Lucas
O que vocês chamam de Deus , eu chamo de bem , algo que não precisa ser adorado e nem venerado , mas apenas praticado
Não faz sentido querer dar tudo que recebeu, nem querer de volta tudo aquilo que deu. A vida é uma balança naturalmente desregulada e tentar apertar seus parafusos é o caminho mais curto à insanidade
À beira de um abismo chamado "Pra sempre", nos encaravamos. A tensão fazia os cantos dos lábios tremerem, como que querendo sorrir timidamente, causava também aquela já conhecida falta de força nas pernas, a secura na garganta. Não sabiamos qual dos dois se estraçalharia no chão primeiro. Nem se algum de nós aprenderia a voar. Mas algo fazia nossos dois corpos quererem estar juntos inconscientemente, talvez pelo universo que se criava entre nossos estômagos toda vez que eles se encostavam.
E esse passo, um único passo, de um em direção ao outro, foi inevitável. Um mergulho no vazio. A queda era tão rápida que aquele doce e intenso vento batendo forte contra o nossos cabelos, contra nosso rosto, colocaria forçadamente um sorriso estampado nos lábios mais desolados. Mas no nosso caso não foi preciso. E enquanto nos olhavamos mutuamente, eu me perguntava qual dos nossos sorrisos deu vida ao outro.
E durante a nossa queda, era impossível não se questionar quão louco é esse lugar chamado "pra sempre". Um lugar inabitável. Não é um horizonte alcançável que possa ser avistado quando se ergue a cabeça, ou um destino no fundo de um precipício. Muito menos um momento já vivido, guardado ou esquecido.
Se me perguntassem agora, o que é o "pra sempre", se é um lugar, um percurso, ou uma utopia, eu não saberia. Mas acredito que está mais próximo de ser o modo como você sorri livre e gostosamente, não se importando onde esse abismo vai terminar. E sem qualquer ajuda daquele vento doce e intenso que colocaria um sorriso arreganhado no mais sisudo dos rostos.
Eu não sei exatamente o quanto de mim
têm no meu caminhar,
no modo como balanço as mãos enquanto falo
ou no jeito como me espreguiço.
Também não sei se aquela sua mania besta
de estalar os dedos, ou de morder os lábios
quando está impaciente, ou até mesmo
de olhar pro céu quando não sabe o que dizer,
foram roubadas inconscientemente de mim
ou se é algo proposital.
O fato é que, enquanto mergulhávamos
em um suor que jamais saberemos dizer
se era meu ou seu,
você me arranhava as costas e nem notava
que um pouco de mim se escondia
embaixo da suas unhas
E em cada beijo apaixonado,
em que eu sugava o ar dos seus pulmões,
acabava por trazer um pouco de você
também pra dentro de mim.
Me matar seria ao mesmo tempo
cometer um suicídio.
Porque um pouco de mim é você,
e um pouco de você sou eu.
O mau (com u) amante
Hoje acordei como sempre
meio desgostoso da vida
com passarinhos cantando na janela
uma melodia encardida
E me lembrei que eu não gosto de música,
nem de poesia, nem de rima...
que se danem!
Mas pra você, e só pra você,
eu já fiz uma serenata
Tão desafinada, engasgada, sem graça
E no caminho pra sua casa
apressado pela vontade de te ver
passei por um mendigo,
tinha um rosto tão cansado
uma aparência tão suja
e veio logo me pedindo :
Ei, me dá um trocado? é pra comer...
Tenho e não dou, vai caçar o que fazer!
E no ônibus aconteceu de novo,
eu já estava sentado naquelas cadeiras azuis
com a cabeça encostada no vidro
lembrando do seu sorriso
e entrou uma velha,
arrastando aquelas suas pernas preguiçosas
já doida pra sentar
me virei e ronquei, até babei
Pouco antes de chegar à sua casa
e te perguntar "Tá tudo bem?"
e te ver respondendo, movendo seu lábios
bem devagarinho, concluí...
Que eu sou tão mau, indigno e
inescrupuloso quanto um sapato velho
daqueles jogados no fundo da sapateira,
ou pior ainda, daqueles pendurados nos fios
que já valiam menos do que uma pipa
velha e rasgada
Mas também, que eu te amo indiscutivelmente
e que, no fim das contas, isso acaba sendo
a minha única qualidade
"Nossas vivências sempre nós levam a crer que não existe amor, mas quando é verdadeiro não trocamos por nada deste mundo."
"Flor, tanto tempo te procurei e nesse emaranhado de espinhos te achei, com tanto sacrifício pra te conquistar, fui aos poucos te vendo desabrochar, e com tudo no fim te vê partir sem mim é uma dor que sei que jamais terá fim..."
"Desilusão: palavra complexa que nos move e que nos dá noção, que aquela dor no coração não foi apenas em vão, complexo de inferioridade, catástrofe emocional, não sei se valia a pena, mas com certeza me fez mal."
"A palavra amor não se define em apenas encontrar a pessoa mais perfeita, aquela que você sonhou em um dia conhecer, encontre uma pessoa que acima de tudo seja real, que elogie suas façanhas, mas também que conheça seus piores erros, que aceite seus defeitos. O amor Nunca será perfeito, nunca será um conto de fadas. Lembre-se que de tanto buscar o príncipe encantado a Cinderela acabou beijando um sapo."
Talvez a sua vida até pudesse
ser mais fácil
mas se fosse mais fácil
não seria tão você
E se sua vida,
não fosse tão voce
por qual outra vida
eu me apaixonaria?
" Uma poesia é como uma colcha imaginária costurada com retalhos de emoção e paixão. Por isso continuem costurando, continuem se emocionando, continuem se apaixonando, pois eu devo minha à vocês. À cada torpedo enviado em um botequim, à cada bilhete colado na geladeira, à cada carta de amor escrita com as mãos trêmulas, um de nós nasce, e com certeza, mesmo que à passos calmos e despretensiosos, ainda dominaremos o mundo!" A poesia, por ela mesma
O jeito de visualizar as coisas é que as diferenciam. Um mar desconhecido pode ser visto como um lugar estranho ou um novo lugar a ser descoberto.
Você ainda não havia encontrado a si mesma e,
então, me encontrou.
Assim fazem todos os apaixonados,
por isso parece valer tão pouco o amor
Sonho eu pobre alma solitária, em um dia me encontrar, alguém como eu encontrar e sua companhia desfrutar.
Sonho eu alma que vaga, ter minha dívida com a vida paga, e por fim poder dizer, nasci, cresci, aprendi enfim vivi, e tudo valeu a pena alguém como eu nessa vida conheci.
Sonho eu ser comum, arrependimento algum comigo dessa vida levar, Quando pro sono eterno deitar, poder antes dizer, senhor Deus que estas no céu, obrigado por tão feliz vida me proporcionar, deixo em suas mãos meus troféus prometas para mim, de meus filhos cuidar, leve-me em paz, deito aqui agora em seus braços pra eternamente descansar.
Sonho eu ser amor, para aquela pessoa que Deus me preparou nunca decepcionar, ao seu lado viver, para ela todos os dias dizer, obrigado a por existir, e tanta felicidade me proporcionar, minha vida dedico a ti, eternamente vou te amar.
Queria eu ser um verso, começo meio e fim, sem oposto, simples, reverso inexistente, sonhar com o momento em que seria eu lido, por alguem que ama ao amado, não seria exagerado dizer, amo você, entre um verso e outro, ou um simples acorde num poema cantado, seria eu música para os seus ouvidos, versos de alento pro coração sofrido, deprimido, reprimido por não poder abraçar aquele que te faz sonhar todas as noites com um futuro, lado a lado, queria eu, ser o motivo do seu riso, do olhar brilhante, a respiração ofegante ao ver aquilo que estava conectado com você, mesmo que centenas de vezes de ti distante...
Firmamento adiante
Se pedires, coloco menos maquilhagem e mostro-te o meu rosto. Levo-te bem longe, onde a chuva cairá igualmente entre nós; se desejares, carrego-te ao colo pelo caminho e penduro estrelas para que possas caminhar na escuridão e, se precisares, há fendas nas rochas onde poderás chorar em privacidade.
Quando chegar a primavera e as flores estiverem em toda sua opulência, preparo-te um banho onde irás lavar-te de toda a dor e vergonha. No outono, varro o teu jardim para que possas deitar-te e ver todos os astros. No inverno, prometo-te a minha pele.
Prometo-te amor sem paixões e deslumbramentos, só amor e liberdade, sem desejo de pureza.
Se quiseres, livro-me de todos os ataques de silêncio rabugento e dos acessos de fúria epilética, concedo-te tudo e não desisto. Quando precisares, crio falsas desculpas para te confortar e apago em mim as reminiscências sentimentais do teu passado.
Se pedires, mostro-te as qualidades da dor, que te fazem ter consciência do que és.
Se quiseres, alimento-te de toda minha poesia.
Se desejares, mostro-te o meu planeta…
Maria clara gostava de nadar. Todo fim de semana, pelo menos nos que havia sol, colocava um top, uma saia rodada, sandália rasteira e ía ao clube. Por baixo seu biquíni florido. Gostava de deitar nas cadeiras de sol e ler seu livro, ouvindo seu disc-man enquanto simultaneamente observava as pessoas. Pra ser mais específico, as outras mulheres e o modo como agiam. Maria Clara sempre teve isso de dividir seu cérebro em vários pedacinhos. Prestava atenção em como se bronzeavam no sol durante horas lambuzando-se com protetores e, em alguns casos, até usavam com coca-cola com urucum, lembrou. Evitavam na maioria das vezes mergulhar pra nadar, e quando o faziam, era sempre aquele ritual: Primeiro as pontinhas dos pés, depois as canelas, um pouquinho de água no pescoço, um pouquinho mais nos braços e depois iam entrando bem devagarinho, sempre na parte rasa. E não passava disso, algumas caminhadas na ponta dos pés com pavor de molhar a espinha já eram o suficiente. Era um "quase-mergulho" cheio de postura. Se é que isso pode ser dito. Maria Clara não gostava assim, Não gostava dessa coisa de quase, ou mais ou menos. Mas as observava atentamente. E tinha seu ritual próprio: Tomava seu sol, ouvia seus cd's e quando a piscina estava próxima de fechar ia dar seu mergulho. Transbordava de vontade de tomar distância e dar um daqueles mergulhos bomba onde jogasse água pra tudo que é lado, exatamente como fazia antes. Mas lembrava-se sempre da vez em que, ao estatelar-se na água, todas as pessoas do clube a torceram o nariz. Diziam: O que essa menina tem? Além do mais havia também as vezes em que batia com a barriga ou as costas na água, deixando aquelas marcas vermelhas e doloridas. O clube também estava cheio e não poderia fazer isso de forma alguma. E então, mais uma vez cumpriu o ritual, começou com a pontinha dos pés, experimentou a água, pescoço, braços, entrou até a cintura, caminhadinha na ponta dos pés. Tão sem graça, no fundo sentia vontade de poder mergulhar como quisesse. Antigamente, era bonito de ver Maria Clara mergulhando. Corria e se jogava na piscina como uma bigorna. Estatelava-se na água, que respingava pra todo lado. Às vezes se machucava, e isso no fundo acabava sendo motivo de risada, porque o que realmente gostava era da sensação de se jogar, daqueles poucos milésimos no vazio. Nem se importava se os braços daquela piscina seriam os melhores para a segurar ou não, e fazia todas aquelas mulheres "quase-interessante" parecerem tão superficiais quanto seus bronzeados no fim do dia. Era lindo ver como se divertia em ser simplesmente ela. Era tão lindo, e pensei: Porque não mais?
Resolvi aproveitar a oportunidade, já que estava lá deitada com seu disc-man e seu livro, e a perguntei:
- Já percebeu como essas mulheres fazem? Tudo na pontinha dos pés...
- Sim, já reparei
- Sem graça né?
- Um pouco
- E porque faz igual?
- Porque eu quero, pode parar de me incomodar?
- É porque eu gosto de te ver mergulhar
- Você gosta de me ver cair de barriga não é?
- Gosto. E você não gosta?
- Sim... Talvez
- E porque tem que se culpa por gostar?
- Porque às vezes dói. Sem contar que o clube está cheio e eu não estou afim de que fiquem falando idiotices sobre mim.
- E não sente falta daqueles poucos instantes em que está no vazio e que nada mais importa?
Não me respondeu. Recolheu suas coisas e foi embora. Fiquei algumas semanas sem ver Maria Clara, mas um ou dois meses depois ela reapareceu. Mais bonita. Não estava mais magra, nem mais gorda. O cabelo era exatamente o mesmo, a pele da mesma cor e até o disc-man era o mesmo. Mas tinha um sorriso no rosto que começava pela testa, dando-a um leve franzido, e descia inquietando as sobrancelhas e dando brilho aos olhos, contagiando as maçãs do rosto, esticando covinhas, escancarando o sorriso e terminava na pontinha do queixo, onde aparentemente não mudava nada, mas sei lá, com certeza havia um pouco do seu sorriso no queixo. Deitou-se tranquilamente na cadeira de sol, tirou seu livro, seu disc-man e leu durante toda a tarde. Já perto de fechar a piscina, levantou-se recolheu suas coisas e ao invés de fazer o que sempre fazia, somente foi embora. Passou por mim, e me desejou uma : Boa Tarde. Me deu mais uma amostra do seu lindo sorriso e se foi. Embora eu esperasse poder ver, mais uma vez, Maria Clara se jogando nos braços do nada, fiquei feliz por ela entender que, naquele dia, não falávamos propriamente sobre água, mergulhos ou piscinas. No fundo eu sei que ela entendeu, seu sorriso não poderia mentir
Oração de proteção
Pelas estradas onde vou andar, Deus meu senhor ira me guiar, lá do céu estará a me cuidar, as pedras do meu caminho ele vai tirar, espinhos e doenças não vão me tocar, serei protegido pelo poder de minha fé, sou seu filho, sou seu amigo e protegeras-me do perigo, que me ronda, que me desejam, serei como um espelho a refletir, um campo de força os inimigos iram sentir, eu tenho Deus e Jesus Cristo salvador, que me salva e me protege, tenho o Espirito Santo que sempre esta comigo, por isso enquanto eu existir nem um mal ira me fazer cair pelo poder de Deus e sua bênção, amém.
Pensa-se viver, Pensa-se existir, diz-se sorrir.
Acho que o mundo não é real, é apenas um sonho desleal ao que quero sentir.
Querer, resume-se a isso, o mundo é uma grande nuvem de vontades, adversas e conflitantes.
Constante o querer, isso e aquilo, sonhei eu algo ser.
Mas o que? Algo além de uma mera passagem pelo universo.
O reverso às vontades das quais o mundo é feito.
É um defeito pensar assim? Talvez um pecado? Já senti-me envergonhado por minhas vontades, quero algo além de mim, além de uma vontade, ou apenas metade de algo.
Quero ser um motivo, quero ser uma nota, um som, o dom de escrever, aprendi que devo crescer, e o motivo enfim, o motivo de seu sorriso, isso eu quero ser...
