Honoré de Balzac

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David experimentou a mais penosas da humilhações, que é causada pelo rebaixamento de um pai.

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A avareza, como o amor, tem o dom da vidência, quanto às contingências futuras, fareja-as e apressa-as.

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Seus filhos, como todos os filhos do amor, teriam por herança a maravilhosa beleza da mãe, presente tantas vezes fatal, quando a miséria o acompanha.

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Farto de beber na grosseira taça da miséria, estava ao ponto de tomar um desses partidos extremos aos quais nos decidimos aos vinte anos.

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Ambos haviam chegado à poesia por caminhos diferentes.

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Apaixonou-se por ela, como se apaixonam os espíritos melancólicos e meditativos.

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Os raios de sol que brincavam nas folhas da parreira acariciavam os dois poetas, envolvendo-os com sua luz como uma auréola.

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Bebendo longos tragos da taça da ciência, da poesia, com elas se inebriando para esquecer as desventuras da vida da província.

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Uma das infelicidades a que estão sujeitas as grandes inteligências é a de compreender forçosamente todas as coisas, tanto os vícios como as virtudes.

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Pois os homens esquecidos se vingam da humildade de sua posição pela altivez do olhar.

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Queria mandar e tinha de obedecer. Entre obedecer a caprichos grosseiros, a espíritos sem indulgência para com seus gostos, e fugir com um amante que lhe agradasse, ela não teria hesitado.

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Existem, com efeito, certas sensações incompreendidas que devem ser guardadas em nós mesmos. Certamente que um pôr-de-sol é um grande poema, mas não será ridículo para uma mulher descrevê-lo com palavras grandiloquentes diante de criaturas materialistas?

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Para ela tudo era sublime, extraordinário, estranho, divino, maravilhoso. Animava-se, se encolerizava, se abatia, alcandorava-se, e quer olhando o céu ou a terra, seus olhos se enchiam de lágrimas. Gastava a vida em perpétuas admirações e se consumia em estranhos desdéns.

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Não havia ao seu redor homem algum que lhe pudesse inspirar uma dessas loucuras as quais se entregam às mulheres impelidas pelo desespero que lhes causava a vida sem finalidade, sem acontecimentos, sem interesses.

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A dor depôs sobre a fisionomia dessa mulher um véu de tristeza, uma nuvem que não se dissipou se não na idade terrível em que a mulher começa a lamentar os anos passados sem os haver gozado, em que vê suas rosas fanarem, em que os desejos de amor renascem na ânsia de prolongar as últimas esperanças da juventude.

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Seu orgulho a preservou dos tristes amores da província. Era a nulidade dos homens que a cercava e o nada, uma mulher tão superior teve de preferir o nada. Tanto o casamento como a sociedade constituíam, assim, um mosteiro para ela. Vivia para a poesia, como a carmelita vive pela religião.

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Permaneceu ereta e forte como uma árvore que houvesse suportado o golpe de um raio sem ser abatida. Sua dignidade se elevou, sua realeza a fez preciosa e quinta-essenciada. Como todos que se deixam adorar por quaisquer cortesãos, ela imperava com os seus defeitos.

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O Sr. du Châtelet era ainda dotado do talento de contemplar uma tapeçaria cujas flores tivessem sido começadas pela princesa; segurava com graça infinita as meadas de seda que ela enovelava, dizendo-lhe pequenos nadas em que a malícia se escondia sob gaze mais ou menos transparente.

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Acreditava-se muito forte em diplomacia, a ciência daqueles que não possuem nenhuma outra.

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Queria ver esse poeta, esse anjo! Tomou-se de amores por ele entusiasmou-se, falou dele horas inteiras.

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A santa criatura ignorava que lá onde começa a ambição cessam os sentimentos ingênuos.

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O poeta era já a própria poesia.

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As três horas passadas junto dela foram para Luciano um desses sonhos que a gente desejaria tornar eternos. (...) Sua imaginação apossou-se daqueles olhos de fogo, daqueles elegantes anéis de cabelo onde cintilava a luz, daquela esplêndida brancura, pontos luminosos aos quais ele se prendeu como uma borboleta atraída pelas lâmpadas. Depois, aquela alma falou à sua para que ele pudesse julgar a mulher.

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Luciano passou por todos os terrores, esperanças e desesperos que martelam o primeiro amor e o metem tão fundo dentro do coração com os golpes dados ora pela dor, ora pelo prazer.

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O mágico pincel, as musas lisonjeiras
Nem sempre adornarão estas folhas ligeiras
Com seu festivo encanto.
Mas a furtiva mão de minha bela ama
Muita vez me dirá sua secreta flama
Ou o seu mudo pranto...

Quando velhinha, a estas páginas fanadas,
Ela vier indagar das coisas encantadas
Que o futuro lhe diz,
Queira então o Amor que a fecunda lembrança
Dessa viagem feliz,
Seja doce de ver como um céu em bonança!

Honoré de Balzac
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