Às Vezes

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As vezes precisamos virar a vida do avesso pra desembaralhar o cordão umbilical que deu origem ao começo.

Por trás de mulher guerreira existe uma menina indefesa, que as vezes entre uma batalha e outra sorri pra vitória, mas também chora.

Às vezes, atravessamos o deserto de nossa alma, que se perde num silêncio ensurdecedor… de vermos nossos filhos autistas sem saber, compreender e entender o seu ser… Aí Deus nos coloca no oásis de sua magnitude e benevolência e sussurra: — Caminhe, mesmo sem direção, eu seguro tua mão!

Às vezes, o calar nos sufoca, de tal forma que evitamos falar, o que nos expõe a julgamentos infundados, gerando angústia e isolamento, como um sufocamento emocional. Precisamos discernir e ter a sabedoria para saber quem merece ouvir nossa voz e segurar nossas mãos.
Lu Lena

Às vezes, a gente precisa ficar *surdo* para a correria da vida para conseguir sintonizar a frequência do que realmente importa. É um estado depresençaquase meditativo. Onde nossa alma fica irresoluta e se reconstrói.
Lu Lena

QUANDO A LUZ ENTRA PELA FRESTA


Às vezes, a vida nos pede apenas para parar e olhar para cima. Entre os galhos retorcidos, que carregam o peso do tempo e das estações, o sol encontra uma fresta para nos lembrar que a luz nunca desiste de atravessar — mesmo quando a alma, em letargia, flutua por entre as névoas da escuridão.
Lu Lena

O AVESSO DO VERBO
(Onde a grafia não alcança)


Às vezes eu culpo o silêncio por não compreender as metáforas de minha existência. Ele tem o hábito de esconder as palavras que eu ainda não tive coragem de inventar — ou mesmo decifrar. O que resta, afinal, é o que sobra quando as letras faltam.


Lu Lena / 2026

A CONFISSÃO DA NOITE
(O uivo das sombras internas)

Como uma loba,
às vezes libero,
num uivo híbrido,
minhas emoções
mais funestas no ar.
E na total escuridão,
numa noite intrépida
como testemunha
e cúmplice daquilo
que só eu sinto…
Resta o esplendor
do luar.

Lu Lena / 2026

MANIFESTO DA HIBERNAÇÃO

Do sonho a gente acorda, da realidade às vezes a gente hiberna.

Lu Lena / 2026

O TATUAR DA ALMA NO ESCURO
(O medo também pode levar à luz)


O medo é, muitas vezes, apenas o sintoma da nossa própria incompreensão. Ele nasce do vazio do nada, mas basta enfrentar a escuridão de olhos vendados até encontrar o interruptor da luz.


Lu Lena / 2026

LONGE DE PERTO
(O paradoxo do voo)

Impressionante como, muitas vezes, voamos tão longe e, absurdamente, não conseguimos pousar em lugares tão perto.

Lu Lena / 2026

LIMITES DO DESEJO
(A resiliência como marcador da alma)

Às vezes a vida oferece aquilo que podemos suportar. E, por isso, os desejos são filtrados.

Lu Lena / 2026

POSIÇÃO FETAL
(Onde o tempo para e a mágoa seca)

Às vezes, lavo todas as minhas mágoas
e sentimentos mal resolvidos no líquido amniótico;
torço-os com toda a força onde fui segregada
pelo útero materno,
estendo-os no cordão umbilical e,
enquanto não secam,
fico dormindo na posição fetal.

Lu Lena / 2026

Quando repentinamente na madrugada acordamos, é porque a alma escapuliu do sono...As vezes ela quer apenas conversar com os pensamentos confusos e abstratos, e aí se espreguiça e desperta por alguns instantes de nossos sonhos...

Lembranças do passado é como rodar disco de vinil na vitrola, às vezes a agulha arranha de rodar sempre na mesma faixa...

O INTERDITO DO SER
(​Quando a resiliência se torna uma cela invisível.)

​Muitas vezes possuímos a força necessária, mas enfrentamos circunstâncias tão adversas que nos retiram o direito ao sentir; há uma interdição externa que nos nega essa permissão.

​A vida vai passando, e os ponteiros do relógio parecem cavalos selvagens correndo na praia deserta, com sede urgente de um oásis. São como os dias que nascem e morrem: às vezes nos exigem o encilho, mas em outros nos negam o fôlego.

​Então, erguemos castelos de resiliência sobre terrenos movediços, dunas disformes e mares agitados. Sob o peso do dever, os ombros aprendem uma postura que não admite o tremor.

Temos, inevitavelmente, a força — essa força bruta, quase descomunal, que nos mantém de pé quando tudo ao redor desmorona. Mas é uma força solitária que ninguém vê; só a gente sente e observa, desprovida de alento.

​As circunstâncias são como carcereiras invisíveis que impõem o silêncio aos nossos afetos. É a pressa do mundo, o rigor do papel que desempenhamos, a interdição de quem nos olha esperando apenas a solução, nunca o cansaço. O mundo nos aplaude a armadura, mas ignora a pele que pulsa por baixo dela.

​Negam-nos a permissão. Dizem que o sentir é um luxo para tempos de bonança, um desvio de rota para quem tem pressa em chegar. E assim seguimos: fortes por fora, mas com um deserto de palavras não ditas por dentro. Pois a dor que não encontra o direito de ser sentida não desaparece; ela apenas se acumula nas frestas da nossa estrutura, esperando o dia em que a força, finalmente, se canse de ser apenas pedra e reivindique o seu sagrado direito de pulsar.

​Porque a vida, tal qual uma vertente de rio, não foi feita para ficar represada em armaduras; ela nasce para contornar obstáculos e, enfim, desaguar no sentir.

Lu Lena / 2026

​O RITUAL DAS MÃOS LIMPAS
(A reconstrução da essência)

​Às vezes me pego pensando no tempo; olho o relógio que teima em ficar torto no armário da cozinha. Estou sempre endireitando-o, como se ele captasse minha inconstância entre o despertar e o anoitecer.

Houve uma época em que acreditei que o vazio daquela dor seria um inquilino permanente. Ela ocupava os cantos da casa, sentava-se à mesa e, silenciosamente, projetava uma sombra que parecia maior do que minha própria estatura.

Foi um período de invernos internos, onde o sofrimento não era visitante, mas o cinzel que, golpe após golpe, removia o que eu julgava ser essencial.

​Foi uma caminhada de olhos vendados; eu só via a terra árida, como em um deserto sem oásis. O que eu não sabia, enquanto as feridas ainda estavam abertas, é que aquele mesmo cinzel esculpia a mulher que vejo hoje no espelho.

Talvez não fosse apenas dor, mas a mágoa e a incredulidade de percorrer tal caminho. Com uma ironia cruel, esse processo me quebrou, mas também me reconstruiu, fortalecendo minha essência e dignidade.

​Mas chega o dia em que a maturidade nos ensina que tudo passa; até a sombra na memória torna-se um fardo inútil. Olhei para o passado e vi o rastro que ficou — linhas mal traçadas num bloco de anotações que insistiram em projetar esse "risco" na minha jornada.

Por muito tempo, tentei justificar ou curar o que não me pertencia. Hoje, o silêncio substituiu o lamento.
​Em um gesto quase litúrgico, faço como Pilatos: lavo as minhas mãos.

Deixo que a água leve os resquícios daquela influência, o peso e a poeira dos dias em que me senti pequena. Não há ódio, pois o ódio ainda é um vínculo; há apenas a indiferença da libertação.
​Sigo sem olhar para trás.

A sombra ficou onde as luzes não chegam e eu, finalmente, descobri que o idioma da minha pele agora só traduz liberdade. Volto a olhar o relógio torto na parede que, ironicamente, parece entender o que sinto.

​Foi naquela terra de chão batido que fui plantada. Deixei de ser raiz seca para me tornar árvore frondosa, cujos galhos são como braços enormes e as folhas como dedos de Deus. Observando o dia nublado — cinza como aqueles dias de outrora —, vou até a pia, respiro fundo e encaro o espelho:

​"Sei que, às vezes, posso parecer louca, mas é exatamente nessa insanidade que meus pensamentos revelam que hoje sou completamente sã."

​Num ato profético, repito o gesto de Pilatos e, definitivamente, saio de cena.

Lu Lena / 2026

O sorriso muitas vezes é o abraço que a alma gostaria de receber.

Lu Lena / 2026

​O PALCO DO SILÊNCIO
(​Quando a maturidade dispensa a plateia)

​Às vezes, o despertar da maturidade se esconde atrás de um ruído que só tua alma escuta. E, nessa evolução, o teatro está vazio: apenas as luzes da ribalta acesas e as cortinas fechadas, para que esse barulho interno que ressoa no anonimato seja como aplausos no palco de tua existência.
​O espetáculo não precisa começar, pois a peça já estava escrita.

​Lu Lena / 2026

PROTEÇÃO DIVINA

​Às vezes, o que nos mantém de pé não é o que as mãos alcançam ou o que os olhos veem. É a força silenciosa que nos acolhe quando o chão parece faltar.

​Segurança não é sobre ter todas as respostas, mas sobre saber Quem nos segura em cada detalhe. No vazio das certezas, o sustento e a fé é real.

Lu Lena / 2026