Dê
1826 -
1850 do total de 108800 pensamentos de Dê
A variação quantitativa de tensão da realidade originária dá origem a todas as coisas.
Vive mal quem só vive para si.
Preocupa-nos mais que falem de nós, do que a maneira como falam.
Qualquer povo defende sempre mais os costumes do que as leis.
O avarento mais preferiria que o sol fosse de ouro para o cunhar, do que ter luz para ver e viver.
O deleite imaginado é muito maior que o gozado, embora nos verdadeiros gostos deva ser o contrário.
O que ganhamos em autoridade, perdemos em liberdade.
A poesia é a linguagem natural de todos os cultos.
Por mim, teria evitado casar até mesmo com a sabedoria, caso ela me quisesse.
O homem sem paciência é como uma lamparina sem óleo.
A diligência é a mãe da boa sorte.
Num Estado, isto é, numa sociedade onde há leis, a liberdade só pode consistir em poder fazer-se o que se deve querer e em não estar obrigado a fazer o que não se deve querer.
Os homens têm grandes pretensões e projectos pequenos.
O pensamento da morte engana-nos, pois faz-nos esquecer de viver.
O homem que despreza a opinião pública é muito tolo ou muito sábio.
Fica provado que uma inovação não é necessária quando se torna demasiado difícil implementá-la.
A razão também tiraniza algumas vezes, como as paixões.
Os acontecimentos políticos humilham e desabonam mais a sabedoria humana que quaisquer outros eventos deste mundo.
Todos reclamam reformas, mas ninguém se quer reformar.
Mors Amor
Esse negro corcel, cujas passadas
Escuto em sonhos, quando a sombra desce,
E, passando a galope, me aparece
Da noite nas fantásticas estradas,
Donde vem ele? Que regiões sagradas
E terríveis cruzou, que assim parece
Tenebroso e sublime, e lhe estremece
Não sei que horror nas crinas agitadas?
Um cavaleiro de expressão potente,
Formidável, mas plácido, no porte,
Vestido de armadura reluzente,
Cavalga a fera estranha sem temor:
E o corcel negro diz: "Eu sou a morte!"
Responde o cavaleiro: "Eu sou o Amor!"
Fazemos ordinariamente mais festa às pessoas que tememos do que àquelas a quem amamos.
A sabedoria é geralmente reputada como pobre, porque não se podem ver os seus tesouros.
É mais fácil refutar erros que descobrir verdades.
Não há livro tão mau que não tenha algo de bom.
Não falar para o seu século é falar com surdos.