Clarissa Corrêa
“Sempre achei importante a gente ter alguém pra segurar a nossa mão pra dizer que tá tudo bem, por mais que o mundo esteja um caos e tudo pareça confuso. Mas me pergunto até que ponto as coisas são suficientes, até que ponto as pessoas bastam, até que ponto sua mãe, pai, irmã, amigo, namorado, cachorro servem. É claro que eles servem, não me interprete mal. Mas até que ponto eles suprem as suas necessidades. Existem coisas que são só nossas, isso ninguém tira. Por isso muita gente faz terapia, toca violão, pinta, escreve, corre. A gente precisa de uma válvula de escape da gente mesmo e dos outros.”
“Nem todo mundo está na mesma sintonia que você. E isso não é errado, é o jeito de cada um.Não adianta você querer fazer tudo ou querer que o outro queira o que você quer. Ninguém pode ser forçado a nada. Seja a ler um livro,concordar com uma ideia ou mudar. A gente muda quando (e se) quiser. Você não pode querer que as outras pessoas sintam como você,sejam como você, que as coisas tenham a mesma importância para os outros que têm para você.Esse é o grande desafio da vida. Boa sorte.
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Lembro de sentir um medo enorme. Vou, não vou? Lembro da mistura de ansiedade com algum sentimento sem nome ou explicação. Eu sabia e não sabia. Não sabia e tinha medo de descobrir. Lembro de sentir um frio na barriga, de pensar em desistir, de tomar Smirnoff Ice e dois chopps. Lembro de cuidar a hora, de sentir o atraso andar rapidamente e de achar uma pequena brecha, desculpa ou seja lá o que for pra ir embora. Lembro de sorrir de vergonha, de não saber o que fazer com as mãos, de falar daqueles 15 minutos intermináveis e deixar claro que eu ia, sim, embora. Lembro de tudo isso desaparecer no momento em que olhei no fundo do teu olho. Lembro de ter perguntado se teus olhos eram verdes, a sala ficando escura. Lembro de agarrar forte a bolsa, da luz apagar completamente, da gente ir conversando mais perto, sentindo o calor um do outro. Eu lembro de muitas sensações que me amordaçavam e embaralhavam docemente o meu estômago. Lembro de sentir uma mão na minha, de um carinho bom e de um quê de segurança. Lembro de chegar perto, de ouvir teu coração. Lembro de, a partir daí, esquecer de lembrar de alguma coisa. Lembro da tua boca suave, da tua língua quente, da tua pele com cheiro bom, do teu beijo na testa, do nosso abraço. Lembro de ficarmos abraçados, como se aquele momento fosse virar eternidade. Um pré-roteiro, uma pré-história. Fixação de um sentimento. Eu lembro.
Lembro da mensagem que eu recebi, da sequência absurdamente deliciosa de e-mails, das euforias tranquilas dos primeiros encontros. Do pedido de namoro, dos primeiros segredos e confissões. Eu lembro de sentir medo, lembro de pensar em desistir. Lembro de saber que eu nunca mais seria a mesma, que a minha vida mudaria, que eu reencontraria parte de mim e me apresentaria a uma Clarissa nova ou velha, quem sabe? Lembro de conhecer o significado do amor, do sexo, da vida, do encanto. Porque amar é se encantar com pequenas coisas, coisas pequenas que se juntam e ficam compridas.
Lembro de relaxar, de seguir um conselho sábio e me atirar do precipício. Lembro de ter um homem cheiroso e barbudo, com um abraço que é casa e com um olhar que faz tudo de ruim desaparecer, estar lá embaixo me esperando, só pra me segurar com braços acolhedores. Lembro de sentir uma dor estranha por achar que tudo, um dia, pudesse desaparecer. Lembro de um eu te amo que ouvi, numa manhã, ao acordar. Foi e vai ser sempre o eu te amo mais bonito que já saiu da tua boca. Lembro da tua boca bonita dizendo pra eu não sentir medo, pra confiar no teu sentimento. Lembro de tentarem fazer com que eu atirasse o nosso amor bonito pelo ralo.
Eu lembro, amor. De tudo, cada passo que a gente deu para as diversas direções que já fomos. Lembro das brigas também. Lembro de pensar que o amor é perfeito, que bobeira, o amor é pura imperfeição. Perfeitos só os casais do comercial da Becel (sem sal), te disse isso ontem enquanto estávamos deitados, com os olhos vermelhos de chorar por um desentendimento bobo. A maioria deles foram bobos, parte deles virou piada. Lembro da gente não deixar o silêncio e o mal resolvido virarem mágoas e rancores. Lembro de esquecer tudo com um abraço. Lembro de uma vez te dizer pra pensar em como seria a vida sem mim. Lembro de ter ouvido que a situação foi pensada. Lembro disso ter me doído, porque essas coisas machucam fundo a gente. Lembro de ter me arrependido de coisas que eu disse, lembro de pedir desculpas, lembro que algumas coisas a gente não esquece, amor.
Lembro de já ter ficado triste por te deixar triste. Lembro de me sentir mal com isso. Lembro dos momentos em que a gente foi bobo e feliz. Lembro que sou feliz a maior parte do tempo, pelo simples fato de você existir em mim. Lembro de descobrir que um sentimento não serve para ser dito, como coisa que fica bem em filme ou texto, ele tem que ser vivido de forma plena. Lembro de não conseguir me permitir sentir tanta felicidade assim. Lembro da tua mão, que sempre acha a minha. Lembro dos teus dedos, que sempre me fazem carinho. Lembro da tua boca, que sempre me acalma. Lembro do teu rosto de menino, que me olha como se ainda fosse aquela primeira vez. Lembro de cada coisa que descubro, manias, gestos, pensamentos.
Lembro dos nossos planos, conversas em tardes ou noites, sonhando com algo que a gente batizou de Futuro. Lembro que os quadrinhos da Coca são teus e que eu vou comprar a televisão. E, eu sei, ela tem que ser e-nor-me. Lembro do nosso manjericão dodói e dos nossos filhos verdemente apeluciados. Lembro do nosso plano de um dia ter um cantinho, uma casinha pra chamar de nossa. Lembro dos nossos projetos de viajar, conhecer lugares, aproveitar cada canto do mundo. Lembro que um dia o Oscar vai chegar pra encher a nossa vida de lambidas e pelos. Lembro que um dia um bebê branquinho, loirinho e de olhos claros, lindos como os teus, vai chorar no meio da noite e um de nós vai ter que levantar. De todas as realidades por mim sonhadas, você é a melhor. De todos os meus sonhos, você é o mais real. Eu poderia passar 23 eternidades te vendo dormir, de tão bonito que você dorme. Aprendo com você todos os dias, sei que ainda existe muito mais. E toda a vez que eu olho fundo no teu olho, eu penso nossa, eu amo esse homem, é com ele que eu quero passar o resto da minha vida. Quero que ela seja longa, muito longa, só pra poder ficar mais tempo ao teu lado.
Espero que você me perdoe. Nem sempre sei como agir. Às vezes machuco com o que deixo de dizer ou com aquela palavra que sai apressada pela boca. Espero que você me aceite. Não consigo ser melhor em tudo, mas faço o que está ao meu alcance. Espero que você me compreenda. Às vezes tenho preguiça ou falta de vontade. Me desculpe por ser assim. Espero que você me acolha. Não gosto de admitir, mas sou sensível ao extremo e cheia de fraquezas e fragilidades. Espero que você me admire. Gosto quando seu olhar brilha com minhas conquistas, ainda que sejam pequenas demais perto dessa imensidão que é o mundo. Espero que você me dê apoio. Sei que a vida é muito melhor quando nos dividimos e seguramos bem forte um a mão do outro. Espero que você realmente me veja como sou. E mesmo assim me ame. Espero que você seja livre. Você não me pertence, eu não te pertenço. Estamos juntos para trocar, amar, cuidar, crescer e aprender. Você é do mundo. E se algum dia tiver que partir não vou te prender. Mas vou seguir te amando.
Espero que eu me encontre. Sei que muitas vezes a vida faz com que a gente se perca, se deixe, esqueça do que é importante. Espero que eu mantenha a calma. O dia a dia e as adversidades fazem com que nem sempre eu lembre de respirar e relaxar os ombros. Espero que eu me perdoe. Quem já não fez burrada neste vida? Quem não tem arrependimentos? Espero que eu cresça. Ser criança é bom e seguro, mas seguir em frente é preciso e um grande aprendizado. Espero que eu não perca a minha fé. Muitas vezes a gente duvida, se desespera, desacredita. Espero que eu tenha sempre força. Sei que nada é mais pesado e doloroso do que podemos carregar. Espero que eu me ame. Pode soar papo-pra-boi-dormir, mas antes de poder demonstrar amor por outra pessoa é preciso sentir amor por tudo que você é.
Que a cada amanhecer eu tenha a humildade de agradecer tudo que possuo. Um lar, uma família, um corpo saudável, uma mente imperfeita, um trabalho, um prato de comida.
Que a cada entardecer eu consiga vislumbrar alguma luz, um pouco de serenidade, maturidade e paciência.
Que a cada anoitecer eu tenha a sinceridade de reconhecer cada passo em falso, cada palavra mal colocada, cada desculpa entalada na garganta, cada pequena solidão sentida.
Que a cada dia eu me mantenha firme, não desvie do caminho escolhido, não esqueça meus propósitos, não desista dos meus sonhos.
Que a cada segundo eu consiga pensar, falar e sentir coisas boas. E que consiga ajudar quem passa pela minha vida.
Que assim seja. Sempre.
Tenho celulite assumida. Tenho tpm assumida. Tenho mau-humor assumido e avisado. De vez em quando eu sumo. Não atendo telefonemas, digo que não estou pra ninguém, não costumo falar sem vontade. Sou muito cheia das vontades, movida a vontades, além de ter uma obrigação com a verdade (por mais que machuque). Falo sem pensar. Falo pensando, só não falo dormindo. Converso comigo e falo sozinha. Dou sorriso à toa. Falo palavras à toa. Não sou fresca e sento no chão cheio de poeira. Sou fresca e não como pimentão. Adoro amar e tenho medo dos efeitos colaterais do amor. Sou montanha-russa, caos, tormenta, confusão.
Não adianta ficar refém do medo. Independente dele, as coisas vão ou não acontecer. Não faz sentido ficar martelando no "e se" ou no "talvez". Na maior parte das vezes eles só atrapalham a vida e causam rugas precoces no meio da testa.
Ninguém vai corresponder ao universo lindo e perfeito que você criou. Os seres humanos são defeituosos por natureza. Cabe a você compreender o que é possível tolerar, conviver e aceitar. Mas sempre vale lembrar que nada é maravilhoso 24h por dia.
Toda vez que você pensar algo ruim de alguém ou sentir vontade de fazer um comentário maldoso ou irônico sobre uma criatura, feche os olhos e envie paz para aquela pessoa que tanto te irrita e te tira do eixo a ponto de você movimentar suas energias para o lado ruim. O lado branco da força é mais bonito.
não te esqueço. Não vou ser falsa, não tenho a capacidade de olhar no seu olho, sorrir e depois sentar no bar e falar mal até da sua avó. Não aceito esse tipo de coisa. Conheço muita gente, mas conto meus amigos nos dedos. E prefiro assim. Tem gente que eu saio, tomo drinks coloridinhos, dou risada e ponto final. E tem gente que na hora do desespero ou da alegria infinita eu ligo e choro ou sorrio de orelha a orelha. E quero que continue assim. De verdade. Não tenho a ilusão que todo mundo é meu amigo. Só quero ter a certeza de que quem olha nos meus olhos não mente, não trapaceia e não é filho da mãe. Porque tá cheinho de filho da mãe nesse mundo. A gente tem que tomar cuidado e aprender a se defender. Mesmo que doa.
Nunca gostei de terminar as coisas. Fico com dó, uma melancolia doce, um nó na garganta que nunca se desfaz. Sou apegado ao que é meu, ao que lembro, ao que minha memória guarda lava e passa com tanto carinho e esmero.
Gosto de manter o que é vivo perto.
E lembranças são vivas.
Minha cabeça é um mar cheio de ondas, umas vêm e me derrubam, outras vão e me levam. De vez em quando fica tudo calmo, sereno, é aí que tenho receio. Nada nunca é tranquilo pra mim. Acho que acostumei com isso: um temporal vive aqui dentro. Talvez seja disso que você tem medo, pois tem gente que não gosta de chuva.
A carência cega as pessoas. A carência te faz construir castelos de areia que nunca existiram (a não ser nos teus sonhos). A carência faz a gente não se reconhecer. Minha amiga, ainda dá tempo. Te olha no espelho e aprende: quem gosta de você te trata bem. Mas pra isso, aceita, a gente tem que se gostar. E muito.
Eu te desejo: Amor, pois sem ele não somos nada. Saúde, pois precisamos dela para levantar a cada dia. Fé, já que não podemos perder a capacidade de acreditar. Bom humor, para encarar o que vier pela frente. Com essas quatro coisas a vida fica mais bonita e mais leve. Pode acreditar.
"Que a gente obedeça o coração e não esqueça que é preciso manter pelo menos um pé no chão. Que a gente mantenha um sorriso na boca e não esmoreça quando a vida fechar uma porta. Que a gente entenda que não dá pra abraçar o mundo, mas dá pra abraçar algumas pessoas e fazer delas o nosso mundo."
A vida vai nos mostrando, pouco a pouco, que o que realmente vale a pena se encontra dentro de nós: as respostas, as verdades, os sentimentos dignos de aplausos.
Um dia resolvi olhar para dentro de mim e percebi que alguns pedaços estavam partidos.
Então, resolvi reconstruir meu caminho, repensar as coisas, refletir sobre o que andava acontecendo na minha vida.
Entendi que tudo que a gente faz a gente recebe.
De uma forma ou de outra.
Por isso, é tão importante procurar pensar, sentir e fazer coisas boas.
A escolha é sempre nossa.
Infinito Eu
Que a gente se livre dos pensamentos ruins, das escolhas erradas, das feridas que não fecham, das pessoas amargas e dos tormentos da alma.
A história começa em 1980, ano em que nasce um menino de olhos verdes e - meses depois, em outro extremo do estado - uma menina de pele clara. Mais de vinte e sete anos depois, o encontro.
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Ele e sua rinite se mudaram para a capital aos dezoito anos, sozinhos. Viveram e se viraram bem, obrigada, sozinhos. Ele era um apaixonado por propaganda, música, guitarra, contos eróticos, violão, blues, dias com muito sol, vinho, café com três colheres de açúcar, all star, livros, festas, pudim, cinema, amigos. Teve apenas um namoro sério - quando era adolescente -, aqueles de levar a pessoa em casa e apresentar para a família, almoçar aos sábados e conviver com os pais. Gostou de algumas pessoas, mas nunca se envolveu com ninguém em níveis mais profundos. Talvez porque as pessoas logo ficassem desinteressantes, talvez porque ele bloqueasse o próprio interesse. O certo é que ele não queria saber o motivo; tudo muda um dia, alguém disse. Um dia ele começou a ficar cansado de beijar muitas bocas, interagir com muitos corpos e não possuir nada, nada, nada além disso. Uma ou muitas noites, uma ou muitas mulheres, nenhum coração com a mão esticada, presa, grudada.
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Ela e sua rinite se mudaram para a capital aos seis anos, com a família. Viveram no colinho de mamãe e bem, obrigada. Ela era apaixonada por versos, letras, frases, Caio Fernando Abreu, tintas, cachorros, frio, bergamota, dias com muito sol, vinho, café com seis gotas de adoçante, all star, livros, chocolate, cinema, amigos, gente esquisita. Nunca teve aquele tipo de relacionamento considerado de verdade, aqueles de levar a pessoa em casa e apresentar para a família, almoçar aos sábados e conviver com os pais. Quando era adolescente gostava a cada hora de um moçoilo, se apegava e desapegava com uma facilidade tremenda. Até gostou de algumas pessoas, mas nunca se envolveu com ninguém em níveis mais profundos. Talvez porque, por pura proteção, se envolvesse sempre com o mesmo tipo de homem: complicado. Comprometidos, psicopatas, com oito filhos, cheios de cacoetes, com risadas de hiena manca, enrolados, divorciados, cafajestes em último grau, cafajestes em tratamento, cafajestes na condicional, cafajestes no corredor da morte, cafajestes sem solução, isso sem contar os preciso-de-uma-mãe-pra-tomar-conta-de-mim, os por-favor-vamos-fazer-terapia-todos-os-dias-sou-um-maluco-carente-cheio-de-problemas e os só-tô-sorrindo-pra-você-porque-quero-te-comer-gatinha. Um dia ela começou a ficar cansada de gostar de forma errada, de gostarem dela de uma forma não desejada. Então ela desistiu, pelo menos até aquele domingo à noite.
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Há quem chame de coincidência, acaso, destino; há quem diga que certas coisas estão escritas, que o que tem que acontecer, querendo ou não, acontece. Prefiro dizer que, não importa se foi um motivo de força maior, superior, divina, se foi uma mãozinha de Deus, Buda, Alá meu bom Alá ou um empurrão das estrelas, cometas, alienígenas, gnomos, fadas, anjos, o que importa é que o encontro aconteceu. Não um encontro de olhos, mãos, bocas, braços, mas um encontro de corações cansados. De procurar sem achar, de achar só o que era descartavelmente vulgar.
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Existia também o medo. Medo de se jogar de precipícios, o amor é renúncia. É preciso dar um tchau para a vida antiga, reciclar emoções, quem sabe rasgar velhos padrões de comportamento e pensamento. Medo de ser bom, pois somos burros, temos medo de fazer dar certo, de riscar a palavra sofrimento, desencantamento, desilusão do nosso dicionário sentimental. Medo de não ser quem o outro quer que sejamos, pois o mundo, meu amigo, é feito de máscaras, imagens, maquiagens, escovas, chapinhas e sou-bonita-assim-quando-acordo-que-nem-as-atrizes-da-novela-da-Globo. Medo de amar, pois o amor é uma incógnita, é preciso que ele entre e se instale para que você realmente perceba e sinta a presença dele. Medo de que tudo não passe de uma grande mentira, pois o mundo hoje em dia é repleto de gente enganadora, cínica e sem vergonha na alma.
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A menina de pele branca se transformou em uma mulher sardenta, que teve todos os seus medos arremessados pela janela pelo menino de olhos verdes, que se transformou em um barbudo de cílios compridos e olhar cheio de sorrisos e pureza. Uma pureza de criança, uma sinceridade que ultrapassa a barreira da mesmice e do tenho-medo-de-dizer.
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Faz algumas horas que meus olhos se encheram de lágrimas, não aquela lágrima amarga, mas uma lágrima diferente, quente, feliz. Li o texto lindo que você me escreveu, no mínimo, vinte e três vezes. Meu nariz ficou vermelho e, você sabe, chorei na quietude solitária, porém adocicada pelo calor que o que nós temos provoca lá dentro do coração. Não aquele calor passageiro, mas o calor que é silenciosamente acolhedor. Já que a data permite a pieguice excessiva, farei bom uso dela: há exatos oitenta e um dias eu tive a sorte de te encontrar - e, de alguma forma, me parabenizo por isso. Se o medo tivesse sido mais forte do que eu talvez nós não estivéssemos aqui, agora, juntos, unidos, felizes, achados, encontrados e perdidos no meio de um sentimento que, até então, eu desconhecia. E, que bom, eu fui valente. E, que bom, a tua valentia deu um chega pra lá nos pseudoreceios que foram surgindo e desaparecendo pelo meio do caminho. E, que bom, te amar faz com que você se ame mais. E, que bom, o teu amor faz com que eu me ame mais. Há quem diga que no-começo-é-tudo-lindo-assim, mas isso não importa: quem sabe da gente é a gente. E eu duvido que algum dia deixe de ser lindo, pois a nossa criatividade ultrapassa a barreira da beleza do início - seja lá o que isso queira dizer, ainda assim, eu digo que duvido.
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Oitenta e uma vidas. Até que nada nos separe.
Feliz dia dos namorados.
Se ame muito para me amar. Me ame de graça e por tudo que sou. Me ame pelas minhas partes tracejadas, picotadas, rasuradas, limpas, claras e legíveis. Me ame quando eu sacudir o avesso de mim. (…) Me ame muito, me ame sempre, me ame quando eu sorrir, chorar, desistir, quando eu quiser recomeçar. Me ame quando eu disser que vou voltar atrás. Me ame quando todo mundo for embora e a festa terminar… Me ame sim, mas entenda que amor para mim é aquele que a gente pode amar sendo quem é, com os pés sujos de andar no chão, com o cabelo emaranhado de tanto cafuné e com o coração livre. Porque a minha vida é a minha vida. A sua vida é a sua vida. Elas quiseram se juntar e andar com as mãos unidas… Eu dou o amor, somente, porque ele vale mais que tudo. E com ele a gente aprende a se amar mais e melhor. Porque o amor não tem título, muito menos definição.
A gente aprende pouco a pouco a cada dia, através de alegrias, experiências, sofrimentos, pequenos percalços. É claro que seria muito melhor aprender através de sorrisos, mas as lágrimas nos mostram o que é preciso deixar para trás. Para sempre.
Tem amigo que não suporta te ver feliz. Tem conhecido que não aguenta ver o teu sucesso. Tem amigo que não gosta de ver que o teu relacionamento está dando certo. Tem parente que sente um ciúme trouxa. Tem gente que não sabe o que é gostar. Tem gente que não respeita nada. Acredito no seguinte: o olho das pessoas que gostam de você sempre vai brilhar quando alguma coisa boa te acontece. Se ele não brilha, meu amigo, há algo errado no paraíso.
Sou tímida. Um montão de gente ri quando falo isso, mas sou tí-mi-da. Só quem me conhece a fundo sabe. É que sou o tipo de gente que todo mundo pensa que conhece. Mas se enganam feio. Pouquíssima gente me desvenda. Mostro só o que quero. Não por maldade, mas por proteção. A gente tem que aprender a se proteger. Das escolhas dos outros. E até mesmo das nossas próprias escolhas.
Mas é engraçado, o amor não dói. E não, não me faça essa cara de espanto, eu repito: o amor não dói. O ciúme, a insegurança, a desconfiança, a falta de, o medo de perder a pessoa amada, o medo de amar, o medo de nunca ter sentido tamanha felicidade na vida inteirinha, isso sim dói. O amor, amor como sentimento, amor como coisa plena, amor como som no peito, amor como sorriso no olho, amor como poesia na boca, amor como amor, esse não dói.
