Dê
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Os abusos, como os dentes, nunca se arrancam sem dores.
Nas desventuras comuns, reconciliam-se os ânimos e travam-se amizades.
Nunca melhora o seu estado quem muda só de lugar mas não de vida e hábitos.
O erro máximo dos filósofos foi pretender sempre que os povos filosofassem.
O nascer não se escolhe e não é culpa nascer do ruim, e sim imitá-lo; e é culpa maior nascer do bom e não imitá-lo.
O dever dos juízes é fazer justiça; a sua profissão, a de deferi-la. Alguns conhecem o próprio dever e exercem a profissão.
Nas mulheres, a resolução é difícil, a execução é fácil.
A experiência que não dói pouco aproveita.
O medo faz mais tiranos que a ambição.
Que verdades conhecia o morto?
Quem estrangulou
sua palavra?
A honra quer dizer o preconceito de cada pessoa e de cada condição.
Ninguém é mais adulado que os tiranos: o medo faz mais lisonjeiros que o amor.
Os grandes, os ricos e os sábios sorriem-se: os pequenos, os pobres e os néscios dão gargalhadas.
Os velhos doidos são mais doidos do que os novos.
Tudo o que não é paixão tem um fundo de aborrecimento.
A pobreza não tem bagagem, por isso marcha livre e escuteira na viagem da vida humana.
Não desespereis na desgraça, ela é frequentes vezes uma transição necessária para a boa fortuna.
Na admissão de uma opinião ou doutrina, os homens consultam primeiramente o seu interesse, e depois a razão ou a justiça, se lhes sobeja tempo.
A dialética do interesse é quase sempre mais poderosa que a da razão e consciência.
Os que não sabem aproveitar o tempo dissipam o seu, e fazem perder o alheio.
Se a pobreza é a mãe dos crimes, a falta de espírito é o seu pai.
De todos os sentimentos, o mais difícil de simular é o orgulho.
Só o silêncio é grande, tudo o mais é fraqueza.
Um político de gênio, quando se encontra à frente dos negócios públicos, deve trabalhar para não se tornar indispensável.
Podemos estrangular os clamores, mas como vingarmo-nos do silêncio?.