mais ninguém. Não me abandonem também...
Hoje eles me pegaram no flagra, fazendo o que eu não deixo ninguém ver. Meu único lado bom. Eu estava dando amor e carinho pro meu cachorro. Eu estava demonstrando meu eu que sabe amar.
Antigamente, não gostava dela. Hoje, já é rotina. Aprendi a me acostumar com sua presença. Aprendi a apreciá-la. Eu sei que ela me ama. Ela vive no meu pé. Ela fica comigo mesmo na presença de outras pessoas. Em todos os lugares e momentos. Acho que ela me ama. Se não me amasse, não viveria comigo. Bom, talvez isso não signifique nada. Afinal, eu não a amo e vivo com ela mesmo assim. Não acho que eu seja capaz de amá-la. Talvez eu só goste dela. E só às vezes gosto. Mas quando ela vem, eu sei apreciar sua presença. Ela é minha companheira. Acho que sempre será. O nome dela? Solidão.
Ela está em todos os lugares
Todas as esquinas e bares
Está na minha mente e alma
Está dentro e fora
Está em mim por inteira
Me usa e abusa
Me consome
Me ama
Ah, vê se me deixa
Solidão.
Eu não quero que minha esperança seja alucinação. Eu quero que um dia, mesmo que o tempo me custe a vida, ela se concretize. Minha esperança. A que me alimenta a vida. O amor.
