Ausência
Não perguntavam por mim,
mas deram por minha falta.
Na trama da minha ausência,
inventaram tela falsa.
É mais do que a dor da ausência, é o passado que arromba a vida da gente e nos aponta o dedo, e pra qualquer lado que eu olhe não há inocentes. (...) E amigo é isso, aquele que a presença conforta sem precisar de muito gesto ou dramatização.
Aos poucos, na ausência dele, enquanto tentava compreendê-lo. Cada vez menos para que minha compreensão fosse sedutora, e cada vez mais para que essa compreensão ajudasse a mim mesmo a. Não sei dizer. Quando penso desse jeito, enumero proposições como: a ser uma pessoa menos banal, a ser mais forte, mais seguro, mais sereno, mais feliz, a navegar com um mínimo de dor. Essas coisas todas que decidimos fazer ou nos tornar quando algo que supúnhamos grande acaba, e não há nada a ser feito a não ser continuar vivendo.
Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.
Amante
No silêncio frio da noite mansa,
mansamente, veio deitar ao meu lado,
aninhando-se a mim como a criança
que procura abrigo a seus temores.
Ao sentir seu calor, busquei tocá-la
aspirando seu perfume, mas calado
esperei de olhos fechados o hálito morno
de sua boca a me beijar o corpo.
Sua mão ávida deslizou em meu peito
a brincar distraída com meus pelos.
Logo, correu suave pelo meu ventre
palmilhando cada centímetro de pele.
Meus dedos correram em seus cabelos
e como um cego procurei seu entorno
tocando, subindo e descendo planícies
buscando nervosos morros e cavernas.
Loucamente, cavalgou minha cintura
e senti seus movimentos nervosos,
em quase delírio por tê-la tão perto.
Mas, no clímax do desejo abri meus olhos
a tempo de vê-la perder-se no vazio escuro.
Regresso ao Uno
No vazio que ficou da morte de minha irmã,
veio a presença de pessoas tão queridas,
que também um dia cruzaram esse portal.
Onde estarão, o que serão elas agora?
Nuvens, ventos, água, terra, energias?
Eram carne, corpos, vida, sentimentos.
Emoções trocadas em abraços, risos, carinhos,
mas também em dúvidas, tristezas, frustações.
Nos deixaram seguir em frente os caminhos,
tantas vezes compatilhados, agora sozinhos.
Como a luz tênue do final do crepúsculo,
foram aos poucos se apagando de nossas vidas,
deixando as saudades e sentidas ausências.
Hoje, são lembranças que ficaram em nós,
mas que permanecem bem vivas e eternas.
A gente vive certo porque errou um dia. E silencia quando entende que todas palavras foram ditas. Porque de vez em quando, aquilo que conserta é aquilo que cala ou ausenta. O nada que diz tudo.
Quando o verbo é equívoco, o silêncio é corretivo
Fragmentos de um amor
Na minha mente, tua lembrança
No meu coração, teu amor
No meu corpo, tuas mãos
No meu desejo, teu calor.
Na minha vida, teu rastro
Nos meus sonhos, tua imagem
Nos meus olhos, teu olhar
No meu peito, tua saudade.
Na minha dança, teu molejo
Na minha pele, teu cheiro
Na minha boca, teu gosto
No meu paladar, teu tempero.
Nos meus ouvidos, tua música
Nas madrugadas, tua presença
Na minha fantasia, tua espera
No meu lado, tua ausência!
Triste Lamento.
Te faço importante e você insiste em não me dar importância,
Te faço estrela brilhante, mas você sequer vê meu brilho.
Te faço a primeira e pra você sou zé-ninguém.
Te trato com prioridade e você me tem como empecilho,
Te faço presente e você nem nota a minha ausência.
Te daria minha vida! E você por mim? Nenhum vintém.
Me faço palhaço para fazer você sorrir,
Me faço santo para te consolar,
Me faço herói para te defender!
Você não liga se eu chorar,
Eu estou triste e você nem aí!
Talvez nem se importe se eu vier a morrer.
Me dei por inteiro e você nem metade quis ser pra mim.
Enquanto eu queimava de paixão, você era gelo na indiferença,
Uma pedra fria inerte que repousa calmamente na vaidade.
Outras vidas, outros amores, outra alegria e outra presença,
Hoje é outra flor que enfeita seu vasto e frio jardim,
Mais um que se ilude por te amar de verdade!
Mas sou forte e um dia tomo vergonha na cara
E de você nem guardarei uma pequena lembrança,
Te arrancarei da minha vida e da minha memória.
Não guardo mágoa e nem guardo esperança.
E essa dor? Quem sabe um dia ela sara
E apago de vez essa triste história!
tentei fugir tantas vezes mas
assim que eu dava as costas
meu peito sucumbia ao peso
eu voltava ofegante
talvez por isso te deixasse
arrancar minha pele
qualquer coisa
era melhor que nada
deixar que me tocasse
mesmo que sem gentileza
era melhor do que não ter suas mãos
eu aguentava o abuso
eu não aguentava a ausência
eu sabia que queria vida de uma coisa morta
mas não importava
que estivesse morta
porque pelo menos
era minha
Há Vida na Morte.
Uma rosa, uma oração.
A paz no meu silêncio.
Minha profunda gratidão.
Um adeus, uma ida sem volta.
A permanência da ausência.
O estar longe dos olhos,
Mas tão dentro de mim.
Uma vida, na morte.
Uma partida, um choque.
Lágrimas que se vão... Solidão.
Imagens que se dão,
Memórias... Amplidão.
Saudades que fica.
Relembra vidas, libera emoção.
Silêncio!
Há vida na morte.
Vagueia, toca e chega,
Beija e se vai.
Agradeço por tua existência,
Mesmo que da morte te espreita,
Tu em mim,
Tens grande certeza,
Não morrerás jamais.
Pela minha experiência, pais causam dor. Seja pela presença, seja pela ausência... Um tipo de ruína que somente um pai pode causar.
Eu aceito suas crises existenciais se você aceitar vez em quando minha ausência sem querer preenchê-la com outro par de pés. Eu sei que suas crises não são de culpa minha, mesmo que a ausência seja. Se compreendermos isso, teremos grande chance de olhar um para o outro com atenção e delicadeza. E ninguém terá que se perguntar quem sorriu, gostou, amou, ou se entregou primeiro. Descobriremos que amor não é sobre quem faz mais, e sim, quem faz. Que, quando entre dois corações existe sintonia, os atos destes só podem terminar em proporção.
Hoje choro.
Choro ausências, presenças partidas, histórias que ficaram pelo caminho.
Em prantos, tento entender a minha pequenez diante do mundo,
recapitulando a importância que tantas pessoas tiveram na minha vida,
o quanto eu me doei, o quanto construí silenciosamente nos outros.
Choro por tudo:
por aquilo que tive e não soube guardar,
por aquilo que nunca tive e ainda assim senti falta,
por aquilo que não terei e já dói como perda antes mesmo de existir.
O peito pesa, o coração tropeça,
os olhos se fecham para não ver e, ao mesmo tempo,
se abrem para dentro de mim, onde tudo lateja.
No fundo, chorar é o meu jeito de respirar o que sufoca,
de dar forma à dor antes que ela me consuma.
E, enquanto as lágrimas caem,
descubro que ainda há algo vivo em mim:
a capacidade de sentir — mesmo quando dói.
Viver e sobreviver
Viver é atravessar ausências, angústias e medos.
É transbordar, mesmo quando o peito já não comporta.
É refazer-se de tudo aquilo que dói, tentando curar-se.
Anestesiar-se para não sentir e, ainda assim, inevitavelmente continuar sentindo.
Fingir para si mesmo até que algo latente adormeça.
Mas há sentimentos que são feras em reclusão,
presas que não se deixam domar.
Às vezes é impossível conter.
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