João Falcão
Sou prisioneiro de guerra... estou preso
e tenho a certeza que não sairei ileso
desta guerra de mentiras e "mais uma vez".
Quando vi... foram mais duas e três
As grades são sujas e espinhosas
e nem falarei da porta... é de rosas!
Rosas..no entanto ficam ao fundo do corredor.
É muito longe. Prefiro permanecer e... sem dor
Para quê que correrei se posso sentar-me?
Para quê libertar-me se tenho onde ficar
quando a chuva atiça Zeus e tudo fica ensopado?
É difícil. É demais. D'us leve-me pr'o outro lado
Aproxima-se uma luz mui brilhante.
"Porquê que estás com um triste semblante?
Sorri. É tempo disso."
"É... eu acredito nisso."
"Tens sempre tanto medo de tudo. Porquê?"
"Por que sou minoria na maioria. Não vês?"
"Não... não denoto diferença, se não
no vicio em por tudo distante da tua confusão"
A luz dissipou-se. A cela não era espinhosa.
E a longitude da porta não era venenosa.
Na verdade nunca houvera luz,
se não alguém com muita interna luz..."
