António Prates
Não deixa de ser um facto que desiludimos muitas pessoas por não expormos a nossa vida privada nas redes sociais.
Em termos de preconceitos, de racismo e de xenofobia a nossa sociedade não evolui porque não identificamos da mesma forma aquilo que nos une como identificamos quase tudo o que nos separa.
Nesta quarta estação que tem o ano,
aprecio este mundo ultramoderno,
e nas chuvas que me sobram do inverno
faço um esboço de um poema puritano...
No inverno tudo soa a transparência,
desde os dias que antecedem o Natal,
porque um homem exercita a paciência
e até o frio nos parece mais natural…
Sacudo os altos ventos que me restam
para cima desse frio que me regela,
tentando dar à luz uma só estrela
enquanto os vendavais se manifestam…
Farei uma caraça de improviso,
com a lama que abunda no meu rosto,
e prometo modelar um bom sorriso
no Entrudo que aí vem com todo o gosto…
Será honesta a grande quadra de folia,
os borguistas nunca foram tão sinceros,
pois deixamos de adorar pantomineiros,
adorando um vasto mundo de alegria…
E hoje, com tais nuvens tão cinzentas,
neste dia tão cinéreo quanto breve,
vou sair e reforçar a vestimenta,
porque a chuva pode vir em tons de neve.
Alguns amigos gostam de nos ouvir quando nos queixamos, para se sentirem superiores a nós e para saberem da nossa vida.
O galanteio foi sempre uma vocação natural dos homens, e muitos agem com as mulheres como as moscas o fazem com as aranhas.
Encontramos pessoas na vida que à primeira vista nos dão a nítida sensação de as conhecermos há muito tempo ou de outras vidas. Talvez as almas combinassem estar ali sem os corpos saberem.
O meu percurso de vida foi quase todo feito nos 110 metros com barreiras e nos 3000 metros com obstáculos.
Tenho passado a vida a tentar derrubar muros, e o único que consegui derrubar foi o muro da minha escola primária, que antigamente separava os rapazes das raparigas, por isso levei seis reguadas.
Quando não vislumbrarmos luz ao fundo de um túnel, devemos lembrar-nos sempre que é um buraco-negro que dá vida ao nosso Sol.
Nenhuma obra tem grande valor se não tiver uma forte oposição por parte daqueles que vivem perto de nós.
Não me espanta a impunidade
nem tampouco me admira
que na nossa sociedade
valha menos a verdade
que o engano da mentira.
Os que menos nos perdoam são os que mais nos devem. Foi assim que Jesus Cristo perdeu a eleição para Barrabás.
O Amor é uma chama,
que ilumina a nossa sorte:
quem tem Amor sempre ama,
quem não tem nasce com a morte.
Na sala de aulas da História da Humanidade, a ganância ganhou sempre o prémio de assiduidade, que recebeu com orgulho.
Até o lazer deve ser exercido com dignidade. Se assim não for, a mais bela conquista do Homem esvai-se numa penosa debilidade intelectual. - É como estar de férias sem ter férias.
Nos chamados países do terceiro-mundo, onde há a chamada democracia, os políticos são eleitos pelos pobres e recebem dinheiro dos ricos para os protegerem dos pobres.
