Monja Coen
A mente vazia é aberta e flexível. Chora e ri. Pensa e não pensa. Não precisa ser esvaziada – já é vazia. Sendo vazia é clara e iluminada, em constante atividade e transformação. Apenas escolha com o que alimentá-la. Você mesmo é o programa e o programador, o computador e seus acessórios. Cuide-se bem.
Cada vez que um de nós se torna um ser iluminado, toda a humanidade caminha um passo em direção a iluminação.
Resiliência é aquela capacidade de não desisto do meu propósito. A vida é cheia de obstáculos, de dificuldades e a grande bênção é que a gente não desiste dela. Eu não preciso lutar com o outro, eu não preciso matar o outro. Eu preciso encontrar o caminho de chegar até lá. Que salto eu tenho que dar?
Nós somos feitos de tudo que existe no universo. Se não cuidarmos de tudo, não estamos cuidando de nós. Quando nós nos engajamos em ações sociais, de cuidar daqueles que precisam sem a intenção de estar sendo bonzinho, mas percebendo que o outro sou eu, que todos os outros que nós encontramos são aspectos de mim mesmo, é que a minha doação é livre e solta de intenções. Ela se torna uma ação efetiva de transformação.
Nossa capacidade de compreender a realidade, de observar em profundidade fica comprometida se não nos questionarmos.
Meu mestre de transmissão, ou seja, aquele que confirmou meus votos monásticos definitivos e me reconheceu apta a ensinar, o reverendo Yogo Suigan Roshi, certa ocasião, me recomendou: “Antes de falar, passe a língua três vezes por toda sua boca e reflita: ‘O que vou falar é verdade? Irá beneficiar a quem me ouve? Será capaz de beneficiar a todos os seres e levá-los à verdade?’ Se as três respostas forem assertivas, fale. Caso contrário, se cale”.
Você é capaz de amar incondicionalmente o desconhecido? E o conhecido? Pergunte-se, questione-se, aprofunde-se na percepção da realidade múltipla. Não se limite a repetir frases feitas.
Não é interessante? Em vez de medirmos uma sociedade segundo critérios econômicos, podemos avaliá-la pelos valores de satisfação, alegria, bem-estar, saúde fisica, mental e social. Pelo seu índice de felicidade.
Ser zen não é ficar numa boa o tempo todo, de papo para o ar, achando tudo lindo sem fazer nada. Ser zen é ser ativo. É estar forte e decidido. É caminhar com leveza, mas com certeza. É auxiliar a quem precisa, no que precisa e não no que se idealiza.
Não acreditamos que existam causas pelas quais valha a pena matar ou morrer. Acreditamos que vale a pena viver. Viver por aquilo que acreditamos.
Chega de reclamar. Se há espaço reservado ao fracasso, há outro aberto ao sucesso.
Abra o coração. Ajude os outros.
Confie, pois é amando que se é amado.
Caos é singular. Só há um caos, e somos também o caos, a entropia e a maravilha de ser sem ser.
A vida é um eterno procurar, pesquisar, encontrar, perder, remeter e avançar.
Envelhecer não é apenas tempo de se lamentar, de relembrar, mas também de criar causas e condições para atingir o que ainda não foi atingido, individual e coletivamente.
Não faça o mal e não faça malfeito. Faça o bem, e a todos os seres, incluindo tudo e todos em suas ações, palavras e pensamentos.
Estamos sempre nos despedindo de nós mesmos. Sem medo e sem pressa. Apenas indo. Chegamos e continuamos a ir.
Já não sou quem fui há um instante. Li um livro, ouvi um pensamento diferente dos meus e morri para quem eu era. Renasci para um novo eu, que também não dura mais do que alguns milionésimos de segundo. Logo já sou outra, e nunca a mesma.
É hora de despertar. Já não estamos mais no casulo que foi tão importante para nos gestar. Podemos abrir as asas e voar, livres e interdependentes, sendo o ar e a vida.
Podemos fazer de nossa vida uma semente de ternura, de inclusão, de cuidado e sabedoria, de compaixão e gratidão, e não de maldade, do fel amargo da inveja, do rancor, do ódio e terror.
Há tantas possibilidades de ser feliz.
Há tantos instantes de bem-estar: encontrar uma rua, uma pessoa, descobrir ensinamentos, conhecer a si mesmo.
Talvez este último seja o verdadeiro estado de satisfação, esta a maior alegria – o autoconhecimento.
Cada vez que percebemos nossos descuidos, erros, faltas, não podemos voltar e apagar o que aconteceu.
Mas podemos nos comprometer a não repetir o erro.
