Northon Salomao
Instituições inteligentes não procuram prever todas as mudanças; procuram desenvolver capacidade para enfrentá-las.
Onde todas as instituições pensam da mesma maneira, diminui a variedade necessária para enfrentar mudanças imprevisíveis.
Uma sociedade que elimina todas as diferenças intelectuais reduz também seu repertório de respostas.
Mas nenhuma sociedade sobrevive apenas pela competição; sistemas complexos também dependem de cooperação.
Direitos fundamentais existem, em parte, para impedir que a competição social destrua aqueles que possuem menos poder.
O mercado seleciona comportamentos econômicos; o Direito estabelece limites para que essa seleção não destrua a dignidade.
A eficiência econômica não é critério suficiente para definir aquilo que uma sociedade deve considerar justo.
O Direito funciona também como mecanismo de correção das consequências socialmente intoleráveis da competição.
A seleção natural não é um modelo moral; transformar sobrevivência em justiça seria confundir descrição com prescrição.
O mais forte pode sobreviver biologicamente; juridicamente, não deve possuir o direito de dominar simplesmente por ser mais forte.
O Estado de Direito substitui parte da seleção pela força por uma seleção institucional baseada em regras.
A justiça social pode ser compreendida como uma tentativa deliberada de impedir que vulnerabilidade se transforme em condenação permanente.
Uma sociedade civilizada cria instituições precisamente porque a sobrevivência individual não pode ser o único princípio de organização coletiva.
A evolução biológica não possui finalidade moral; a evolução jurídica, ao contrário, envolve escolhas humanas sobre os fins que desejamos alcançar.
