Teu perfume Deixa-me sentir o teu cheiro... Mannu Viana Rios
Teu perfume
Deixa-me sentir o teu cheiro outra vez,
esse mistério que o vento jamais traduz.
Fragrância sem nome aos olhos do mundo,
mas que em minha alma acendeu sua luz.
Foi Maresia o nome que lhe dei,
não por nascer das ondas ou do mar,
mas porque só quem ama em silêncio
consegue um perfume assim decifrar.
Meu doce sabor Maresia...
guarda estas palavras com devoção.
Decora-as na memória da alma,
faz delas abrigo do coração.
Há perfumes que não vivem em frascos,
nem se deixam ao mundo mostrar.
São segredos bordados no tempo,
que apenas duas almas conseguem guardar.
Que ninguém descubra esse mistério,
que ninguém o consiga explicar.
Pois esse cheiro pertence à noite
em que aprendi contigo a descansar.
Numa noite bordada de estrelas,
com a lua vestida de luar,
foi no abrigo manso do teu peito
que encontrei meu lugar.
Ali o tempo perdeu o compasso,
o silêncio aprendeu a cantar;
e até o vento, em passo tão manso,
parou apenas para nos escutar.
Desde então, quando a brisa me encontra,
traz contigo um doce despertar.
O mundo acredita que é maresia...
eu apenas volto a te lembrar.
Se algum dia perguntarem
por que sorrio ao sentir o vento passar,
direi apenas que gosto do mar,
sem jamais a verdade revelar.
Pois nem toda brisa vem do oceano,
nem todo encanto se pode explicar.
Há perfumes que desafiam os anos
e recusam-se ao tempo entregar.
Se o mar perguntar por esse aroma,
o vento fingirá não escutar.
Há segredos que nem a lua pronuncia,
nem as estrelas ousam revelar.
E, enquanto o mundo chamar
de maresia o perfume do mar,
eu guardarei, em silêncio, o segredo
que a vida me ensinou a guardar.
Porque esse cheiro não pertence ao mundo,
nem ao tempo, nem ao próprio mar.
Pertence ao instante em que tua alma
escolheu a minha como lugar.
E, quando o vento voltar em segredo
e a lua tornar a nos iluminar,
saberei, sem que uma palavra seja dita,
que o teu perfume ainda sabe
o caminho para me encontrar.
