Oaj Oluap

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⁠A proclamação de uma única verdade em público é suficiente para desencadear uma reação em cadeia de comportamentos narcisistas, que, ao negarem a fragilidade de seus egos, movem-se em conjunto para silenciar a voz dissidente. Essa dinâmica é um exemplo clássico da doxa aristotélica, na qual a opinião comum é utilizada para reforçar a própria autoimagem. Além disso, a tendência dos narcisistas em cometer atos antiéticos e criminosos para refutar a afirmação de que são antiéticos é um exemplo da vontade de poder nietzschiana, na qual o indivíduo busca afirmar sua própria superioridade moral a qualquer custo, e do fenômeno de dissonância cognitiva no qual vivem.

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⁠Nessa sociedade há dois papéis: o de opressor e o de oprimido. Quando você se recusa a assumir o papel de opressor, assume-se que você aceitou o papel de oprimido.

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Aquele que é extremamente habilidoso e consegue ocultar quase cem por cento de suas habilidades é tão perigoso e eficaz quanto habilidoso.

O excepcional que oculta suas habilidades e potencialidades com maestria é, verdadeiramente, um gênio.

⁠O brasileiro teme a excelência e dela foge ao negá-la, como um viciado que bebe todos os dias e afirma que a qualquer momento pode parar.

O homem ama, em sua mediocridade e ressentimento, "derrubar" heróis. Os motivos são: a necessidade de um vilão para se sentir forte e justificar suas próprias crenças, ao mesmo tempo que, paradoxalmente, afirma-se "inconscientemente" como o herói (um bom homem) que derrotou ou lutou contra o vilão, e a emoção da "competição", manifestada na cultura do cancelamento.

O Mestrado ou Doutorado em Ensino de Ciências e Matemática ou em Ensino de Ciências objetiva levar o discente a aprender a ensinar o que se sabe para saber melhor ou a ensinar o que outrora não se sabia, pois aquele que aprende a ensinar, aprende a aprender. [...] Somente aquilo que é claro para mim pode tornar-se claro para o outro.

Muda o objetivo, muda o objeto de investigação, muda o público, o ambiente, e muitos pesquisadores ainda insistem em crer que é a mesma epistemologia. [...] Ensinar não é só falar; não é uma palestra de congresso e os alunos não são plateia de especialistas.

A violência simbólica na academia é sutil: vai da simples nomeação pela figura de autoridade até o consenso imediato e óbvio de que você é apenas um técnico subalterno, auxiliar, nunca um pesquisador à altura ou de potencial equivalente. [...] Quem te intitula ferramenta, no mínimo, admite e treme ante o vislumbre da obra.

No silêncio encontro a serenidade. Na serenidade, a certeza. Na certeza, repouso.

Na academia comumente julga-se disperso aquele que não repete vocábulos nos seus trabalhos. Confunde-se, pois, coesão temática com redundância terminológica, o que oblitera a articulação conceitual entre os objetos de investigação.

O tradicional faz lista de exercícios de eletromagnetismo, eu faço jogo digital e discussão físico-matemática.


O tradicional decora os postulados da Mecânica Quântica, eu provo Bell e apresento a Teoria Quântica de Campos com C*-Álgebras e Teoria das Categorias.


O tradicional tem doutorado em Física e repete aula de 1990, eu terei artigo A1 em Física, monografia sobre Mecânica Quântica e algoritmo de Shor, e ensinarei estatística e lógica com Bell e Python.

A Física pela Física não me comporta. Minha pesquisa transita entre mundos. [...] A admiração que nutro pelos físicos tradicionais é análoga àquela que se sente diante de uma imponente estátua de mármore de dois metros. Reconheço o labor: foi extremamente trabalhoso, exigiu força e obstinação. Contudo, há pouca criatividade em seu feito. É um trabalho procedural, extenuante e de baixa exigência cognitiva. E o produto, por conseguinte, é pesadíssimo, de baixíssima mobilidade, monocromático e de parcos detalhes — sobretudo se considerarmos que a matéria-prima não é lá muito primorosa. Afinal, é apenas pedra. Bela para se contemplar no museu, inconveniente para se levar para casa.

Se titubeaste ante a imensidão do meu ser, projetando no meu suposto eu razões, ações e competências inexistentes ou inverossimilmente interpretadas, não há com o que sobrecarregar minha consciência, pois o problema consome e existe apenas em tua simplória consciência. Vede que as minhas obras entregam diversas e aparentemente distintas dimensões; é justamente nesse "aparente", portanto, que subjaz a profundidade de cada uma das dimensões do caleidoscópio do meu ser, porquanto jazem integradas.

Sabe por que o bolsonarismo é fascinante? Porque foi o movimento que, de forma mais eficaz no Brasil recente, olhou para uma grande massa de pessoas ressentidas e que se sentiam fracassadas e lhes trouxe a doce promessa ilusória de um paraíso na terra, ao mesmo tempo em que apontou seus inimigos — aqueles a quem deveriam culpar por tudo que sua constituição moral e intelectual não conseguia processar. De outra forma, o bolsonarismo consolidou uma forma de certeza desconcertante, que prescinde de consistência interna. Nela, basta opinar a partir de um sistema de crenças compartilhado que não exige relação lógica correta nem respaldo no real, nos dados. Por fim, e talvez esse seja seu traço mais duradouro, o bolsonarismo criou o medíocre aristocrata: aquele que, em sua doce harmonia de ilusões, julga-se moral e intelectualmente superior apenas por ter se tornado adepto a um sistema de crenças e narrativas sem sentido.