Sabrina Niehues
Não quero que o desespero, que minha mente doente me leve ao fim. Eu ainda quero viver, é. Eu ainda sou esperta o bastante para aproveitar a vida.
Eu não sou doente mental. Só tenho dificuldade de aceitar a realidade. E a realidade não me agrada. Porque tudo aqui é ruim. E eu não sou estranha. Quantas vezes vocês quiseram desistir também? Eu sei que sim, não mintam. Vocês quiseram, sim. Vocês também pensam que o fim pode ser uma boa ideia. Vocês só não admitem porque tem medo dela. Medo da morte. Vocês são medrosos. Tem medo do inevitável. Vocês tem medo de pedir ajudar psicológica porque vocês tem medo de reconhecer que também são doentes. Vocês tem medo de si mesmos. Eu também tenho. Mas eu busquei por ajuda. Uma parte minha foi mais forte pra isso. Eu não tive medo de admitir isso. E, sabem, eu fiz isso sabendo das consequências. Sei que machuquei minha família ao admitir que precisava de ajuda. Mas eu fui atrás de algo melhor... Eu admiti minha loucura. Admito que sou louca. Mas não mais que vocês, humanos sem caráter.
Acho impressionante o quanto a mentira conforta e a verdade machuca. Não é difícil entender os que preferem a ilusão. Mas, ainda assim, acho que prefiro a realidade.
Gosto do remédio porque ele me deixa tranquila e as pessoas gostam de me ver assim. É melhor pra elas. E também pra mim... eu acho. O que me incomoda é que as pessoas gostam de mim apenas quando estou sobre efeito. Quando sou eu sem efeito, sei que sou chata, quase insuportável. Eu não sei por quê sou assim naturalmente. Não queria ser. Queria ser melhor sem precisar dos remédios. Queria que minha família e amigos me amassem como sou, sem efeito algum...
Paga-se um preço caro por não usar a mente, mas às vezes é o contrário. Às vezes pagamos um preço caro por pensar demais...
Acho-o tão interessante... Poderia amá-lo. Gostaria, até. Mas tem algo nele que eu não aprovo. Nem por isso, eu poderia numa boa aceitá-lo e aceitar suas ideias. Mas é que nesse caso... Sabe, ele diz que não deseja amar mais ninguém... Ele desistiu do amor por já ter sido machucado. Eu compreendo-o. Mas e agora? Agora que estou amando-o? Amarei, mais uma vez, em vão. Amarei por mim e por ele, e nada receberei em troca além de solidão.
A Bela Natureza
O verde da natureza
O azul do céu e do mar
Vejam que tamanha beleza
Como é lindo isso tudo olhar
O canto dos pássaros
Agora são lamentos
No céu estão os ácaros
Misturados com os ventos
Não polua o mar
Onde queres te banhar
Não mate a planta
Que o mundo levanta
Respire o ar puro
E sinta-se seguro
A natureza ainda é bela
E que sejamos como ela
Não seja um ser imundo
Que destrói o bem maior
Cuide deste mundo
E a vida será melhor.
Ainda não sei por quê ele me atrai. Mas sei que não é só pela beleza física. Mas eu ainda acho que não devia me deixar levar por essa atração. Seria em vão. Ele não me vê como eu o vejo. E eu sei que ele não sentirá por mim o que eu sinto por ele. Não vale a pena eu me entregar, sendo que só vou me machucar.
Às vezes nem as palavras conseguem descrever meus sentimentos... Quando isso acontece, eu me assusto.
Quando estou triste, penso sempre nos outros. Penso nos milhões de africanos morrendo de sede. Outros tantos morrendo doentes, de fome, de frio. Penso nos negros, que tanto sofreram e ainda sofrem. Penso no meu país. Nos políticos corruptos. Vocês são piores que baratas. Perto de vocês, as baratas são lindas e cheirosas. Vocês são um lixo. Vocês, corruptos. Vocês, idiotas que julgam pela cor. Você, ignorante que se acha superior aos outros. Vocês não são nada.
Tenho uma amiga que faz cortes no seu braço esquerdo. Outra, tentou suicídio enfiando uma faca também no pulso esquerdo. Há algo nos pulsos esquerdos que as atraem...
Ela gosta de fazer rimas
Escreve poemas e poesias
Escuta Gessinger e Lennon
É pirada na natureza
É sentimental
Ela é puro amor no carnaval.
Amor aos reprimidos
Estão em prantos, ó coitados
Morrem de sede, de fome
Querem apenas ser libertados
Dessa vida que os consome
Mas aqui, eles vivem insensíveis
Não querem ver o sofrimento alheio
Fazem de conta que são invisíveis
Esse absurdo constante e sem freio
Estão lá em prantos
Roubam seus direitos
Esses homens brancos
Cheios de preconceitos
Mas saiba, não são todos
Ao próximo ainda saber amar
Mas, infelizmente, são poucos
Poucos vão se salvar
Queria eu poder mudar
Esse mundo tão egoísta
Com palavras tento falar
Corruptos, baixem a crista
Corruptos vocês
Que deixam pro povo
Uma vida de escassez
E nada de novo
Pacientemente eu espero
Paz para os sofredores
Para eles, um mundo belo
Sempre cheio de amores.
