GERSON AUGUSTO GASTALDI

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A CORTE DO AMOR

No reino dos sentimentos aristocráticos,
os leais súditos do real, soberano amor,
fazem reverência à graça dos estáticos,
apaixonados pela áurea estirpe e valor.

Sedutores e incitados apostam no jogo
das paixões e querem somente ganhar;
na arena do destino brincar com o fogo
é arriscar e para vencer é preciso jogar.

A inveja é capciosa e a cobiça cortesã,
o orgulho é forte, mas o ciúmes vassalo
do reino, aposta ser o audaz vencedor.

O ódio, por ter sido um mau perdedor,
prefere ser o bobo da corte e de malsã
consciência, difama seu próprio cavalo.

Do seu livro: "Poemética Ambulante"

GERSON AUGUSTO GASTALDI

A MÁQUINA DE MOER PALAVRAS

Palavras, tiras trituradas por inatos
vocábulos, base de estruturas vitais,
fonemas, timbres das cordas vocais
vertidos pelas turbinas dos palatos.

Vozes, frases esmagadas na faringe,
expressões dinâmicas, tons verbais
a expelir no glote dicções guturais,
concepção da linguagem na laringe.

Nas articulações da boca em lavras,
peripécia dos seres sapiens animais,
emana a voz que ri e chora fatalista.

Essa é a máquina de moer palavras,
síntese da comunicação humanista,
a fluir sons letais e não calar jamais.

Do seu livro: "Poemética Ambulante"

GERSON AUGUSTO GASTALDI
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A ÚLTIMA BALADA

No supremo ritual da sobrevivência
a primeira dança encanta aos olhos,
e a sua candura enfeitiça a infância
como as marolas beijando abrolhos.

Os dançarinos expõem toda a graça
com lépidos passos em andamentos,
articulam a poesia no tom que traça
o balé infantil aos seus movimentos.

A segunda dança vem à puberdade,
e nos fulgores da sua adolescência
submerge os namorados na vaidade
das paixões: é a doçura da essência.

São espertos, frenéticos e audazes,
bailam com carisma e na ambição
da vida se atraem; moças e rapazes
caçam, raptam e se fixam na ilusão.

A terceira dança bate à maturidade
como bela euforia e muita emoção,
os pares dançam à luz da realidade
e o baile revela toda contemplação.

Os passos lentos e o corpo cansado
fazem da festa apenas a recordação
de arrebatados ímpetos do passado
quando até pulsava forte o coração.

A derradeira dança achega à velhice,
os dançarinos aspiram nova jornada,
mas a saúde é débil e o olhar súplice;
rogam pois aos céus a última balada.

Esperam nela valsar o balé supremo
ao som da afinada orquestra divinal;
e ao findar a música desse extremo
bailado, encerram o compasso final.

Do seu livro: "Poemética Ambulante"

GERSON AUGUSTO GASTALDI
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AMANHECER CATIVO

Eis o amanhecer do pássaro cativo:
dentro da grade, encolhido e tristonho,
no seu padecer enfadonho
o penar é mui aflitivo.

No seu cárcere aramado,
bem tolhido da liberdade,
só água e alpiste a sorver crueldade,
o seu revoar desponta num sonho
de bípede emplumado, recluso,
sem ter infringido qualquer ação
ou desagravo de algum tamanho.
Eis o pássaro cativo: príncipe aprisionado,
nesta gaiola isolado sem nenhum motivo
pela feridade insana, é mártir da crua gana.
Eis o pássaro nativo: o seu gorjeio calado,
com olhar estacado, é um prisioneiro vivo
da injustiça humana, a fátua casta tirana.

No amanhecer da sua vida tremendamente triste,
o belo pássaro, carcerário na rude gaiola, destoa
da sua aprazível melodia, que magnetiza e entoa
na súplica de eufonia um só trinado que subsiste.

Eis a extrema maldade: o homem na sua diversão,
caça, fere e condena o pássaro por tola fantasia,
acreditando valer a pena executar essa covardia,
num jogo de atrocidade, rito odioso de perversão.

Do seu livro: "Poemética Ambulante"

GERSON AUGUSTO GASTALDI
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A PEDRA QUE FALA

Pedra,
incógnita da vida,
ainda gravita
no espaço,
bem erigida,
nos regurgita
do ventre o pedaço
de almas perdidas.

Pedra,
de sons guturais,
uiva e vocifera,
devora e aniquila
os seres animais;
e nesta litosfera
de ódios, destila
na Harpia, seus ais.

Géia mater,
Pangeia de loucos,
fusão Cambriana,
na esfera do Orco
elege o triturador,
e na sua telúrica
epopeia tectônica,
afronta o Criador.

Gaia, a mãe Terra,
filha do Caos,
berço de corpos
em livre queda
no tártaro glacial,
bem absorvida
à força leonina,
ruge e dilacera.

Petra,
óxido de ferro,
urânio e íons,
fissão nuclear,
o grande berro
na Galáxia,
dois megatons
de anjos e vírus.

Pedra,
que fala e grita,
explode e mata,
entorpece
e crucifica,
edifica a alma,
abre sua boca
e nos alucina.

Pedra vocal,
esturricada
nas penedias,
pouso de abutres,
garganta abissal,
estratificada
nas luzidias
sombras ilustres.

Eco de assombros
fantasmagóricos,
uivam nos beirais
de pedras delirantes,
seus escombros
são alegóricos
covis de chacais,
horríveis e dementes.

Do seu livro: "Poemética Ambulante"

GERSON AUGUSTO GASTALDI
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AO MURCHAR A FLOR

Esplêndida mocidade! Fluxo de sonhos, emoções,
estampa-se no fulgor da vida à emérita conquista,
na essência da pétala aromada, seu ardor otimista
arroja-se ao lesto tempo sobre a corola das paixões.

Extática juventude! Cálice fecundo de aspirações,
cultiva-se no vigor da seiva a sua ousada jornada,
cresce e caminha à deriva nos alfobres da estrada,
lança-se ao mundo no eflúvio, êxtase das estações.

Virtuosa maturidade! Flor de aromas e gradações,
viça-se na força e coragem à grandiosa primavera,
adorna jardins na paisagem delirante da atmosfera,
enfeita-se com arranjos surreais e vis imaginações.

Frenética sazonação! Estame robusto de ambições,
ampara-se enlaçado à corola para florir no vergel,
alcança notoriedade no auge do viço, faz seu papel,
medra-se, mas experimenta forte rajada de ilusões.

Inopinada velhice! Sépala fanada de frustrações,
resta-se de ti, somente uma estampa desfigurada,
sem a magicatura ampla, és crassa e já enrugada,
brota-se, então, a nova florada dentro dos jarrões.

Infausta senilidade! Flor estiolada de recordações,
murcha-se sob a intempérie dos anos; desfolhada,
fenece para ser uma congérie do nada; substituída,
torna-se saudade no canteiro dos nossos corações.

Do seu livro: "Poemética Ambulante" - 2013

GERSON AUGUSTO GASTALDI
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HOJE FELIZ ESPEREI ESSA FELICIDADE DENTRO DE MIM

HOJE,
Ao abrolhar de um novo dia,
despertei com ótimas notícias:
avisaram-me que o amor surgiria
repentino, com acalantos e carícias
para se ofertar.
Fiquei bem

FELIZ,
Preparei-me para o receber,
com grande capricho e poesia
enfeitei a casa; tive imenso prazer
em sorrir, dançar e cantar de alegria
para o abrigar.
Convicto

ESPEREI,
Que o tal hóspede batesse
à porta do meu ermo coração,
trouxesse a felicidade e cantasse
em minha alma a sua lírica canção
para me extasiar.
De que

ESSA FELICIDADE,
Se perdesse nessa estrada
e fosse procurar outra pessoa
para brindar e fazer a sua morada,
eu então cairia imerso numa mágoa
para se lamentar.
O Amor floriu

DENTRO DE MIM,
Me fez bem ditoso e risonho,
seja no palco, na apresentação
dum show ou cultivado em sonho,
abriu-se à realidade da imaginação
para desabrochar
Num ESPETÁCULO SEM FIM.

Do seu Livro: "Poemética Ambulante" - 2013

GERSON AUGUSTO GASTALDI
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O DOM DA VIDA

Na sinistra adversidade que possa advir
a desgraça abater nossos frágeis corpos,
não vamos desistir, ser dados a mortos,
vencidos no transe fatal a nos consumir.

Tomemos o exemplo do padecente Jó:
na desventura que corroeu a sua carne,
não imprecou ou se rebelou ao escarne,
mas honrou a Deus na pena de ruir ao pó.

Tal ato o fez digno da grada compaixão,
a paciência o sarou das chagas, nobreza
e fortuna enobreceram-no à ditosa sina.

Se todo mal que nos advém não elimina
infortúnios, ao menos nos traz reflexão
para saber: o dom da vida é uma riqueza.

Do seu Livro: "Poemética Ambulante" - 2013

GERSON AUGUSTO GASTALDI
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O PÁSSARO ATÔMICO

Quando a natureza se dissolver plena
sob as rajadas de armas inclementes,
refletirá às criaturas mais conscientes
o dano feito aos seres de bico e pena.

Não ouviremos os gorjeios e trinados
a ecoar a paz nas matas verdejantes,
nem o encanto das plumas cintilantes
revoando sobre bosques e arvorados.

Porém, outro show iremos contemplar
a planar pelos céus e ares infectados:
será o pássaro de aço atômico, a voar.

Tal míssil alado e tático, de alucinados
seres, não gorjeará para nos extasiar,
mas nos lançará o obus dos celerados.

Do seu Livro: "Poemética Ambulante" - 2013

GERSON AUGUSTO GASTALDI
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O VERAZ AMIGO

A manifestação da vida está na natureza,
e o elo com o paraíso vê-se nos animais,
mesmo sendo seres ínferos e irracionais,
possuem a essência da sublime grandeza.

Não há o olhar tão sincero sobre a terra
que exiba tal beleza quanto o de um cão
a nos fixar sua lealdade, amor e gratidão:
gentil espelho a refletir a paz sem guerra.

O veraz amigo e guardião, se lhe atenha
de nos fazer mal, perseguir ou até atacar;
jamais o canídeo intenta a nos maltratar,
mesmo que a desdita se lhe sobrevenha.

O seu instinto animal é pacato, cristalino,
deveras, mais dócil do que tanta criatura
inteligente, dotada de orgulho e cultura
a odiar o semelhante com furor maligno.

Prezar um animal é muito mais sublime
do que mostrar uma fátua benevolência,
mesmo que se ofereça a eles a opulência,
bem excelente é amá-los sem queixume.

Quem discrimina e maltrata o irracional
deve julgar que tal vileza e brutalidade
são coisas triviais, não sabe na realidade,
que o ser humano é também um animal.

Do seu Livro: "Poemética Ambulante" - 2013

GERSON AUGUSTO GASTALDI
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TEMOS DE SER NÓS MESMOS IMORTAIS

TEMOS
de desmascarar a sutil máscara,
espúria, incongruente e profana,
vedando nossa imagem diáfana
aos atributos da vaidade pícara;
para seguir em frente, na diretriz
do bem e sem medo de ser feliz;

DE SER
singelos, sinceros, personagens
reais e nobres na nata essência
do fiel Escultor; a pura inocência
de agir e viver sem camuflagens;
convictos da sublime dimensão
da paz a irradiar luz no coração;

NÓS MESMOS
seremos deslumbrantes, felizes,
seres pródigos sem ostentação,
integrantes da gravura superior;

IMORTAIS
como uma aquarela de matizes
verdadeiras; tela cheia de amor,
uma obra-prima à bela exibição.

Do seu Livro: "Poemética Ambulante" - 2013

GERSON AUGUSTO GASTALDI
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TRINTA PALAVRAS

Sonhei com trinta palavras,
sentimentos, risos, alegrias e afeições,
um misto de dor, saudades, aldravas
na alma, muitos amores e paixões.
Despertei quando mutilavas
o meu pobre coração.

Do seu Livro: "Poemética Ambulante" - 2013

GERSON AUGUSTO GASTALDI
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A BOLHA

No vitral da minha janela
uma sedutora bolha de sabão
pairava viva e fascinante,
semelhante a uma estrela,
revelava na fulgente aparição
seu brilho: um diamante.

Infiltrei meus olhos nela
como viajante da imaginação,
divisei em sutil miragem
uma cintilante cinderela,
pérola alvadia com irradiação
de luzes: plena paisagem.

Neste relume de auréola,
em belos matizes à percepção,
este vulto jazia brilhante
como uma leda aquarela;
era uma bailarina no coração
da bolha: a sorrir silente.

Num rompante de desejo
eu almejei libertá-la do balão;
soprei-o vivaz e risonho,
para romper seu lampejo
dourado e extraí-la da prisão,
mas foi tão-só: um sonho.

Eis que a bolha estourou,
esvanecendo da minha visão
a radiosa figura que mirei;
apenas sua imagem ficou
a bailar na minha feliz ilusão
quando: do sonho acordei.

Do seu Livro: "Poemética Ambulante" - 2013

GERSON AUGUSTO GASTALDI
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TIRE A PEDRA DO SEU CAMINHO

Tire a pedra do seu caminho,
viva e faça a grande travessia
da vida, adquira essa primazia
de liberdade como passarinho.

Saia do ostracismo e seja feliz
sem drogas e vícios daninhos,
narcóticos da alma e espinhos
de ébrios, sonhos de aprendiz.

Liberte-se já da pedra maldita,
escravidão que aliena a razão,
veneno formulado no Averno.

Deixe de ser o quizila parasita,
supere as barreiras do inferno
para ter Deus e paz no coração.

Do Livro: "Tire a Pedra do Seu Caminho - Drogas Não - 2014

GERSON AUGUSTO GASTALDI

NA VIDA IMPORTA A CAMINHADA

Na vida importa a caminhada
longa, árdua e desafiante
para efetuar a grande jornada
neste deserto escaldante;
navegar no alto mar de lamas
que assoma na incerteza,
excursionar sem as azafamas
na sua fibra de grandeza.

Na vida importa o sofrimento
àqueles que não receiam
o pavor da queda no violento
duelo em que guerreiam;
ferem-se e mutilam-se na lida,
não retrocedem por nada
e jamais abandonam a corrida
para evadir em disparada.

Na vida importa um recomeço
do que trilhar no escuro,
mesmo com o terrível tropeço,
é sensato e mais seguro
reparar toda a falsa trajetória
do que padecer na lama;
melhor é ressuscitar à glória
do que abrasar à chama.

Na vida mais vale o percalço
no meio de um caminho,
passar fome e frio no encalço
da paz, a andar sozinho,
atravessado no rumo do vício;
pois o caminho da droga
é curto: só acaba no hospício
ou no fundo d’uma cova.

Do Livro: "Tire a Pedra do Seu Caminho - Drogas Não - 2014

GERSON AUGUSTO GASTALDI
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NO OBJETIVO DO ENGANO

No objetivo do engano os traficantes aliciam
mentes débeis de jovens incautos e bisonhos,
insuflam-lhes fama, sucesso, ilusões e sonhos
a viciá-los em drogas podres que os seduzem.

No objetivo do engano são levados aos picos
da dependência, fraqueza mental e aventuras,
coragem e risos formais de falsas formosuras,
adormecem na esperança de se tornarem ricos.

No objetivo do engano são crucificados vivos,
condenados a venderem a alma à besta do mal,
expõem-se às vergonhas como fracos coitados.

No objetivo do engano eles tornam-se cativos,
frustram-se das suas ambições e desanimados
dos seus ideais, vivem nas sombras, do irreal.

Do Livro: "Tire a Pedra do Seu Caminho - Drogas Não" - 2014

GERSON AUGUSTO GASTALDI
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A VIVER NO MUNDO INTOXICADO

A viver no mundo intoxicado, ser
apenas zumbi sonhando na palma
da ilusão, melhor então é esvaecer
como fumaça no ar e não ter alma.

O melhor então é não se submeter
aos caprichos da breve juventude,
para não definhar e depois morrer
corroído em sua plena vicissitude.

O melhor então é não se profanar
aos desejos mórbidos dos regalos,
falsos mimos da vida a lhe ofertar
narcóticos nos festins de embalos.

O melhor então é não se intoxicar,
ficar à margem das parcas ilusões,
deixar os anos correr para revelar
os danos, desenganos e as paixões.

O melhor então é não se alucinar,
a viver no mundo intoxicado, ver
a linda mocidade fluir e se escoar,
ficar na lama, acordar e não viver.

Do livro: "Tire a Pedra do Seu Caminho - Drogas Não" - 2014

GERSON AUGUSTO GASTALDI
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NA EXCURSÃO AO INFERNO

O expresso das drogas está na estação,
aguarda os passageiros para a viagem
fascinante e sem volta a uma excursão
de psicoses, doenças e muita miragem.

Na plataforma de embarque do tráfico,
o usuário adquire o bilhete do superno
desejo fatal, charme do êxtase mágico
na sua insana peregrinação ao inferno.

No sortilégio que abastece o seu viver,
viaja pelas aventuras da inconsciência,
sonhos e euforia no cenário do prazer
e a parada na estação da dependência.

O expresso segue sua turnê pelo vício
maldito aos que utilizam o transporte
maligno, mas salta em seu precipício
quem embarcou com destino à morte.

Tal peripécia chega à última paragem,
alucinação, letal miséria e desventura,
as drogas cobram seu preço: passagem
cara para a vida se findar numa loucura.

Do Livro: "Tire a Pedra do Seu Caminho - Drogas Não" - 2014

GERSON AUGUSTO GASTALDI
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RECOMECE UMA NOVA JORNADA

Enquanto o tempo não escoa na ampulheta da vida,
nunca é tarde para recomeçar uma nova jornada,
seja repleta de dores e sacrifícios na chegada,
nela, o importante é o seu ponto de partida.

Recomece uma nova jornada para a sua conquista
de vitória sobre a pedra infame que te embaraça
os passos, não pare no caminho, mas rechaça
o vício e as drogas que te ofuscam a vista.

Seja forte e valente, não retrocedas nesta dura luta,
toda batalha que se trave com a força e voragem,
é digna de ser desafiada com honra e coragem
e a vitória ser aclamada no auge da disputa.

Não vacile ante o desafio no obstáculo que encerra,
as maiores conquistas não precedem as batalhas,
mesmo que se perca um duelo sem medalhas,
a pugna só termina quando findar a guerra.

Não permita que essa pedra sobrepuje tua vontade,
nem conceda ser subjugado por vício tão infame,
por tudo que no mundo preze, fuja do vexame,
recomece a nova jornada e viva de verdade.

Do Livro: "Tire a Pedra do Seu Caminho - Drogas Não" - 2014

GERSON AUGUSTO GASTALDI
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NO EXPRESSO DA MORTE

No expresso da morte vianda uma multidão
de seres alucinados, adormecidos e drogados,
são eles escravizados, presos e acorrentados
aos tóxicos, vícios infames para a destruição.

Impotentes e submissos, eles vão ao suplício,
como animais de corte para serem retalhados
e moídos na roda implacável dos degradados;
dores e ranger de dentes se ouvirão de início.

No término da excursão acabam as miragens,
a morte será o único consolo nessa metáfrase,
tudo é sombrio, lúgubres oceanos de mágoas.

No cenário que se descortina estas paisagens
um turbilhão de lágrimas rolará sem tréguas,
descerão ao inferno e contemplarão o êxtase.

Do Livro: "Tire a Pedra do Seu Caminho - Drogas Não" - 2014

GERSON AUGUSTO GASTALDI
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EM ARDIS DE TRAFICANTES

Em ardis de traficantes estão ocultas solércias,
degradantes fantasias na beira de um penhasco,
quimeras engalanadas pelo disfarce do palhaço
a fazer rir e gargalhar sua plateia com malícias.

São redes armadas com muita prática e astúcia,
usam como iscas drogas embaladas e proibidas,
abrem os mercados para muambas pervertidas,
a fim de recolher os grandes peixes na infâmia.

Em ardis de traficantes jovens e crianças caem,
não percebem a estrada mortal com armadilhas,
são mulas e usuários, inexperientes ao mundo.

Ao transitarem por elas não há como voltarem
atrás, assim avançam como loucos, vagabundos
a vagar sem destinos, como lobos em matilhas.

Do Livro: "Tire a Pedra do Seu Caminho - Drogas Não" - 2014

GERSON AUGUSTO GASTALDI
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COM DROGAS ALIENANTES

Com drogas alienantes não se pode acordar,
ver o esplendor da vida em toda a plenitude,
contemplar toda criação e louvar a criatura,
respirar o ar do mato, ouvir pássaros cantar;
não se consegue existir e curtir a juventude,
voar com a beleza do céu, sorrir nas alturas.

Com drogas alienantes a vida é sem sentido,
o corpo definha rapidamente e a força se vai,
o tempo passa como o relâmpago no infinito,
flui toda alegria na ampulheta, lado pérfido
das paixões, o sorriso dantes na face se esvai,
nascem rugas no rosto e aflições no espírito.

Com drogas alienantes se apagam os amores,
tudo se torna frio e rígido como os cadáveres
em geladeiras; o sol se abruma no horizonte;
nos jardins murcham as plantas e suas flores,
as canções são melancólicas e sem prazeres,
e até as estrelas já não reluzem como antes.

Do Livro: "Tire a Pedra do Seu Caminho - Drogas Não" - 2014

GERSON AUGUSTO GASTALDI
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EIS OS RESTOS HUMANOS!

Eis os restos humanos!
De seres racionais, pensantes criaturas passionais,
hoje estão na lama e estirados nas ruas de ilusões.
São restos desumanos,
De homens, mulheres, adolescentes, entes mortais,
hoje estão no submundo das drogas e corrupções.

Eis os restos profanos!
De servos, escravizados, dependentes dos tóxicos,
hoje são viciados e drogados por ratos traficantes.
São restos de insanos,
Cidadãos devastados, já destruídos pelos tráficos,
hoje são vítimas do brutal veneno, ervas viciantes.

Eis os restos terrenos!
De pessoas fracas, ingênuas, pretensas aos desejos,
hoje são farrapos de gente, vagabundos e errantes.
São restos tiranos,
De almas geradas e lançadas às chamas e lampejos,
hoje são chispas na escuridão, dispersas, chocantes.

Do Livro: "Tire a Pedra do Seu Caminho - Drogas Não" - 2014

GERSON AUGUSTO GASTALDI
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JAMAIS VALE A PENA

Jamais vale a pena ver a mocidade
nas veredas das tristes alucinações,
vagar nas fúteis e sombrias ilusões
das drogas, infrutífera obscuridade.

Jamais vale a pena vegetar na vida,
na dependência de vícios mórbidos
a embaçar de sentimentos sórdidos
os autênticos ideais de uma dádiva.

Jamais vale a pena corroer a saúde,
o encanto da juventude e da beleza;
privar-se da prosperidade e riqueza,
para enterrar-se em triste torpitude.

Jamais vale a pena deixar o bendito
lar para vagar pela rua da amargura,
intoxicar-se na devassidão obscura
das ervas e sorver o cálice maldito.

Jamais vale a pena o preso, viciado,
escrachado como verme, ser abjeto,
pisado e esmagado como um inseto
no infame submundo a ser cuspido.

Do Livro: "Tire a Pedra do Seu Caminho - Drogas Não" - 2014

GERSON AUGUSTO GASTALDI
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AS DROGAS DO GEENA

As drogas do Geena são tantas e infestam a Terra,
são heras, lavouras sobre o solo, plantações afora,
crescem e florescem em brotos, flores e sementes,
são raízes daninhas, cogumelos e folhas fumantes.

As drogas do Geena varrem toda a crosta terrestre,
são perniciosas, colhidas em canteiros ou silvestre,
são transformadas em barbitúricos e alucinógenos,
decompostas por laboratórios, tornam-se venenos.

As drogas do Geena não se prestam à humanidade,
alienam os jovens às dores, violência e degradação,
não curam e nem salvam o homem dos seus males.

As drogas do Geena são frutos doces à imaginação,
ao serem ingeridas ou inaladas arrastam aos vales
da morte e maldição, destino final da sua perdição.

Do Livro: "Tire a Pedra do Seu Caminho - Drogas Não" - 2014

GERSON AUGUSTO GASTALDI
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