A Coragem de Sentir Em que momento... Mannu Viana Rios

A Coragem de Sentir


Em que momento sentir virou exagero?


Em que esquina da vida decidiram
que um coração aberto
vale menos
do que um coração fechado?


Quando foi
que um olhar vazio
se tornou mais admirado
do que um sentimento sincero?


Vivemos tempos estranhos.


Chamaram de "emocionado"
quem nunca teve medo de demonstrar afeto.
Como se esconder fosse sinônimo de força,
e sentir fosse um defeito.


Vestiram a frieza com roupas de maturidade,
transformaram a indiferença em mistério,
e fizeram do orgulho
uma qualidade digna de aplausos.


Mas ninguém conta
que muralhas também aprisionam
quem as construiu.


A frieza impressiona por um instante,
mas nunca aquece.
O orgulho vence discussões,
mas quase sempre perde pessoas.
E a indiferença pode proteger um coração,
mas também o impede de viver.


Eu não quero aprender
a fingir que não sinto.


Não quero medir palavras,
calcular demonstrações
ou transformar carinho em estratégia.


Quero continuar acreditando
na beleza de um abraço sem pressa,
de um "cuida de você",
de um "senti sua falta"
dito sem vergonha,
sem orgulho,
sem medo.


Porque bonito mesmo
é quem não economiza verdade.


Quem ama sem precisar fingir.
Quem abraça sem medir.
Quem sorri sem calcular.
Quem permanece,
mesmo sabendo
que sentir também é correr o risco de se machucar.


Se isso faz de mim
uma pessoa emocionada,
que seja.


Prefiro carregar no peito
a coragem de sentir,
do que vestir uma armadura
para parecer forte.


Porque pior do que sofrer por sentir demais
é passar a vida inteira
sentindo de menos.


No fim,
o mundo pode até aplaudir
os corações de gelo.


Mas são os corações que ainda têm coragem de amar,
de chorar,
de recomeçar,
de permanecer
e de dizer exatamente o que sentem,
que lembram ao mundo
que viver nunca foi sobre parecer invencível.


Sempre foi
sobre ter coragem
de continuar sentindo,
mesmo depois de todas as decepções.


Porque, no fim,
não é a frieza que nos torna inesquecíveis.


É a coragem
de sermos inteiros.