Edgar Fonseca
Quando em política algumas pessoas passam de seres pensantes a meros seres existentes é porque o vício pelo poder já os consumiu e personagem é quem vive e consome a mente do ser real.
Quando um político começa a esforçar o povo a acreditar que a sua convicção é a convicção da maioria é altura ideal para avaliar a sua sanidade mental.
A melhor terapia de um político deve refletir-se na satisfação do bem que faz para o seu povo e, não na desilusão de governar sobre a desgraça dos seus eleitores.
Fecham-se as cortinas de mais um ciclo político anual, a população esperançosa entoa o hino de miséria, fazendo fé que o próximo ano será melhor do que este que agora termina.
O ruído dos bairros e aldeias que hoje visitei fustigam a mente, por saber que amanhã aqueles aldeãs continuarão a viver a mesma vida que hoje.
A miséria quando faz parte da vida de um povo, o convívio com ela todos os dias, ainda se afigura uma novidade para os seus consumidores.
O povo não mais lamenta por ser miserável, lamenta muito mais, porque até a miséria lhes é retirada.
O silêncio do povo que vive na miséria acaba sendo a sua arma de vitória, pois, quanto menos pensa e fala, menos fome sente e mais vida conserva.
Quando um povo sonha com o desenvolvimento e, nada faz para que o País avance, este povo está condenado a viver sobre o sudário pesado da sua inação e falta de comprometimento político e social.
Nenhum pescador consegue sozinho puxar uma rede cheia de peixes, assim como, nenhum político consegue sozinho desenvolver a sua Nação sem qua haja o engajamento profundo do povo.
A dor da sensatez nos aniquila a todo momento, ainda que queiramos silenciar a voz da dor, ela nos acompanha em tempos menos esperados.
Queria não olhar para trás e pensar na honra de viver na honestidade, mas, dou por mim a observar o tempo e agradeço por ter sido sempre fiel as minhas convicções e aceitar viver na honestidade e fidelidade humana.
Julgam-nos pelo bem que fazemos e admiram-nos pelo mal que nos fazem e pela destruição que nos causam.
Com o tempo apercebi-me que eu era apenas o mar sobre o qual muitos navegavam a procura de satisfazerem os seus interesses, mas, ainda assim, deixei que o tempo me levasse para onde as ondas das atitudes dos humanos me guiassem.
Quando somos apenas uma ponte para muitos passarem para o lado da satisfação pessoal, começamos a ser julgados sem nunca termos cometido quelquer acto ilícito ou de carácter anormal.
Cada dia somos menos humanos e mais instrumentos, pois, o mundo desinteressado do sentimental está cada vez mais a desaparecer e a dar lugar ao materialismo exarcebado.
As guerras ideológicas fomentadas pelo mundo são a fórmula perfeita encontradas pelos Países ditos desenvolvidos, para delapidarem de forma diplomática as riquezas dos Países fracos, ditos pobres.
O paradoxo universal é que a África é conhecida como um continente vulgarmente pobre, mas, a verdade mesmo é que tem sido a África desde os descobrimentos quem sempre sustentou e sustenta o mundo com as suas riquezas.
O nosso desenvolvimento pessoal não depende do mundo exterior, depende dos objectivos que traçamos para a nossa vida e das escolhas que fazemos.
Cada profissional tem de ser na sua área de actuação a mola impulsionadora para o desenvolvimento pessoal de quem consigo priva na vida.
Não se atravessa o mesmo mar tenebroso duas vezes a menos que a tempestade aí vivida não tenha servido de lição.
Quando o clima parece não estar a favor dos seus objectivos, não insista, apenas comece uma nova caminhada que tudo o que parece não estar certo num instante se ajusta.
