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O interesse forma as amizades, o interesse dissolve-as.

O sonho da razão produz monstros.

Francisco de Goya

Nota: Título de uma obra de arte do pintor espanhol.

Muitas pessoas se prezam de firmes e constantes que não são mais que teimosas e impertinentes.

A utilidade da virtude é de tal modo evidente que os maus a praticam por interesse.

O homem mais sensível é necessariamente o menos livre e independente.

Os que têm tentado reformar os costumes do mundo, no meu tempo, com opiniões novas, reformam os vícios da aparência; quanto aos da essência, deixam-nos intactos, quando não os aumentam.

O mundo não deve ter fronteiras, mas horizontes.

Ensinam-nos a viver quando a vida já passou.

É preciso que um autor receba com igual modéstia os elogios e as críticas que se fazem às suas obras.

Num povo ignorante a opinião pública representa a sua própria ignorância.

Há que, na medida do possível, prestar favores a todos: quantas vezes não precisamos de quem é menos do que nós.

O silêncio, ainda que mudo, é frequentes vezes tão venal como a palavra.

Telha de vidro

Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha...
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha...

A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...

Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que - coitados - tão velhos
só hoje é que conhecem a luz doa dia...
A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.

Que linda camarinha! Era tão feia!
- Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar, sem um clarão...
Por que você na experimenta?
A moça foi tão vem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!

A fé é a consolação dos miseráveis e o terror dos felizes.

Fazemos ordinariamente mais festa às pessoas que tememos do que àquelas a quem amamos.

Vive mal quem só vive para si.

Poucas vezes quem ganha o que não merece, agradece o que ganha.

Não ser amada é uma desventura; mas deixar de sê-lo é uma afronta.

A atividade sem juízo é mais ruinosa que a preguiça.

O luxo, como o fogo, devora tudo e perece de faminto.

Das mulheres, como das outras coisas, usa; não te fies, porém, nelas.

Nada, absolutamente nada resiste ao trabalho.

A imaginação exagera, a razão desconta, o juízo regula.

Despendo mais energia numa discussão com a minha mulher, do que em cinco conferências de imprensa.

A igualdade repugna de tal modo aos homens que o maior empenho de cada um é distinguir-se ou desigualar-se.