Leônia Teixeira
Os olhos veem
quando o amor toca,
quando o perfume embriaga
quando pele arrepia,
os olhos são testemunhas
são cúmplices de procuras
entregas...
os olhos veem
quando bocas se colam
corpos se esfregam
braços se apertam.
Escancaro, abro o verbo.
Nunca escondi meu lado errado
minha parte torta
Sou assim,
um tanto desajeitada
cheia de erros,
não peço segredos
me desnudo, não me escondo.
Meu lado disfarce é coadjuvante
ou no papel principal,
ou nada feito !
Um pássaro cantou
meus ouvidos dançaram
viajei...
músicas rolaram em mim,
senti a brisa dos teus olhos
ouvi a voz do teu silêncio
rolou saudade, lembranças...
vontade de viver tudo.
outra vez,
arrepiar com teu corpo
falar com teu riso
cantar tua boca
beber do teu vinho,
outra vez
viajar em tuas mãos
deitar em teus braços,
comer em teu colo
dançar...
chamegar na tua cama
rolar nos teus abraços
Senti de novo
o desejo me cantando
a vontade rolando
de novo tudo
mais uma vez !
E se em alguma esquina a gente se tocar, fecho os olhos, cruzo a rua...o que for faço para evitar o toque. Construo barreiras, faço escadas...só capaz de voar no tempo pra não da mais de cara com você !
O mundo é grande...para quer viver a mesmice todos os dias ?
Se posso sonhar, posso alcançar !
Leônia Teixeira
Me visto, me troco ,
me procuro...
tudo rola de uma vez:
uma vez madura
uma vez lúcida
uma vez mulher
Pensamentos giram,
bagunçam minha mente
atrapalham meus sentidos.
De mim não sei mais nada:.
onde estou, com quem vou, pra onde ?
É tudo louco demais !
E assim serão
minhas lembranças:
teus olhos frios
sorrisos que não me deu
palavras curtas, grossas...
talvez,
o que sempre precisei
pra não continuar me enganando
me magoando...
vou, custe o preço que for
te apagar do peito
te arrancar da alma
abortar...
tudo que tem de você em mim.
Vou dobrar esquinas
fazer curvas,
pular muros...
qualquer negócio faço
topo,
entro em qualquer beco
me cubro
me disfarço,
qualquer parada tou dentro
vou fugir de mim,
pra me esconder de você !
Se importa não: sou meia tam tam mesmo !
O silêncio é batuque, som pesado aos meus ouvidos.
Deixa pra lá, logo me acostumo. Se não me acostumar, que meus ouvidos explodam...porque da minha boca não saíram mais loucuras para tirar teu juízo, te perturbar...bagunçar tua mente !
Que em mim chuvas caiam como rios de alegrias
e que a felicidade caia feito águas em jatos de sorrisos.
A noite atormenta-me
de um lado para o outro
me viro e reviro no avesso de mim
tentando arrancar
apagar,
momentos desejados
sonhos perdidos
loucos...
são quentes desejos
nas veias do meu corpo
na pele,
em caminho proibido
oculto
guardado, escondido.
São arrepios que tocam
prazeres sentidos,
tudo juntos
sonhados,
em um mesmo lugar.
E se eu disser adeus que seja por segundos
segundos sem teus olhos são suficientes
para perturbar meus sentidos, sangrar minha alma.
Que sejam só segundos e só, porque a saudade é faca
que corta e apunhala minha mente.
E se eu cantar que seja a canção dos sorrisos
os versos dos sonhos...que o amor, seja o toque mais forte
que a música fale a linguagem da alma e que meus olhos
te abracem em beijos floridos, perfumados...que marquem,
que pra sempre nossos olhos adormeçam um dentro do outro
e que nossas bocas se colem, se calem...no infinito e doce abraço.
Eu me toco em versos, me faço flores...danço em rosas e mar.
Me olho displicente e me vejo no tempo parada sem rumo
em estradas vazias, caladas...vez em quando me vejo em rios
nado em sonhos, deságuo em passados parados no tempo,
tempo em que sorrisos me consumia, me abraçava...
tempo em que músicas me cantavam poesias, me abraçava a alma
me levava em águas correntes, cristalinas...me entregava em cores
olhares quentes...acalmava meu frio, aconchegava meu corpo
beijava minha pele, arrepiava.
Lembro com vinhos, taças geladas...noites enebriantes, envolventes.
Me envolvem em lembranças, me aconchegam na saudade...
Porto seguro, ondas calmas...poemas despertam minhas vontades,
memórias me levam, me carregam pra junto de ti.
E o destino prega peças...
bate à porta,
parece que tou girando em montanhas
falta a cor, esfrio...
tudo roda ao meu redor,
gela
sem lugar pra me esconder
me afastar,
minha casa falta espaço
fico sem chão
sem ar
a mil dispara o coração
emoção acelera,
e ai, não tem como fugir
olho,
me espanto...
dou de cara com você.
Pode ser mimo
pode ser birra
pode ser até vontade, sei lá...
pode ser talvez...
desejos incontidos,
querer bem
ser cheia de vontade,
querer quem não me quer.
Será brincadeira de criança
ou desejo de mulher ?
E se eu me apaixonar ?
Cada vez mais
vê teus olhos em cado passo,
senti teu riso, ouvir tua voz...
pássaros me trazerem teu cheiro,
e se a música me enlouquecer ?
Se a distância me sufocar ?
E se eu me perder em ruas
vazias, caladas...
Me machucar,
de saudades cair em prantos
rolar em lágrimas
me afogar .
Se eu ficar só
sem sonhos
sem rumo...
naufragar nos medos,
Se nem o mar me acalmar ?
me trouxer flores
sorrisos
beleza, encanto.
Se o tempo não curar a ferida
das lembranças,
memórias...
e se eu mergulhar no vazio
me esconder em labirintos
de loucura
me matar e morrer...
de vontade,
de desejos...de você.
