Leônia Teixeira
Vivo a minha loucura
como te vivo
abraço a minha loucura,
como te abraço
viajo na minha loucura
no desejo louco
de ti, de tu...
desejo na minha loucura
encontrar-te
perder-me em abraços
loucos...
dentro dos olhos teus
cometer loucuras...
na tua pele,
no teu corpo.
Cravar minhas mãos
viajar...
esmagar tua boca,
arranhar tua pele
saciar meus sonhos
devaneios loucos,
pensamentos meus.
E por ser assim...
que tem que ser,
amores se vão, se perdem
ficam parados no tempo
em estradas
guardados em versos, em rimas.
E por ser assim a vida, os dias...
tudo passa sem cores
adormecem
e se vão no vento,
no tempo.
Se perdem em caminhos
palavras
escondidas, caladas.
Ficam as poesias,
guardam-se os sonhos
E por ser assim
se vive a lucidez
por medo,
não se é feliz.
Porque os olhos de quem ama
é poesia, beija flor.
É primavera, sol de tardes
quentes,
é roda de samba no morro
música, pagode no ar.
Porque os olhos de quem ama
tem chamego, gingado...
É azul de mar, de água doce
é verde de mato e campinas
tem gosto,
sabor...
Porque os olhos de quem ama.
Trás paixão que alucina
derrete,
sedução faz morada
encanta e canta
violas, violeiros...
Porque os olhos de quem ama
é doce feito mel
bebida, aguardente...
são tardes no sertão
chuvas...verão !
Porque os olhos de quem ama
dança,
é festa, folia
tem brilho furta cor
gosto, tempero...
pimenta,
queima feito fogo
é brasa,
Porque os olhos de quem ama
tem pecado
toca,
violão e violino
tem...
mistérios de amor !
Seriam nossos olhos vilões?
Seriam nossas bocas cúmplices,
de mim, de tu...
ou seriam compassas de nós?
Muitas vezes se pinta mentiras em sorrisos, gargalhadas...e esconde-se verdades em silêncios, palavras !
Jogo taças, tomo vinho...tento apagar das minhas digitais
o desejo
de tocar teu corpo, abraçar tua pele, senti...
cheiros, dos teus lenções.
Acalmar meus medos, vontade do teu corpo, saudade !
Saudade dos teus olhos, tua voz...
voz que me envolve, me leva em canções.
Saudades...de tudo do nada,
tim-tim
brindo a loucura de amar um sonho
querer o impossível,
cantar minhas vontades de nós !
Quase me toca. Segundos nos separaram, respirei fundo...não olhei de lado. Medo, receio de da de cara com você, medo dos meus olhos, da minha pele... que me traem, me entregam sempre que chega perto. Não há disfarce, não tem máscara...me dou !
Disseram-me que estou brega, ultrapassada...que amar tá fora de moda,
que o papo agora é ficar, da um rolé, se enroscar e só. Cair na gargalhada, escancarei...se amar tá fora de moda, deixa eu com minha breguice. Prefiro ser taxada de já era que não senti arrepios, que não viajar olho no olho, pele na pele...meu corpo não é qualquer coisa nem se dá bem em qualquer lugar: meu corpo tem alma, coração, espirito...é deposito de sonhos, de paixão, de vida...de amor !
Tudo que em mim tem de você e quero de você estão nos meus olhos.
Meu olhar reflete meus sentimentos, me mostram...me entregam em taças e bandejas !
Bati de cara com teus olhos
recuei,
medo de te encarar de novo
me fiz de desentendida
de quem não viu nada
Mas tava lá
tu, celular na mão
trajando camisa preta,
perdido em teu silêncio
tão lucido,
calado.
Olhei de relance
rápido,
sair disfarçando batidas...
coração a mil
voando em pensamentos
vontades
Parecia um Deus grego
só, vivendo em seu mundo
diferente...tão real !
A loucura me abraça, me aperta com jeitinho...me entrego, me dou !
Me viro de todos os lados, me deixo fazer chamego, dengo...
a loucura é cúmplice de mim e aliada do meu jeito.
Não há versos sem teus olhos
não há festa sem tua boca
não há cheiros nem graça,
não há flores sem teu perfume
não há palavras com teu silêncio
não há olhares sem teu corpo
não há dança nem música,
não há toques nem chamego
não há sorrisos nem esfrega,
não há lero-lero nem te quero
não há sonhos nem fantasias
não há calor na madrugada
não há lençol, cama amassada.
Não há beijos de até logo
não há chau na despedida
não ha lembranças sem teu nome
não há nada quando some.
Só por agora:
Me cante, bagunce
minha mente, minha pele.
Arrepie meus olhos
dance no meu corpo
penetre,
abafe gemidos, mate vontades.
Só por um segundo:
mergulhe na minha boca
se afogue, grite.
Nos meus ouvidos,
se esfregue, se cole...
perfeito encaixe:
se envolva,
galope, cavalgue...
descanse
acalme desejos
se perca, se entregue,
se ache...
És moldura que habita a parede do meu quarto e reside na mesma morada de mim. Somos nós no mesmo espaço, habitando a mesma casa,
porém, não dormimos na mesma cama, não comemos no mesmo prato nem bebemos na mesma taça. Não brindamos com o mesmo vinho, não cantamos a canção de nós nem vivemos os mesmos sonhos !
Não duvido de nós em outro tempo, sinto-te como quem já viveu em mim: dividimos histórias, palavras, silêncios...tua face vive em pensamentos meus a séculos passados...é marca presente, que habita e dorme nos sonhos meus !
Guardo-te em gavetas que ocultei na sala da minha mente, em cantos da minha alma...de ti tenho lembranças ocultas,
escondidas em mim !
Não tenho religião
busco seguir mandamentos,
me sinto em casa em qualquer Igreja
Templos.
Deus "...é meu pastor... " fiel
amigo,
" nada me faltará "
todas as horas está comigo.
Pai que me guarda e me livra
dos maus, dos males...
me dá força e coragem
me ajuda a carregar os fardos
aliviar as dores,
é quem me guia
me guarda
das maldades, dos desamores.
Deus me dá o sol, o céu, o mar...
é dele todas as coisas,
dono do universo das flores.
Só Deus é meu Rei,
Professor que me ensina
perdoar, amar...
sem olhar a quem
sem julgamentos,
Deus é VIDA e me deu a VIDA.
Me fez mãe
De Maria sou filha,
me deu irmãos;
no Pai, no Filho e no Espírito Santo.
Meu olhar é criança carente pedindo colo
é carência de ganhar um beijo,
beijo de garoto maroto,
menino homem.
Meu desejo é vontade dos teus olhos
é querer saciar fome, de matar sede.
Minha sede é pedido de carinho
busca de chamego !
Fazer o que
se o coração não quer pensar
se manda e desmanda na minha mente,
se apaga qualquer vestígio de medo
se quero só,
um momento com você
um segundo da tua pele para me fazer eterna
em ti,
quero descansar minha loucura
te entregar meu desejo
rolar,
de baixo do chuveiro
no chão do quaro
no tapete,
na sala de jantar
fazer o que ?
Se minha loucura é a direção
que me leva
carrega,
no caminho da tua lucidez
me joga,
te faz carinho
dengo
Fazer o que,
se o perigo é sedução
se quero tomar gole
me embriagar
saciar meus anseios,
devaneios...
fazer o que ?
Se o verão está frio
se quero fazer do teu corpo
meu agasalho
abrigo,
se minha boca pede teu toque
teus beijos
carinhos,
viajando, sussurrando...
cheiros
me embriagando
consumindo
incendiando
quero fogo
vinho !
Toca lá escuto cá
mexe o corpo, o juízo !
É doideira na pele
arrepios na mente
zoeira,
remexe, balança...
sacode,
danço !
Vê se dá jeito nessa bagunça
se arruma essa saudade
desajeitada,
vê se conserta as batidas
do coração,
se ajeita meu sorriso
se coloca juízo no meu peito
vai tempo,
vê se manera
coopera,
tou ficando louca
ariada
perdida na vontade daquele cara
vem cá tempo
vê se deleta aqueles olhos
dos meus,
se apaga aquela voz...
risca da minha mente
exclui dos meus ouvidos,
Por favor tempo
ajuda-me,
liberta-me desse amor doente
louco,
inconsequente !
Não entendi nada
também não quero mais entender,
deixa rolar...
um dia passa !
Se não passar tou nem vendo
vou fazer lero-lero, pirraça.
Vou aprender a me acostumar
já dizia um velho ditado:
de amor não se morre,
de saudade também não.
Dói...machuca o peito
sangra a alma,
mas não mata !
