Raniere Gonçalves
Montanhas, saliências...
viscosidades suas que me faltam.
Desprotegido sigo,
noite adentro.
Um morcego sem radar,
nem sono.
Acho que vou tomar um
drink no inferno.
Melhor: num inferninho
dessa beirada da cidade.
Carqueja ou jurubeba?
Haverá de ser algo bem forte,
amargo.
Para dar um pouco de consistência
a essa vidinha rala
e adocicada desses dias.
Caçapas e bolas.
Sigo rumo à sinuca vespertina
do Taco D'ouro.
Vidas em jogo.
Cagibrinas carquejantes.
Noivas frias, ...
Transpor pensamentos alheios
sem citar a fonte
é arriscar-se a nunca
ter os seus próprios
identificados pelos amigos.
Panela aberta: franguinho!
Família rodeia a mesa,
ror.
Algaravia de aromas
e sons.
A felicidade simples envolve
a casa.
Mas que não seja um - déjà vu -,
algum repeteco do filme - de volta para o passado - ... Infernos antigos sempre voltam piores.
Vdk vdk 1/2 rdb.
Vdk 1/2 rdb.
Agora já vou eu,
lá vou eu:
Kzz.
E depois...
Ventos doces
entre os áureos dedos
da aurora.
Que chap chap.
Sonei simplesmente, no intermezzo.
Um pisca-e-acorda veicular.
Fatias de tempo me escaparam.
Provolônia.
Sinto uma fundura.
É como se eu estivesse
no lugar errado.
Um novilho desgarrado da manada.
Perdido nesses campos gerais.
Sababado!
Um Oásis com muita água.
Porres e barro.
Nem nada me tirará o intento de prazer,
de alegrias.
Sabalada!
Vdk,
msk...
Musli da tarde, coalhada e mel.
A mastigadas sonoras
vou chegando ao fim do bol.
Ares andinos povoam meus pensamentos.
Ver as tragadas absurdas de "P"
me deixou mole de desejos.
Pena: aquele tempo de dragão
chamuscou todas as minhas vontades.
Lembranças de chaminés, de sorrisos.
Tépido, tíbio, úmido.
Esse final de dia cozinhou minhas carnes
e meu cérebro gris.
Vou armar minha rede
na Sibéria.
O povo seguimos recebendo boquiabertos
as notícias de corrupção
em todos os níveis
que nos chegam pela mídia.
Cônscios e Inertes: sorrimos.
Barretos: antes bois comiam cana.
Agora a cana engoliu os bois.
A associação é inevitável: serei eu
abduzido pela cachaça?
Na floresta duas alcateias disputam território.
A dos lobos saciados
e a dos lobos famintos.
Enquanto isso nós símios nas árvores
seguimos a grunhir
mastigando insípidas
bananas terra.
Abomino pessoas ignóbeis,
desonestas,
sem ética,
arrogantes.
Sobretudo quando se escondem
por detrás de um roupante
de superioridade.
No caminho devemos exercitar
a paciência, a humildade e a simplicidade.
A verdadeira sabedoria está no desapego,
no espaço entre as letras.
Na beirada de Barretos bebendo cervejas caras.
Espora sem bota, destino sem freio.
Lembrando tempos de lençóis mais limpos.
4 Févr, 12
Mais ou menos.
É... Parece que foi mesmo uma pá de cal.
Acho que toda aquela magia entre a gente acabou
pra sempre.
Daquela última vez que você esteve por aqui
eu já tinha sentido um gostinho assim
de café requentado,
ou de vulcão extinto,
ou de cumplicidade abalada.
Não sei. Parece que você mudou comigo.
Ou talvez você tenha mudado pra mim.
Não me sinto mais tão seu
como antigamente.
Isso tudo que escrevo não tem nada de triste.
É assim mesmo: os caminhos se cruzam
e depois se separam.
Meu coração agora está melancólico
e vazio.
Sinto que será difícil encontrar um outro alguém como você
que é assim tão parecida comigo,
assim tão importante pra mim.
Mas a vida segue e talvez ela nos seja generosa
de novo.
Porque você é uma figura especial.
Apareça quando você quiser.
Me experimente,
me tente quando você tiver vontade.
Mas acho que nada será mais como antes.
Nós, agora, somos outros.
