Isabel Morais Ribeiro Fonseca
LABIRINTO
Num labirinto de víboras de todos os tamanhos
Escrevo que o labirinto me mata lentamente
E que quando me lerem adocem-me a esperança
Deste sobressalto dentro de mim como um arrepio
Ou desenganado, indiferente de rastos como uma pobre
Coitadinha louca de pensamentos dispersos ao vento
Nesta deriva entre os grilhões ou talvez atalhos de mim
Renasço desenhando os meus próprios passos na solidão
Já não sou o que fui, já fugi do meu caminho tantas vezes
Sou apenas uma mulher que resvala desfalecida na alma
Carnificina das palavras num momento que mente em silêncio
Olho o espelho sem me ver arrasto-me na lama do inferno
Encantamento da mentira adocicada prisioneira da minha mente
Circunscrita por uma luz de grades frias, de feridas profundas
Lambo a ferida invisível das palavras mordidas, sussurradas
Fervilha o sangue das letras esquecidas de sentimentos
No faminto delírio dos sinos da igreja entre o labirinto cruel
Deste mundo míope desinspirado desprovido de sentimentos
De aspirações traídas pelas falências da própria humanidade
A desordem a injustiça imanente é feita de moribundos
Gente sem escrúpulos, nada sentem encurralados no seu labirinto.
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A cozinha é um teatro
Onde todos os ingredientes
Se juntam para formar uma
Bela ópera de tantos sabores
Aromas, textura e cores
Transformando todos
Os alimentos numa obra de arte.ღೋஜ
Por que duvidamos tanto?
Por que não acreditamos em Deus?
Será que já nem sabemos sorrir
Ou temos medo de ser felizes.
Os meus filhos e marido
São um jardim florido de todos as cores
E eu rezo todos os dias a Deus agradecer.
O amor
É um profundo abismo
Com a imensidão do universo
Onde a luz na escuridão
Alegria na tristeza
Consolo na dor
Paixão no sentimento.
Amor...
Deixa-me ser eu
A pintar a tua nudez
Na tela da minha paixão
Com o pincel de várias cores
Com a minha própria inspiração.
SENHORA
Há horas nas nossas vidas
Que nos cansamos de tudo
Cansamos querer mudar
O que não podemos mudar
Cansamos crer que o que desejamos
Pode nunca acontecer
Cansamos fazer o caminho pelas fragas frias
Porque a dor, a frustração
A decepção e a tristeza é tanta
Que só pensamos em desistir
E pedimos a ti mãe do céu
Força e coragem para a suportar
Todas as horas da nossa vida.
SENHORA
Dá-me a serenidade das águas dos rios
Dá-me a força das fragas das serras
Dá-me a doçura das flores do campo
Dá-me a paixão pela vida do tempo perdido
Dá-me a fé que eu tenha esquecido
Dá-me a esperança que deixei guardada
Perdoa-me se fracassar, se tiver medo
Que eu possa sempre voltar a recomeçar
Amamo-nos por momentos
Ou talvez já nem sei mais
Só sei que te tenho ou te tive
Que fui feliz ou foi só um sonho
Das saudades ou vontades
Do que fomos ou ainda somos
Enrolada com o meu corpo no teu
Num beijo quente engolindo os teus ais.
Cozinhar não é apenas fazer boa comida
É transformar todos os ingredientes em sentimentos
De amor, de vida, de esperança
Ambas dão prazer e o mistério está na vontade de amar
Sentida no nosso próprio palato.
REINO MARAVILHOSO
Este meu Trás-os-Montes
Terra fria a cada beijo da fria geada
De nove meses de inverno
Com mantos negros de lã
E três de inferno a cada afago do vento
Vê-se primeiro giestas, um mar de fragas
Nevoeiro num oceano megalítico
Deste Reino maravilhoso
Sente-se amor calado na imensidão
Sente-se a morte num penedo solitário
Vence-se o luto na grandeza de um cinzento
Das noites escuras do agreste amar
Da dor das gentes na inocência vivida
Cravos espetados de mar de fragas
Sentimentos singelos, inocentes, marcados
De lágrimas perdidas, amargas e sentidas
Terras geladas e frias mas quentes como as castanhas
Num cinzento da alma, que só aqui sabe existir
Onde deixei a minha alma, os meus amores
Neste maravilhoso Reino de Trás-os-Montes
Tão certo que ninguém lhe ficará indiferente com certeza.
Quando eu morrer
Serei um livro escrito
De um conto antigo
Que alguém leu
Amo na esperança
De voltar a sorrir.
🍃☀🌼╯🍃 2017
SIM E DEPOIS
Sim
E depois?
Abraças-me com força
Roubas-me os medos
Sim
E depois?
Pegas-me na mão
Dizes que me amas
Roubas-me o coração
Sim
E depois?
Entrelaças-me os dedos
Encostas-te a mim
Olhas-me com ternura
Sim
E depois?
Beliscas-me a pele
No desejo que sentes
Sim
E depois?
Acordo feliz
Por amar-te tanto
No meu doce respirar
Sim
E depois?
O café está quente
Nasce de um novo dia
No verbo amar
Sim
E depois?
Amo-te.
🌷🍃🌹🍃🌼🍃🙏💕 2017
AOS TOMBOS
Aos tombos lapido as minhas emoções
Nas últimas palavras dentro de mim
Tento remover os meus pensamentos
Para alcançar os da minha mente
Onde vivem todos os meus sonhos
Ergásgulo de pouco, de lucidez
Na desolação dos dias que virão
Preciso caminhar com segurança
Mas já não sei quem sou
Nas esquinas por onde andei.
🍃🌷🍃🌹🍃🙏💕 2017
DESEJO
Desejo-te
Meu amor
Desejo sentir
O teu corpo
No meu
Desejo amar-te
Mais e mais
Desejo abraçar-te
Sentir os teus
Fortes braços
Desejo sentir
O teu toque
Quente na alma
Desejo cheirar
O teu aroma
Perfumado
Desejo este
Que
Anseio por ti
Há tanto tempo
Meu amor
Quero
Amar-te
Como nunca
Te amei
Desejar-te
Como nunca
Desejei
Meu doce
Iterno amor.
🍃🌷🍃🌹🍃🍃☀🌼╯🍃🙏💕 2017
AMO-TE
Amo-te a cada dia
Cada noite que me inunda
Amo-te no pudor
Dos que nada pedem
Amo-te com a dor
Das lágrimas em sorriso
Amo-te nas coisas mais pequenas
Amo-te navegando nas margens
Da superfície do teu corpo
Amo-te com a minha boca
Na brisa dos teus suspiros
Amo-te no marulhar das ondas
Deste teu mar salgado
Amo o teu corpo nu
Deliciosamente agitado
No mar onde nos amamos
Amo tudo que é teu.
🍃🌷💕 2017
SEI QUE SOU
Sou um espectro
Sem ódio nem amor
Vivo perdido em mim
Dos fantasmas que me assombram
Com pavor, não desejo morrer
Mas o meu espelho me reflete
Como um simples perdedor
Sou o vazio das minhas memórias
Erros meus de um amor ferido
Lenda tua de mau presságio
Sem futuro ou sem passado
Estou cansada pesa-me nos ombros
O remorso a dor de um coração carniceiro
Sedento da saudade de um amor.
🌷💕 2017
TU SABES
Sabes que nesta
Loucura do silêncio
Sinto a carne aos pedaços
Correntes que me arrastam
Nas asas do corvo que voa
Ao meu ou ao nosso redor
Na angústia que aperta
No peito já ferido
Que grita na alma sofrida
No tremor do medo
Dos tempos das memórias mortas.
