Ausência
Engana-se quem pensa que a loucura é um estado transitório de alucinação, não é a ausência que a caracteriza e sim o excesso de razão.
A solidão não é meramente a ausência de outros, mas sim, precisamente a presença intensificada de si mesmo.
Se a mesma te incomoda, descubra porquê tem medo de si.
A ausência e desprezo pelo raciocínio lógico e com bom senso faz com que a religião torne o egocentrismo e antropocentrismo aceitáveis.
A ignorância não é apenas a ausência de luz, mas o solo fértil onde a alienação finca suas raízes e cresce, cega e obediente.
A coragem não é a ausência de medo, mas a decisão de enfrentá-lo mesmo quando o desconhecido é tudo o que se tem.
Às vezes, a coragem não é a ausência do medo, mas a habilidade de esconder suas rachaduras enquanto encara o desconhecido.
Às vezes, a coragem não é a ausência do medo, mas a habilidade de esconder suas rachaduras enquanto encara o desconhecido, mantendo-se firme mesmo quando o coração treme. É a arte de vestir a armadura da determinação sobre uma alma vulnerável, sabendo que a verdadeira força não está em não sentir medo, mas em avançar apesar dele. Aqueles que compreendem isso tornam-se faróis de esperança, mostrando que a bravura não é infalível, mas resiliente diante das incertezas da vida.
A coragem não é a ausência do medo, mas a escolha de avançar, mesmo quando a única companhia é a incerteza e o desconhecido sussurra perigos no escuro.
AUSÊNCIA
Não é dor de paixão
O que me faz sofrer,
Dor de amor não é não,
Talvez nem seja dor,
Talvez seja só solidão,
Talvez seja só a ausência de dor,
Que dói no coração...
AUSÊNCIA
Prismas diferentes dão tonalidades diferentes às verdades da vida. Ás vezes sob o cajueiro centenário, que se espalha no fundo do quintal, fico a observar o firmamento; acho que é uma forma romântica de preencher ausências; é um ângulo que de certa forma me protege de mim mesmo. Cada estrela dessas é uma ausência e sob o cajueiro eu sou um prisma perdido que seus galhos camuflam, e a angústia de ser só é de alguma forma sacudida; e os meteoros que viajam cambiantes eu chamo de estrelas cadentes e faço um desejo. O cajueiro já me conhece, e conhece todos os meus desejos; conheceu a minha primeira namorada e seus gemidos; bem perto de sua raiz enterrei demônios: cajuzinhos em oferenda para o Deus das estrelas; acreditava que assim as namoradas voltavam; mas no meio da noite sempre tinha pesadelos com seus galhos me apertando; acordava de madrugada, corria pra janela e observava o cajueiro sacudido pelo vento litoral; parecia comemorar alguma coisa; talvez a minha ausência, até que de trás de seu tronco iam surgndo as namoradas, que leves como algodão, eram carregadas pelo vento ou arremessadas pelos seus galhos em direção a abóboda celeste. Cada estrela dessas é uma ausência, mas o cajueiro floresce com a neblina primaveril numa promessa fiel e infalível de frutificar e acolher agruras e angústias de qualquer ausência.
POETA É TODO MUNDO E NINGUÉM
Esta ausência conduz a inspiração;
este veículo faz ampliar todos os tormentos,
mas nos conduz com essa tarifa de angústia à amplitude de uma inspiração,
que faz reluzir matizes de tons divinos.
Poeta é todo mundo e ninguém;
esta multidão, que caminha,
que se esbarra sem imaginar as mais ínfimas emoções em cada alma,
que fere ou só arranha,
ou a dor mais profunda de alguém, que se joga do vigésimo andar;
ou alguém indiferente, que se isola como uma partícula de um átomo indivisivel.
Poeta é todo mundo e ninguém
é purgar como um espectro por seus pecados
na translucidez pesada dos subterfúgios ou na transparencia das coisas invisiveis;
quebrar nas ondas de um mar revolto
ou só velejar na calmaria de um lago azul.
Os namorados se beijam num parque
e o mundo deles está restrito a duas bocas
dois pares de olhos, dois narizes e suas respirações ofegantes,
mas a grama, a brisa e as estrelas são indispensaveis;
tudo que canta, grita, cala, ou só lampeja,
tudo o que se sente, se ressente ou se dessente,
tudo que ascende ou cai infinitamente...ou nada!
ALMA
Necessidades é a minhas essência de existir,
Não existiria sem ausências...
Então despedidas, crepúsculos me preenchem
Me completam; esse esvaziar-se
Que vai soprando as horas,
Este inexistir que faz germinar prosas,
Esse ar que não se inspira nunca,
É isso que me alimenta,
O passo que eu nunca consigo dar,
O inalcançável, a silhueta
Que não diviso,
O vulto que não distingue-se, a alma...
AUSÊNCIAS DE TODA UMA VIDA
Eu empacotava os meus olhares, guardava bem no íntimo tudo de lindo que ia além do verde das colinas, acalmava a ansiedade que começava nos teus colos, nos teus lábios, eu empacotava as horas, a vida, era o trabalho; depois planejava algumas rimas iluminadas pelos teus dentes, aquecidas pela tua pele; era passional ou fascínio pelo perigo; afora isso o desejo de documentar a inspiração: era fácil ser poeta, tanto que a solidão doía conduzida por um corredor à suburbana fascinante e perigosa. A noite doía nos ossos com o frio de junho e as ausências de toda uma vida, então eu revivia nossos melhores momentos. Planos? Por mais que os fizesse ao amanhecer dissolviam como sorvete com os primeiros raios da manhã, era a pressa incessante de viver que compõe a juventude compassada pelos hits do blacak que mencionavam as despedidas mais tristes, as incertezas mais certas, o ponto mais sensível dos nossos espíritos juvenis desamparados por seres supremos que movem o universo. Quantos sorrisos belos, quantos belos sorrisos; depois do expediente brilhantina e contouré depois de um banho rápido eu ainda me apaixonaria umas três vezes até a meia noite, depois sonharia com a “dentes de madrepérola” ou com o busto de Brigitte, qualquer musa... era fácil ser poeta só faltava-me tempo para observar o nascente, e o crepúsculo se perdia atrás de torres de concreto ou nos corredores frios de olhares perdidos em faturas e memorandos; uma rotina só abalada por um ou outro suicida que ousaria resolver a vida com o voo de alguns segundos, mas nada que obstaculizasse o cotidiano, o IML era prestativo e rápido e os curiosos se dispersavam com ares de impotência diante da morte. Uma ou outra mancha de sangue permaneceria como prova inconteste de como a vida pode ser cruel, no entanto o amor se sobrepõe, a poesia flui e assim, sem fatalidades e desesperos de um suicida; voamos...
Perceber ausências...
de repente o mundo tão bonito,
não é tão bonito,
ausentes entes que se foram,
entes que partiram,
entes que não viram a lua vermelha,
o eclipse, o cometa, o apocalipse;
lhes beijo as faces em face do que posso,
eu posso amar o mundo e possuir mulheres,
que queres de mim...
se eu fosse alguma coisa, eu seria o óbvio,
óbvio é amar o que eu fosse,
se eu não fosse o lago a acolher libélulas,
mas elas não sabem... perceber ausências,
as tardes são mais longas do que eram antes...
antes que eu me esqueça,
como eu tenho me esquecido,
como eu esqueço de mim, esqueça.
As crianças não estão sendo prejudicadas pelos smartphones, mas pela ausência de alguém por elas.
A verdadeira questão é: devemos limitar o uso das telas pelas crianças ou devemos nos reconectar, proporcionando mais presença e atenção?
Vale a pena refletir.
"O teste de eficiência da polícia é a ausência do crime e da desordem, não a evidência visível da ação da polícia em lidar com ele."
