ROSANGELA
Identidade
Amanhece
em mim um corpo insone
sou uma ave sem nome
nem sobrenome…
voa na branca manhã aclareada
bate as asas devagar em meio à bruma fria
sozinha
rasgando o céu
sem destino certo
voa por ares incertos…
sente-se rainha.
O mundo é uma escola
Venezianas fechadas.
Noite sombria.
O vento sopra gélidas lufadas.
Toda a casa cheia de nada.
Queria poder o passado apagar.
Da lama que me suja me limpar.
Cresci rápido demais.
E não, não há como voltar atrás.
Poeira a tudo sufocar
Cheiro de mofo no ar.
A casa (des)nudada...
Portas fechadas, desnorteadas.
Tremem de frio.
O mundo é uma escola
E ninguém dá cola.
Tive de crescer.
E cresci rápido demais.
Aquela lembrança
Retornou como um antigo erro aquela lembrança.
Corri pela areia da praia para esquecê-la.
Coloquei óculos escuros para não vê-la
Mergulhei no mar para afogá-la.
Redimensionei-me.
Fiz-me pequena...
Corpo decomposto...
Fiz tudo o que podia pra daquela lembrança não sentir mais o gosto.
Retornou... simplesmente retornou.
e fustigou-me.
Meu amor nunca faria mal. Meu sentimento é puro demais. As minhas palavras que pode te chatear. Mas esse tal de amor que todos falam não deve existir. Porque às pessoas vivem se magoando e mesmo assim falam que amam. Eu jamais vou querer que meu amor fira alguém. O amor que eu quero e aquele que não ver a hora de encontrar a pessoa amada e que me faz ter um frio na barriga cada vez que a vejo, aquele que fico ansiosa a semana inteira e quando chega sexta já começo a me preparar pra o ver no sábado pra olhar nos olhinhos dele e sentir ternura, segurar nas mãos dele, o abraçar e beijar, deitar no seu peito sentir seu coração, passar se possível for minutos tocando seu rosto e corpo, conversar, dar gargalhadas juntos, sentir prazer na relação sexual e querer que nunca acabe e querer ver ele muito feliz e bem na vida, jamais o envergonhar ou entristecer... Se existir amor. Esse seria o amor que eu quero dar e ficaria feliz se recebesse ao menos um pouco dele pra mim, porque nunca fui exigente com nada, apesar deu ser stressada estou sempre sorrindo e feliz com tudo. Mesmo eu querendo mais... Se existir amor e esse amor que eu quero passar e sentir na minha vida, esse que tô esperando, mas tô cansada sabe. Porque ele não existe e eu macaca velha 37anos, ainda o espero como se fosse uma adolescente de 15anos cheia de sonhos infantis.
Aquela lembrança
Retornou como um antigo erro aquela lembrança.
Corri pela areia da praia para esquecê-la.
Coloquei óculos escuros para não vê-la.
Mergulhei no mar para afogá-la.
Redimensionei-me.
Fiz-me pequena...
Corpo decomposto...
Fiz tudo o que podia pra daquela lembrança não sentir mais o gosto.
Retornou... simplesmente retornou.
e fustigou-me... de-va-ga-ri-nho
FUSTIGOU-ME... DE-VA-GA-RI-NHO...
Bons frutos
Um céu mortiço... mergulhado em trevas e fumaça.
O que pensas?
Talvez seja melhor deixar ficar no pensar.
Mente clara...
ou meio nublada...
mas não de tudo a mais destacada.
Muita coisa... o melhor a fazer é deixar bem guardada.
Semente...
Germina com calma e completamente.
Espere a água...
aguar e aguar...
Não vá até o rio.
Um solo fértil...
Raios de Sol
também são feitos para por eles aguardar.
Germinar e germinar...
O resto é puro vazio.
Impeça-se de se destacar.
Faça com cuidado a sua parte
Vá com atenção por toda parte.
Frutos bons, sim, sempre dar.
O resto?
O resto... deixa a vida levar.
Para falar de amor
A casa vazia...
cada dia mais fria.
Sente falta de poesia.
Mãos calejadas
pra sempre caladas.
palavras cansadas
No sofá da sala jogadas.
Uma luminária fracamente tenta quase que inutilmente tudo iluminar...
Não há mais versos para versejar.
No canto da sala uma mesa e um computador... mudo, frio e vazio...
...esperando que alguém o use para de amor falar.
Amar-te
Amar-te
no prisma
sonoramente refletido
no mais alto silêncio.
Amar-te
no corpo espelhado
sem máscaras
sem fingimento
no vazio do caos
imenso.
Quisera.
Amar-te
sem ameaça, sem perigo.
Amor atento e dedicado…
E, nesta via de mão dupla…
amar-te, intensamente amar-te…
e, ser amado.
Amor novo, novo amor
Todos os dias aquele mesmo frescor de algo novo,
Amor novo, no princípio...
Amor tão familiar, tão íntimo, tão profundo... denso... tão vivo.
Amor tão forte – maior que a morte –, sem ele sequer vivo.
Uma sensação intensa, parte de mim, de algo que sou, dos retalhos espalhados que esse amor juntou... tudo se clarificou.
As cicatrizes, esse amor, todas abrandou.
Quisera ter uma caixinha...
Nela guardar com todo o cuidado meu coração
ou colocá-lo em uma redoma...
Seguro e livre da escuridão.
E, amor, nesse imenso caos... descaostizado... és tu um tudo… de tudo um pouco…
em tudo harmonizado.
Amor amado.
Protegido… completamente afastado deste mundo louco.
Um amor… que de tudo de bom me trouxe um pouco.
Quero
Quero
tua voz
de outono
em todas as estações
voz modulada
e rouca
com sede
de música…
tua voz que me deixa louca.
Quero e te quero.
Quem me dera…
Quem me dera acreditar em quimeras… sonhos, fantasias, ilusões…
Que bem fazem ao meu coração.
Quem me dera… quem me dera.
Daria tudo por um minuto contigo hoje.
‘Tua voz de outono modulada e rouca’
a me deixar louca.
Quem me dera acreditar na esperança...
Aquela que tem toda criança.
Foi-se... foi-se bordear outras paisagens...
Passou por mim...
esperança é coisa que só por mim
passou de passagem.
Esperança.
Deixou em mim nublada imagem
mansamente a se apagar...
fumaça desgarrada
a se desfumaçar.
Não encontro mais o que via
Passa dia... passa dia... passa noite... passa dia.
Ah... tu me fazes uma falta infinita de luz e paz.
(Des)esperança
Esperança vadia.
Riu de mim.
Fez pouco caso dos meus sonhos…
Entregou-me um futuro tristonho.
Esperança… quanta zombaria…
Zombou de mim…
quebrou em pedaços todos os meus planos…
provou que o que eu sentia eram apenas enganos.
Esperança foi esperançar em outro lugar…
Esperança foi rondar outra paisagem…
Deixou-se aqui com uma imagen borrada…
Do que prometeu… nada fez… fez nada.
Tão triste
O caos dos sentidos
… ao longe
não sei onde
não sei…
mas sinto
tua ausência… o vento geme.
Faz tempo já… foste embora.
Tua imagem…
Fumaça desgarrada
Escurecendo a manhã acinzentada.
Deixou-me somente uma imagem
Deixou tão claro que por mim… estavas só de passagem.
Partiste.
Trêmula… desesperançada…
Não te espero mais, nem espero nada.
Tua imagem deixa-me tão triste.
Sinto o caos dos sentidos… completamente sem sentido.
Caos dos sentidos… desordem, revolta…
Assim está tudo à minha volta.
No princípio era o caos?
Sim… era um caos invisível, insensível, desativa..
Agora?
Sinto todo o caos na ponta dos dedos… sem segredos… tudo tão visível… uma qualidade totalmente negativa.
É noite... noite fria.
Não há estrela guia.
Não se distingue nada.
Os ruídos da noite tomam uma sonoridade rouca.
Não há forças.
Coração tenta ser perseverante.
Mas suas tentativas não são o bastante.
Escolhas do passado
Seguiram o rumo errado.
Desejo que não me apontem direções censuráveis.
Que me deem escolhas certas.
Que me cerquem de caminhos planos... de estradas trafegáveis.
Que eu atinja – nem que seja uma pequena parte – de todos os meus planos.
Mesmo que eu cante triste.
Mesmo que às minhas mãos imponham limites de só um dia...
Sempre é mais um dia.
Mais uma chance.
Mais uma porta.
Mais uma via... mesmo que torta... que eu possa endireitar.
Vivo a esperançar.
É frio.
Na noite as trevas são pura escuridão.
Triste bate meu coração.
Meu corpo treme.
Meu canto é triste.
A solidão insiste.
O vento geme.
É frio.
A noite brilha com o brilho das estrelas e do luar.
Meu corpo se aconchega no teu.
Tuas mãos a me acariciar.
Uma sinfonia nossa sintonia… o melhor som no ar a espalhar.
Tua companhia tudo encanta.
O vento canta.
Abstinência
Há um vazio de mim mesmo
Rondando por aqui…
Algo que eu não costumava sentir.
Acabaram-se as prioridades.
Tanto faz igualdade ou desigualdade.
Um buraco no meio peito.
De esponja sou feito.
Não sei se falta em mim
O que sobra em você.
Dói em mim algo que não tenho…
Como é possível?
O coração dispara se penso em você.
Falta-me o ar se penso em você.
O que falta em mim…
Você pode devolver pra mim?
A tranquilidade do meu coração.
E mais… ele completo, por favor,
e… ainda, deixe-me sempre com ar por perto.
Essa abstinência de você está me matando.
Essa abstinência de mim, me dilacerando.
Essa dor fantasma está me consumindo.
Sinto-me sumindo… o coração… a mão… o braço…
De pouco em pouco… vou-me despedaçando em mil pedaços.
Uma prece
Que pensamento me convém?
São mil os que à minha mente vêm.
Tão distante… muito além.
Chora de saudades alguém.
Voa nas asas do vento.
Um instante de contentamento.
Encontrar de novo esse amor
Vida, dê-lhe isso, por favor.
Eu aqui sozinha.
Por esse amor faço minha prece.
Ó Deus, seja misericordioso, seja bondoso: de tão grande amor não esquece.
Esta prece me convém?
Implorar pra ficar com meu alguém…
? ? ?
Vida louca
Vida.
Vida louca.
Loucura que não é pouca.
Areia movediça.
Sombra mortiça.
Picadeiro, vejo a lágrima caída.
Não, não me ensinaram a saída.
Como um palhaço, pinto a cara
faço um traço… me equilibro…
estou morto… estou vivo.
Não há escolhas.
Passado arrastado
no presente sempre presente.
Malabarista. Hábil equilibrista.
Pago pela boa vida… e pago a vista.
Foi
Foi
Só um vento…
Só uma chuva
Só um verão
Só um tempo
Só um raio
Só uma flor
Só um momento
Só uma tempestade
Só um pássaro
Só um tormento
Foi
uma história
que ninguém viveu e que ninguém contou…
foi…
e passou.
Chuva que passa e não para
Em meio à correria
O tempo não se detém não
Passa depressa
Chuva que cai e passa, não para não.
Plante a flor, mulher.
Regue-a com amor.
Quando a primeira nascer
Pro meu amor vou oferecer.
As gotas de chuva
Escorrem pela janela.
Sabe mais ela de mim
Do que eu dela.
A chuva escorre e passa por mim…
Me faz de sua tela
Pinta um jasmim.
Me envolve
Me dissolve
E me leva embora.
Suplico, oh! Chuva!
Devolve a minha paz, minha vontade de viver…
agora.
O limite de um dia
Mesmo forças não mais havendo.
Mesmo todos os planos se despedaçando.
Mesmo as escolhas do passado a oposta direção apontando.
Mesmo as águas do presente tudo embora levando.
Mesmo que o canto seja triste
Mesmo que nas mãos só um dia só seja o meu limite...
Só por hoje terei esperança.
Viverei como uma eterna criança.
Escrevi, li, apaguei...
Procurei respostas, porquê?
Achei o que não queria, li o que me magoaria, tive paz.
Não temos o controle de nada, engana-se quem acha que o controle é seu.
O que temos é a ilusão de acharmos que temos alguma coisa, pois aqui chegamos e vamos sem demora.
Hoje vejo que a liberdade não tem preço, ir e vir a qualquer hora, a qualquer lugar.
Mochila nas costas e espírito livre, meu presente a mim.
Minhas mãos dadas, respiração lenta e coração leve.
Legado pra vida, seja aqui ou lá.
A gente sente quando já não é nosso lugar, e se não for agora passará da hora, e o trem irá embora.
Perde-se o direito de revolta, depois que se vai.
Acostume-se a não ter satisfação, a não ter notícias ou ouvir a voz.
As gargalhadas que outrora haviam, com chocolate derretido pelo rosto não será mais possível.
Nem os bolos no fim de tarde ou lanchinhos na madrugada.
Agora somos eu e meu caminho.
Acostume-se a não falar até altas horas, até que o sono venha ou que esteja tranquilo o coração.
De acordar sem bom dia e dormir sem boa noite.
Acostume-se com a cama gelada e os pés frios.
Acostume-se com o silêncio na multidão barulhenta.
A sentir-se só mesmo acompanhado, a estar triste mesmo sorrindo.
Acostume... Essa é sua jornada até a luz, você fez o que podia e enquanto pode.
Você tentou por anos... Quiz mais que tudo que desse certo, mas deu até certo momento.
Agora nada mais tem a fazer a não ser acostumar-se com a partida, com o caminho que escolheu.
Uma corrida contra o tempo, para se ter mais tempo.
Precisamos de tempo para realizar o que ainda não foi feito e falar ainda o que não foi dito.
Me dá um tempo...
Tempo de me encontrar, de viver, de amar e correr.
Preciso de mais tempo, mas o relógio não pára, as horas avançam e eu travo sem saber se elo que eu queria fazer era o que eu deveria fazer ou se deveria mudar o rumo do meu tempo.
Quem acha que me conhece diz que estou sempre com a mochila nas costas, mas não sabe de verdade o caos de errar de novo e de novo.
Eu nunca quero ir embora, mas o receio de estar fazendo errado me impulsiona a correr, e às vezes nem sei do que estou correndo, só sinto que preciso me proteger, me bloquear e me armar.
E agora, o que faço se não tiver mais tempo???
Tantas fotos, tantas situações felizes. Tudo tão rápido. Tudo que vai ficar guardado em fotos e na memória de quem participou... pq quem ver muitas das vezes acham bonitinho ou exibicionismo. Só aqueles com almas boas serão capazes de sentir a alegria dos outros e desejar que sejam mais felizes, sem querer julgar... ah e também escolher quem tem algo para oferecer... Mas a moda hoje em dia e julgar. Olha como está fulana, melhorou bem né... você viu ciclana ainda não morreu... Como disse bem num vídeo que assistir hoje falando de um senhor de 42anos que morreu numa enchente por não querer largar a bicicleta. Só digo algo largue, largue tudo, mesmo que no momento você só tenha aquilo... talvez a bicicleta era seu único bem no momento... DEUS o tenha. Nem tudo que achamos ser o melhor, será o melhor... Seja feliz e olhe para sua vida, coisa feia vigiar, querer ter ou querer a desgraça alheia. Beijos de luz. Sigo até onde aguentar, quando não aguentar DEUS me carrega mesmo sendo essa estranha pecadora.😉😘 29/07/2019
