Fabrício Hundou - um autor desconhecido.

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AMÉM

Anos atrás
Eu me enforquei
Em tuas cordas vocais
Estou falando mal
Do meu bem
Quem diria
Agora é quem diz
Tudo termina em amém

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RAN(CORES)

Toda saudade
Vira edema
Em pele
De amores
Tatuáveis

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A poesia é o meu selfie.

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HABITO EM HÁBITOS

"Habito em hábitos, na teimosia segura de morar num futuro de aluguel. Minha angústia é saber que, algumas coisas, não têm parede, teto e nem chão. É o ponto cego, de todo nítido, achar que há forma feita para a imensidão. As escadas estão nas coisas sem muito nome - a casa mais segura é o coração."

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A LÁGRIMA DO POETA

A lágrima do poeta
É gota
Que emana dum rio
Que não se esgota
Depois dos choros
Pois cheiram a chuva
Lavando as ruas
De qualquer alvoroço

Fabrício Hundou - um autor desconhecido.
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A LUTA

"Vá em paz, meu velho pai, que Deus lhe espera com a paciência que, os dias de calor, pouco lhe deram. O teu nome - forte, em todos ecos da pronuncia - agora é clamado pelos nossas bocas ressecadas. Os nossos dias prosseguirão nos leitos dos rios que fluem, e rolam frouxos, em cada crivo das tuas rugas. As nossa diária luta marcial já nos prepara aos lutos e relutâncias. Vá, meu pai, que o que é teu vai romper as gerações famigeradas. Nunca hei de me dar ao hiato, pois teu timbre treme todo meu corpo. Respeitável seja a tua ida - que, agora, vem para sempre."

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CABIDE

"Vá ao cabide, pendure a tua espinha dorsal. Entre estar vestido de trapos ou de nobres tecidos - mas cheio de entrelinhas -, fique despido e exibindo, somente para o espelho que não existe, as pobres curvas do hiato remendado."

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BRECHA

Já tem é tempo
Que eu sumi das brechas
Se quiser me ver
Tem de ser na flama da pele
E vir com o coldre
Sem flechas
Sem pressa
Sem volta

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REZA

Peço
Que me leia
Nalgum momento
Antes da ida
Pois
Para quem não
Me ouvia
Rezo
Poesia
Toda
Dia

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MÉTODO

Meu coração
Mandou lhe dizer
Que não se enquadra
Nas normas técnicas
Dessa tal de ABNT

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CRU

Nem assim
Nem assado
Eu quero é cru
E pronto

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AS ÂNCORAS VOAM

"Passa um navio, na minha avenida, navalhando - em garatujas - todo o piso que se estende. Navega sem levantar poeira, mas se anuncia em buzinadas de timbre marítimo, tão alto que, quem grita, só se ver por lágrimas. Nele, que nunca lhe disse antes, agora embarca o único que sabe bem dos meus segredos. No entanto, se o segredo vai embora, já não há de se existir. As âncoras voam, lá vai o meu peso se partir. E se, desse remorso, ainda houver motricidade, que seja para que o meu navio só naufrague quando chegar ao céu."

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NOITE EM PÁLPEBRAS II

"Há muitos tons amarelados em árvores, muros sem tinta e no cinza asfalto. Bitucas de cigarro caem beijadas, pintadas de vermelho cereja. As latas de cerveja brilham foscas, tal como o céu tem a catapora incandescente. Passam muitos homens indecentes, assoviando ao passo ligeiro delas. Elas por elas. Os carros parecem andar sozinhos. Não há ninguém do lado de fora dos limites da infinitude. Talvez, seja aí, que eu participe da história. A noite não tem insônia - boceja e sorri sem parar as horas."

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ALFA(F)ETO

Quem colocou as letras
Em ordem
Metodizando a distância do "A" ao "Z"
Por favor me ajude
Pois pra esse amor
Eu não sei mais
O que dizer

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DOR DE UNHA CURTA

"Até vento tem aberto as minhas portas e, você, só posterga o sopro. Do fôlego, o hálito ferroso faz ferrugem na carne dura, toca na filarmônica de nosso hiato. Essa saudade só perdura, doendo mais que dor de unha curta."

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LIVR( )

"Se Deus me livrar, eu viro livro!"

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TREMOR AMOR

"O estremecimento da indumentária, lençol de minha carne e osso, cobre a saudade a amarrotada desse teu pescoço. Coço os frágeis fios de toda a palma. Um abalo sísmico propagando no meu queixo. Se é catástrofe ou catarse: fico assim quando te vejo."

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EU NUNCA VOU SABER O NOME

"Calaram-se os calores de pronúncias e ritos, depois de muito se gastar a fartura daquilo que nunca sentimos tanto. Acabou em um raso tempo. Só não era mais curto do que a pouca unha, ainda, não roída. No rosto, o rastro do tudo e do nada seguiram os mesmos riscos. Por fim, perdemo-nos em bálsamos, mágoas e bauxitas - ou, talvez, em tantas outras coisas qu'eu nunca vou saber o nome."

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"Eu quero entrar na dança que amarra o teu cabelo."

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FÉ NA CIDADE

A felicidade
Do meu povo
Está estampada
Em sacolas
De sorrisos
Biodegradáveis

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FINADOS
AFINADOS
DESAFINADOS
DESAFIADOS
FIADOS

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FUTURO DE ALUGUEL

Me diga qual é o preço
Para morar no futuro
Que é pra ver se eu parto
Ou continuo com tudo
Me diga quanto quanto é
Já faz tempo
Eu estou pronto
Se custar mais alguns dias
Vou nem que seja
Pra alugar

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BRINCO

"Meu bem, não conte pra ninguém: se eu brincar em sua orelha, viro brinco - ou refém".

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"Para o sim e para o não: chão..."

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KAROKÊ

É normal pra você
Ter dias
Tão sem nexo
Quanto um clipe
De karokê

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