Magaiver Welington
Ela tem cheiro de praia
Ele queria verão o ano inteiro
Ela adora lhe provocar
Ele entra no jogo pra não sair do roteiro
“Tem sempre uma guerra acontecendo dentro da gente.
Tem sempre uma boca a espera de um coração demente.
Tem sempre um bar para uma vítima de um amor não correspondido.
Tem sempre um poema aguardando para ser escrito.
Tem sempre um amante apaixonado pela lua.
Tem sempre um desejo por baixo da carne crua.”
Ó Vênus Negra
Da tua pele morena e de teus traços
Emerge-se uma beleza surreal
Que sobre sai e rouba a cena
Em cada um de teus movimentos
Uma melodia preste a eclodir
Transcende e me salta aos olhos
Teu corpo, baluarte onde residem todos os vinhos sagrados
És náiade do meus sonhos
Ó Vênus, beija cada um de meus poros
Embriaga-me com cada um de teus venenos
Lá eu me perco
Dentro do teu amar
Mar de dentro
Imenso mar
Deslizo sem medo
Profundo mundo
No encaixe segredo
Devora tudo
Paixão de bar
Olhar arremedo
Tempo pouco
Pra boca tanta
Corpo solto
Nó na garganta
Que até faz vertiginar
Quase me perdi naquele decote.
Ela levantou o vestido
e partiu para cima de mim
numa luta de vida ou morte.
A puxei pela cintura
beijei seu pescoço e a nuca
mas ela foi mais forte.
"Maldito" abraço de pernas,
"maldito" golpe de sorte.
Tantos amores
e histórias vazias
Tantos corpos e nomes
que já não sei se é noite ou dia
Minha cabeça sendo esmagada
no meio de suas pernas
enquanto minha língua
desliza e se embriaga
na melhor das tabernas
Gente que sorri com os olhos
Gente que parece uma estrela
Gente com alma de artista
Gente que transpira poesia
Gente que parece ser feita de música
Gente que espalha cores pela cidade
Gente que exala beleza por onde passa
Gente que é da noite
Gente que ama a lua...
...nunca vi tanta gente em uma só pessoa
Demônios interiores
Caçadores de sonhos
Finas é a fenda
Que se abre e se fecha
Como um eterno dilema
De um sátiro e sua flecha
Esperta foi a menina
que se disfarçou de estrela
pra que com sorte
pudesse se tornar noite
nas mãos de van Gogh
Ela pôs uma das pernas sobre ele
enquanto o puxava pela gola da camisa
O fez beijar cada um dos poros de suas coxas
A língua dele percorria o corpo dela sem aviso,
de longe ouviam-se os gemidos,
Num golpe rápido e certeiro ela o jogou no chão,
trancafiou a cabeça dele entre suas pernas
até que ele consegui-se decorar cada sabor do seu líbido...
...perde-se o folego, o juízo...ganha-se o paraíso.
Praia
drinks no bar
Ela só de mini saia
e aquele jeito de dançar
Pés na areia e a cabeça na lua
e eu procurando um jeito de me aproximar.
Da sua mesa, do seu corpo, do seu mundo
"A poesia é uma puta.Trepa a noite toda com almas diversas, mas não está a venda.Trepa porque gosta.E quando goza, não há quem não se renda."
Eu escalo as paredes da madrugada
Preso a uma teia eu espero a brecha
O deslize da servente,
O descuido do teu anjo da guarda
Eu espero ser esquecido dentro do bar
Com o cigarro já no filtro
Queimando os dedos
E as putas rejeitadas
A procura de carinhos sinceros
Eu adormeço cada noite
Em um par de coxas diferentes
E em cada uma delas
Um conto, um divã me entende
Gainsbourg, Gainsbourg
Absinto para as alma pobres
E flores do mal para as mais belas
Gosto de dia que parece noite
noite que parece festa
festa ao qual sou penetra
Gosto do estrago
trago rosas
trago boas novas
trago cigarros baratos
trago vida
trago, trago...
trago poesia.
