Clarissa Corrêa
Acho que quando tem que ser, simplesmente é. É simples, é inteiro, é intenso. Não tem linhas em branco, nem mágoas escondidas atrás das portas.
Que essa semana seja tranquila, que possamos cumprir nossas metas, que nada nos atrapalhe, que nenhuma queda nos arranhe, que o amor predomine, que ninguém tente nos tirar do foco, do prumo e do rumo.
Não merecemos uma pessoa que não sabe o quer. Merecemos certezas. Merecemos que seja recíproco. Não queremos alguém que nos bajule o tempo todo. Não precisa abrir a porta do carro, oferecer diamantes, pagar o jantar. Só precisa ser sincero. E real. E principalmente, se entregar por inteiro. Porque não estamos aqui pra receber metade de nada.
Mas senti a sua falta. Falta de morar no abraço, da gente se perder no silêncio, da sua presença. Se me perguntassem em que lugar eu quero morar eu com certeza diria que é dentro do teu abraço. Não existe lugar mais confortável, quente, cheiroso e acolhedor. E eu me sinto segura, em paz, protegida, sem medo. Deve ser por isso que gosto tanto de colocar a cabeça lá dentro e ficar bem quietinha. Dessa forma ninguém me acha, a não ser quem efetivamente precisa me encontrar. Mas essa pessoa, bem, ela nunca, nunca me perde.
Ela gosta do seu jeito manso e doce. Do seu lado carente e delicado. E da sua postura de homem firme. E tem ciúmes de você. Ela gosta das suas palavras carinhosas e do seu lado divertido. Do seu jeito infantil de não saber lidar com pequenos contratempos. De como você fica cheio de manha quando está doente. De você como um todo.
Eu falho, não consigo dar conta de tudo, tem vezes que acho que não vou aguentar, piso feio na bola, erro pra valer. E não consigo muitas vezes lidar com meus sentimentos, sonhos, anseios. Não consigo lidar com minha felicidade. Pode? Sim, pode.
Mas o amor, o amor mesmo, o amor maduro, o amor bonito, o amor real, o amor sereno, o amor de verdade não é montanha-russa, não é perseguição, não é telefone desligado na cara, não é uma noite, não é espera. O amor é chegada. É encontro. É dia e noite. É dormir de conchinha. É acordar e fazer um carinho de bom dia.
Mas senti a sua falta. Falta de morar no abraço, da gente se perder no silêncio, da sua presença. Se me perguntassem em que lugar eu quero morar eu com certeza diria que é dentro do teu abraço. Não existe lugar mais confortável, quente, cheiroso e acolhedor. E eu me sinto segura, em paz, protegida, sem medo. Deve ser por isso que gosto tanto de colocar a cabeça lá dentro e ficar bem quietinha. Dessa forma ninguém me acha, a não ser quem efetivamente precisa me encontrar. Mas essa pessoa, bem, ela nunca, nunca me perde.
Quando o mundo parece um lugar absurdo e cheio de crueldade, desamor e falta de perspectiva, apenas fecho os olhos. Respiro fundo, procuro visualizar uma cena bonita, busco no baú de pensamentos o que acalma, traz o sorriso e a serenidade outra vez. E assim, devagar e com uma esperança no canto dos olhos, procuro acreditar que tudo vai se transformar para melhor.
Um dos meus maiores defeitos é a falta de fé. Em mim, nos outros, no que virá. Por mais que a gente se esforce uma hora a esperança dá as mãos para um ponto de interrogação. Por mais que a gente queira uma hora a dúvida surge e sacode toda aquela certeza consoladora de que tudo termina bem.
“Uma hora passa, dizem. Uma hora o tempo cura, insistem. E eu espero, sinceramente, que passe. Porque se não passar eu não sei o que vou fazer.”
"Não adianta ficar refém do medo. Independente dele, as coisas vão ou não acontecer. Não faz sentido ficar martelando no "e se" ou no "talvez". Na maior parte das vezes eles só atrapalham a vida e causam rugas precoces no meio da testa."
“Resolvi fazer um trato comigo mesma: deixar o passado pra lá. O que aconteceu já foi e não posso fazer nada, nem lamentar. Não faz sentido sofrer por ter ouvido uma coisa chata, por ter feito alguma burrada, por ferir ou ter sido ferida. Por isso, hoje me desculpo, te desculpo e nos desculpo por todas as vezes em que fomos impacientes e pouco tolerantes um com o outro. Não vale a pena fazer tudo isso se arrastar dentro do peito por anos a fio. Os sofrimentos, se não formos atentos, se multiplicam de forma assustadora.”
Amar é andar de mãos dadas por esse labirinto estranho e mágico que é a vida. É não perder o outro de vista, mas deixá-lo respirar quando preciso for. É enfrentar o medo do abismo, da verdade, da dúvida, da certeza. É abraçar apertado para curar as dores, tristezas, insucessos. É dar um sorriso bobo e inocente no meio do dia, simplesmente por saber que o outro existe.
Percebi que a minha melhor amiga sou eu e que tem coisas que a gente nunca deve dizer para ninguém, nem para o terapeuta. Também percebi que, assim como eu, as pessoas também mudam com o tempo. É uma pena que algumas mudem para pior. Mas a decepção faz parte da vida. Isso eu também aprendi.
(…)Um dia você sai de casa. Leva a caixinha de recordações com fotos, bilhetes, coisas importantes. E sai tentando achar seu lugar no mundo, tentando se encontrar, tentando pelo menos buscar alguma coisa, nem que essa coisa não tenha nome, nem que você não saiba ao certo para qual lado seguir. Mas você vai, pois sabe que é preciso virar adulto, ganhar o mundo, caminhar, caminhar, caminhar.
Às vezes você se machuca e acha que era bem mais fácil ser criança, pois era tão cômodo aquele tempo em que voltava correndo para casa, chorando, dizendo manhê-briguei-com-a-minha-amiga-na-escola. Então, você descobre que cresceu, que tem roupa pra lavar, tem casa pra cuidar, tem uma vida pra tocar. E isso tudo só depende de você. É você e você mesmo. Você e seus fantasmas. Você e seu anjinho. Você e seu diabinho.
Em um determinado momento, a gente começa a analisar quantas coisas boas já aconteceram. Quantas pessoas legais já passaram pela nossa vida. Quantas pessoas de verdade nos marcaram. Quantas pessoas realmente ficaram. Com quantas pessoas você pode contar, afinal, a vida é um eterno afastamento. E, mesmo que se afaste de todo mundo, você jamais pode se afastar de você mesmo.
Este ano não começou muito feliz. Alguns contratempos me tiraram do eixo, colocando um peso nos meus ombros.
Demorei para relaxar, para entender, para aceitar que muito só depende de mim, mas tem uma outra grande parcela que depende do outro, depende da situação e depende da vida.
Eu, que não acredito em acaso, xinguei o destino. E resolvi me recolher, pensar, tentar procurar o meu erro, desviar das pedras, vislumbrar uma luz no meio do caos.
Nem sempre é bom olhar pra dentro, já que o processo da auto-aceitação é dolorido e um pouco perigoso. Mas resolvi me aceitar, resolvi parar de mentir para minha consciência, parar de fingir que nada estava havendo.
Muita coisa aconteceu. Morri e ressuscitei. Entendi que não preciso controlar tudo, nem querer tudo do meu jeito. Eu, tão acelerada e louca, resolvi relaxar. Não foi, nem é, fácil. Uma pessoa como eu, acelerada e louca, tem a sensação constante que os ponteiros do relógio correm a maratona de São Silvestre, que nunca vai dar tempo, que é preciso correr, que o sinal vai estar fechado, que nada vai dar certo. Só que eu cansei de ser acelerada e louca. Quero ser calma e menos louca, já que a loucura mesmo não tem cura. Quero conseguir não me sentir culpada por dizer eu-não-dou-conta. Quero não ter vergonha de pedir ajuda. Quero não ficar com peso na consciência por dormir uma hora a mais, por esquecer de tomar suco verde, por matar o pilates, por atrasar um trabalho, por dormir sem passar a vitamina C no rosto, por ter esquecido de ligar pra uma pessoa querida, por pelo menos uma vez quebrar todas as regras, por dizer aquilo que está engasgado sem pensar se magoei, por falar mal da vizinha, por passar o dia de pernas para o ar, por gastar uma nota numa bolsa, por ler revista de fofoca, por esquecer do tempo.
Este ano está terminando feliz. Finalmente perdi alguns medos, conheci lugares meus que estavam trancados no escuro, libertei algumas crenças, abri a janela para alguns traumas voarem. Já estava mais do que na hora deles partirem. Já estava mais do que na hora de eu encontrar o meu lado mulher. Este ano está terminando feliz: foi o ano que eu mais cresci como ser humano. Obrigada, 2014. Nunca vou te esquecer.
Não quero mais viver com você. Nosso relacionamento já virou rotina, uma rotina estafante e doentia. Ao seu lado, me sinto presa, refém de sofrimento, dor, desilusão. Não encontro uma saída para esse nosso impasse. O único jeito é seguirmos caminhos diferentes. Por isso, por favor, arrume suas coisas e vá embora da minha vida. Tenho certeza que seremos muito mais felizes vivendo separados, cada um em um canto, cada um com sua história, cada um do seu jeito. Preciso confessar: nunca combinamos.
Em alguns momentos, cheguei a pensar que te merecia. Pensei que tinha feito algo errado e me vesti com velhos clichês: "joguei pedra na cruz", "devo ter feito algo muito errado", "a dor ensina a gemer", "onde foi que eu errei?". Lamento informar, mas não. Eu não fiz nada errado. Não joguei pedra na cruz, não errei, não tenho que aprender a gemer e conviver com essa dor. Sou como qualquer outro ser humano: mereço ser feliz, mereço amar e ser amada, mereço cuidar e ser cuidada, mereço saborear a felicidade sem medo que um golpe forte me tire as forças e a valentia.
Por outro lado, essa sua insistência em permanecer ao meu lado me fez perceber o quanto sou fraca. Não me impus o suficiente, não te afastei com tanta força, não te expliquei os meus motivos. Mas nunca é tarde para recomeçar. Por isso, ouça bem o que digo agora: chega. Cansei de tudo isso, não quero mais viver sufocada desse jeito, não quero mais te obedecer, ficar de cabeça baixa me achando uma vítima, aceitar essas sensações desagradáveis que você me proporciona. Você me aprisiona, me desespera, me faz de gato e sapato, me amedronta, me suga, me fere.
Não quero mais ser uma marionete nas suas mãos. Não quero mais viver com essa dor que me tira o eixo, o ar, a perspectiva, a esperança e a fé no futuro. Você precisa parar. Precisa parar agora. Precisa parar já. Não quero passar a vida nesse labirinto de medo, andando em círculos e procurando uma luz no fim do túnel. Não quero mais viver colada em você. Não quero que você seja um fantasma horroroso que vive a me assombrar, que fica esperando um passo em falso para me raptar e levar para um mundo escuro e cheio de barro.
Você precisa aceitar que nunca te pertenci. Não quero mais ouvir sua voz, seus passos, sua respiração. Não quero mais sentir o coração disparar assustado, perder o chão, a hora, a razão. Não quero mais derramar lágrimas de desespero e solidão. Não quero mais tentar fugir da vida, pelo contrário: quero me sentir bem o suficiente para vivê-la da melhor forma possível. E isso, definitivamente, não te inclui, já que você não está convidado a visitar o meu futuro. Então, por favor, se retire e nunca mais volte. É para o nosso bem.
