Ausência de Amor
Tendo em vista que a cor branca é a união de todas as cores e a cor preta a ausência; imagine o seguinte:
Otimismo = branco
Pessimismo = preto
Então, o que é o realismo?
Realismo é a fusão do otimismo com o pessimismo.
Otimismo + pessimismo = realismo.
Mas qual a cor do realismo?
Preto com branco? Branco com preto? Cinza.
O realismo é cinza.
Uma estação
Uma vida inteira
Pra te amar...
Ou pra chorar a tua ausência
Toda a vida que ainda há...
Não temos passado...
Amemo-nos hoje,
Importa que o futuro nos encontre
Sempre juntos no amanhã e depois.
Passam-se os anos,
Uma estação após a outra vem...
Flores nascem, crescem e morrem,
Só meu amor por ti insiste não perecer....
Tudo se forma e se transforma,
Sorrisos e lágrimas...
Nada se perde,
Apenas transborda o cálice do meu amor.
Um dia após outro,
É só mais um dia...
E outro dia
Sem você.
Edney Valentim Araújo
1994 / 1996
Nem tudo
Deixe o tempo de existir
Se não pode te levar de mim...
Eu desfaleço tua ausência
Nesse amor que se me nega.
Quem sabe um dia
Estas lágrimas perdidas
Da taça trasbordante deste amor
Regue a semente adormecida
Que lhe deitei no coração.
Nem tudo que se perde
Está perdido para sempre,
O tempo não dissipa emoções
Que se revelam no amor...
Apenas faz eterno
O melhor dos sentimentos.
Edney Valentim Araújo
1994 / 2019
O Eterno Quadro da Ausência.
I — O Ateliê do Silêncio.
Há um instante em que a alma, fatigada, já não distingue se o que sente é dor ou lembrança.
O ar pesa como tinta não misturada, e o coração lateja como um relógio que perdeu a noção do tempo.
Tudo o que resta é o quadro diante de mim — o mesmo, sempre inacabado — e o vulto que ele insiste em reter, ainda que o corpo que o inspirou já não exista senão nas dobras do pensamento.
O amor, esse artista cruel, ensinou-me a pintar com lágrimas. Cada traço é uma despedida, cada cor, uma esperança morta.
Há dias em que creio tê-la libertado da tela, e outros em que percebo: foi ela quem me aprisionou nela.
II — O Olhar Que Permanece.
Há algo de doentio em amar o que já não nos responde.
E, no entanto, é nesse delírio que a vida encontra sua última beleza.
O olhar que me fita do retrato não é mais o dela — é o meu, devolvido em eco, fragmentado pela saudade.
Sou eu, dividido entre o que amo e o que perdi, entre o real que nega e o sonho que insiste.
Dizem que a morte é o fim, mas a ausência é mais cruel: ela continua viva, mas intocável.
A cada noite, o pincel busca uma cor que não existe — o tom exato daquilo que foi amado.
E, quando o encontro, já é tarde: a luz da manhã dissolve o milagre, e eu retorno à doença da razão.
III — Filosofia da Perda.
A realidade é um quadro imperfeito.
Negá-la é o instinto dos que amaram demais.
Aqueles que já tocaram o abismo da ternura sabem: o amor é uma forma de sofrimento escolhido — a mais nobre das enfermidades.
E há uma pureza nisso, uma santidade quase patológica: viver é prolongar o instante que nos mata.
O pensamento, esse médico impotente, observa o coração como quem assiste a um incêndio que não se apaga.
O amor é o fogo, e a ausência, o vento.
Nada é mais real do que a dor que se sente quando tudo o mais já cessou de existir.
IV — O Funeral do Sentimento.
A doença não é do corpo — é da lembrança.
Diviso, às vezes, o meu próprio funeral: não há lágrimas, só o eco das minhas palavras presas nas paredes do quarto.
Sobre o caixão, o quadro: inacabado, obstinado, com aquele mesmo olhar que me persegue.
É o retrato daquilo que amei e daquilo que fui.
Talvez o amor seja isto — a tentativa insana de imortalizar o que o tempo já levou.
Talvez a morte seja apenas a moldura que encerra o último sonho.
“A solidão não é ausência de vozes, mas a convivência íntima com aquilo que insiste em nos observar por dentro.”
Crença da Alma
A minha mente ultimamente só enxerga o que aceita, talvez a ausência de sinais tenham deixado ela sobrecarregada. Não é bom se apegar ao que deixou de acontecer, quanto mais eu perseguir ou tentar forçar o encontro do amor, mais acidentes e rasteiras levarei. A vida pode ser curta ou longa demais, mas nós não somos os mesmos de ontem e nem os mesmos de amanhã, na composição da vida está o verbo mudar! Contudo, todos nós precisamos nos entregar aquela crença profunda da alma, quando ela nos lembra que seremos reconhecidos no meio da multidão no momento certo pela pessoa predestinada a completar a nossa vida, e ai, o coração estará bem ancorado, no seio do amor.
O seu silêncio não me engana,
E tampouco a tua ausência.
O teu peito sempre reclama,
E quer o meu por excelência.
A sua emoção pela vida,
E repleta de malícia.
A sua forte experiência,
E que deseja-me rendida.
O seu silêncio não me engana,
E tampouco menos escraviza.
O meu peito é cheio de liberdade
E sou feita de inteira [poesia].
A tua convicção de que só se vive
- uma vez -
É distante da minha razão que segue
A luz do amor e a voz do coração,
A minha vida é vivida com paixão.
O peito se agita,
Estou assim
Por causa da
tua breve ausência,
Ele se agita
Por uma vontade
amorosamente vadia,
É uma vontade
imperiosa de reunir
As tuas saudades
com as minhas,
Escrever para nós
dois é uma ode
à bem querência
longe de ser vazia.
O peito não
sabe como mensurar
Essa doce
alegria de penar,
Ele se agita
por uma vontade amorosa
De mergulhar
no teu corpo,
É uma vontade imperiosa
De reunir o teu
sabor com o meu,
Escrever para nós dois
é uma ode à liberdade
- longe de não nos libertar.
O peito não sabe
como mensurar
O tamanho da graciosidade
versada sobre nós,
Ele se agita
por uma vontade amorosa
E vagarosa por cada
pedacinho teu,
Essa vontade imperiosa
De reunir o teu
amor com o meu,
Escrever para nós dois
é uma ode à descomplicação
- longe de não desejar
desatar os nós.
O peito se agita,
estou assim por causa
da tua breve ausência,
Ele se agita por uma vontade
amorosa de ser tua,
É uma vontade imperiosa de faiscar
com os arrepios da tua alma,
Escrever para nós
dois é uma ode à paz
que há de te trazer
de volta - e desejoso
da minha calma.
Os meus olhos percorrem a lembrança, O meu coração reclama a tua ausência, É uma saudade doída, e repleta de esperança.
A minha educação de fina dama não me permite certos passos, O meu coração reclama a tua ausência, Ouse e serei tua com devoção...
Teu país te ama
Sente saudade
teu país quer você
e te clama
ausência só trás a saudade
do seu divino lugar
onde só querem o prazer
fútil não é
é real e vivo
esse fascínio acaso
só faz o país te querer
te quer cada vez mais
e ele te quer pra sempre
sangue latino
corre quente
no vento você sente
e da semente você
cresce
não tem como se sentir
pequeno
No seu espaço
a solidão não é solida
ela não existe mais
seu país te tem
você tem seu país
cativando cada vez mais
dói
e vai doer
mas o seu prazer vai se estender
comigo
o país que eu quero te ser
Teu país te ama
Sente saudade
teu país quer você
e te clama
ausência só trás a saudade
do seu divino lugar
onde só querem o prazer
fútil não é
é real e vivo
esse fascínio acaso
só faz o país te querer
te quer cada vez mais
e ele te quer pra sempre
sangue latino
corre quente
no vento você sente
e da semente você
cresce
não tem como se sentir
pequeno
No seu espaço
a solidão não é solida
ela não existe mais
seu país te tem
você tem seu país
cativando cada vez mais
dói
e vai doer
mas o seu prazer vai se estender
comigo
o país que eu quero te ser
Teu país te ama
Sente saudade
teu país quer você
e te clama
ausência só trás a saudade
do seu divino lugar
onde só querem o prazer
fútil não é
é real e vivo
esse fascínio acaso
só faz o país te querer
te quer cada vez mais
e ele te quer pra sempre
sangue latino
corre quente
no vento você sente
e da semente você
cresce
não tem como se sentir
pequeno
No seu espaço
a solidão não é solida
ela não existe mais
seu país te tem
você tem seu país
cativando cada vez mais
dói
e vai doer
mas o seu prazer vai se estender
comigo
o país que eu quero te ser
Confiar não é ter o conhecimento de tudo que o outro faz. É não precisar tê-lo exatamente por confiar. Quem de verdade ama não subjuga, não impõe presença, não reclama ausência, não prende - antes -incentiva e contempla o voo do ser amado.
Um “eu te amo” reside em muitas frases diferentes. Em “comprei essa bolacha que eu sei que você gosta”, em “deixa que eu te ajudo com a declaração de imposto de renda”, em “vem aqui que você precisa cortar a unha”, em “eu te busco no aeroporto”, em “apaga essa merda desse cigarro”, em “pega um casaco que tá frio lá fora”, em “você tem dinheiro pro táxi?”. Algumas vezes o “eu te amo” sai em forma de “eu te amo”. Tantas outras não. Mas ele está lá. Basta que a gente esteja disposto a encontrá-lo ao invés de reclamar a sua suposta ausência.
Saudade é a felicidade retardada. Sente-se falta de detalhes: das inúmeras trocas de mensagens carinhosas, dos passeios à tarde nos fds pela cidade, filme e a pipoca temperada (...)
A saudade vem em dose homeopática.
Saudade é o amor que não foi embora ainda, embora o amado já o tenha feito.
Ter saudade é imaginar onde deve estar agora, se ainda gosta de coca cola, se ainda pensa nos planos e promessas que fizeram, se ainda tem aquela mania de limpeza, se chorou com a derrota do flamengo no campeonato.
Sentir saudade é ter a ausência sempre ao lado. A saudade é a inconfortável expectativa do reencontro. É a certeza de que viveu momentos inesquecíveis. No fim das contas, a saudade que agora lhe maltrata nada mais é que uma divida sendo paga em longas prestações, pelo amor usufruído.
Tem pessoas que do teu lado não te fazem sentir nada. Mas tem aquelas pessoas que mesmo de muito distante marcam sua vida e fazem uma falta constante.
Se você está sempre presente lá no futuro, como vai viver esse futuro quando ele for o seu presente?
