António Prates
Há uns anos atrás fiz um livrinho e chamei-lhe "Sesta Grande". Se hoje publicasse outro livro chamar-lhe-ia "Grande Sesta".
De vez em quando, Deus revela-nos que a ciência dos médicos não é tão exacta quanto eles nos querem fazer crer.
Aprendi que tal como um equipamento bonito não faz um bom atleta, um fato, uma gravata e um diploma não fazem um bom ser humano.
Quem na nossa frente descobre qualidades que não possuímos, nas nossas costas vê defeitos que não temos.
Dizem os velhos ditados, para desconforto das mães, que os homens e alguns cães duram pouco tempo lavados.
Costumamos dizer que estamos em casa ou que vamos para casa, ao invés de dizer que estamos no lar ou que vamos para o lar. A casa faz-se de tijolo e cimento, o lar faz-se de princípios e de valores morais.
O Dia das Mentiras é uma homenagem que o calendário presta a todas as pessoas que não tiram a máscara depois do carnaval.
Os primeiros elogios que recebi na vida foi quando nasci, por nascer com cinco quilos e duzentos gramas. Como consequência disso partiram-me um braço.
Por nascer com cinco quilos e duzentos gramas recebi elogios logo no dia do meu nascimento. Em consequência disso partiram-me um braço.
Tanta hipocrisia, Deus me valha!
Detractores da falsidade, Deus me proteja
das infâmias, das trapaças, da escumalha,
das intrigas maldizentes da inveja.
Tanta hipocrisia, Deus te digo!
Imaculada falsidade deste vulgo
rezai por todos os pecados que aqui julgo
para aceitar a hipocrisia que mastigo.
É tanta hipocrisia, tanta, tanta!
Apregoada, celebrada, consentida,
como dieta de uma sexta-feira Santa
abalroada na consciência de uma vida.
Falsa hipocrisia, flor sem sumo!
Alimento virulento em comunhão,
rogo-te, hoje, que te vás nesta oração
e que te afastes para sempre do meu rumo.
Amém!
Os que em abril nos convencem de que está tudo na ordem, não querem que os cravos pensem, nem que os borregos acordem.
A sociabilidade é como o sorriso de um comerciante com muitos dentes postiços e quase todos amarelos.
