Eu sou o nada. Eu sou o tudo. Eu sou as... João Falcão

Eu sou o nada. Eu sou o tudo.
Eu sou as estrelas, universo e o mundo.
Eu sou a luz. Eu sou o escuro.
Eu sou o passado e sou ainda o futuro.
Nada é senão eu. E tudo é por mim.
Eu sou Deus. Sou mais que Deus, afinal sou empatia e não esperança.
Aquela esperança falsa e vil que nos faz crianças.
Crianças que esperam um abraço dum pai distante.
Um abraço que virá quando a luz cega e a escuridão nos dá medo.
Um pai que quando fechar os meus pequenos olhos, dar-me-á razão ao enredo,
enredo esse falho, sofrido, sem sentido e profundamente desumano.
Deus é, portanto, tudo o que não sou e tudo o que sou.
Ele é mau, vil, bom e bondoso. Profundamente distante e incrivelmente humano.
Não creio em Deus. Ele existe, porém ele não é mais nada. Nada.
Não acredito nele nem nos seus fins. Não preciso dum inferno, se já o vivi.
Não quero um paraíso, pois estais aí, Pai, e a sua presença deixa-me triste.