Leônia Teixeira
É que as vezes ultrapassa os limites da dor
a saudade bate forte.
Não há lembranças que matem o desejo
vem saudades,
vem o choro, correm lágrimas...
doe o peito, machuca almas.
Fui pra zoeira
tomei todas:
virei copos
derrubei mesas,
me embriaguei de saudade
cair,
rolei de tristeza
me joguei nas lembranças,
chorei !
Vou ao êxtase
chego ao pecado
escancaro, escandalizo...
me entrego
me faço pelo avesso
me dou
me viro, reviro...
se o assunto é você:
não tem jeito !
Eu amo a poesia
teus olhos,
amo a música que toca
palavras caladas
porque não há silêncio
porque o amor grita.
Grita aos quatro cantos
sussurra,
pele, arrepios...
não se nega.
Ultrapassa fronteiras
limites...
O amor de almas
são pássaros em voos.
Não se nega um inegável
não se esquece,
um grande amor é sangue nas veias
pulsa,
cicatriz, marca...
nódoa na alma.
Um grande amor é fera em jaula,
livre.
Não importa as dores, tou mas nem ai pra saudade...que se dane !
Quer machucar ? Fique a vontade. Entre, a casa é sua. A porta está escancarada, te dou guarida, comida...faça o que der na telha, machuque onde quiser...tou nem ai, vou dar a volta por cima e viajar em outros sonhos.
Noite. Frio, lareira
corpo pede fogo
quente,
vem teus olhos
vem tua voz
pássaro canta, voa.
Leva, ao longe sinto...
sonho,
pele cobre minha pele
voz,
cobre meus ouvidos
chega a madrugada, peço arrego
colo
chamego,
longe estás...
outros braços, aquecem
outra boca,
cola, cala...
Tu, tão longe
distante !
Disseram que sou esquisita,
que pareço diferente
que meu jeito é estranho,
que dou voltas por cima, por baixo.
disseram também,
que minha pele arrepia fácil
que uso perfume falso
embriaga,
que meus olhos cantam
andam, falam...
que minha voz cala,
grita,
arrota palavras.
Até disseram que meu corpo viaja
dança no vento
solta, anda no ar !.
Disseram que pareço louca
errada, errante !
Já não tem mais jeito,
não canta a cama:
já não escreve amores
já não descreve sorrisos
já não aquece frios,
já não divide sonhos
já não conversa
não se ama.
Já não tem mais nada:
não há olhares, abraços...
chamego.
Acabou !
Lembranças, saudades...
passados,
momentos esquecidos
só, mais nada !
Tenho a minha companhia:
viajo só.
Ultrapasso rios,
mergulho em mares
passeio nos ares.
Encontro pássaros
voou de carona,
chego ao sol, ao céu...
pouso na lua, no ar.
Ventos me vestem
águas me aquecem,
me banho nas cores
me deito nas dores...
se vejo borboletas, danço.
Se encontro flores faço versos
canto,
nado em sonhos !
E minhas mãos procuram...serenamente, docemente...encontram as águas, banham. Risos, rios...se envolvem, misturam-se.
