Às Vezes
Às vezes, um mal entendido acontece pra mostrar o que havia no coração do outro sobre você, mas não estava exposto. Neste contexto, a revelação do coração surpreende e explicar o que não foi entendido, perde a importância.
Às vezes, é necessário que a vida nos quebre em mil pedaços para que possamos enxergar que por trás dessa casca dura de teimosia há um universo de possibilidades esperando para ser explorado.
Sentido, uma palavra que vem usada muitas vezes, mas afinal o que é o sentido? Muitas vezes te dizem:"suas ideias não tem sentido também você esistir e viver não tem sentido". No começo eu ficava triste comigo dizendo que eu era uma coisa indescritível mas depois percebi que a vida de todas as pessoas tem sentido (incluindo a pessoa que me falou aquilo) e que o sentido das pessoas que oprimem as outras é nós render mais forte e criar uma armadura para a vida.
Às vezes fugir é prudente, às vezes é covardia. Às vezes enfrentar é loucura, às vezes é libertação. No entanto, fugir também significa estar preso a algo ou a algum lugar. Pois, ao fugir, ainda se carrega o peso daquilo que se evita. Enfrentar, por mais insano que pareça, pode ser a única forma verdadeira de se desprender — ou de ser devorado.
Às vezes, por medo de perder uma amizade, um trabalho, um namorado a gente não impõe os limites que deveria. Mas a verdade é que ninguém perde nada importante quando impõe limite, perde abusadores, sanguessugas, exploradores, vampiros espirituais, gente que trena a nossa energia e trava nosso crescimento. Depois que essas pessoas saem da nossa vida ou nós saímos da delas vemos que esse tipo de gente não nos faz a menor falta, muito pelo contrário ganhamos paz, liberdade e oportunidade de crescimento em todas as áreas da vida.
Às vezes, a nossa luta maior não é contra os obstáculos é contra o cansaço diário e o medo de desistir de que a gente tem.
Quando repentinamente na madrugada acordamos, é porque a alma escapuliu do sono...As vezes ela quer apenas conversar com os pensamentos confusos e abstratos, e aí se espreguiça e desperta por alguns instantes de nossos sonhos...
Lembranças do passado é como rodar disco de vinil na vitrola, às vezes a agulha arranha de rodar sempre na mesma faixa...
Por trás de mulher guerreira existe uma menina indefesa, que as vezes entre uma batalha e outra sorri pra vitória, mas também chora.
QUANDO A LUZ ENTRA PELA FRESTA
Às vezes, a vida nos pede apenas para parar e olhar para cima. Entre os galhos retorcidos, que carregam o peso do tempo e das estações, o sol encontra uma fresta para nos lembrar que a luz nunca desiste de atravessar — mesmo quando a alma, em letargia, flutua por entre as névoas da escuridão.
Lu Lena
O AVESSO DO VERBO
(Onde a grafia não alcança)
Às vezes eu culpo o silêncio por não compreender as metáforas de minha existência. Ele tem o hábito de esconder as palavras que eu ainda não tive coragem de inventar — ou mesmo decifrar. O que resta, afinal, é o que sobra quando as letras faltam.
Lu Lena / 2026
A CONFISSÃO DA NOITE
(O uivo das sombras internas)
Como uma loba,
às vezes libero,
num uivo híbrido,
minhas emoções
mais funestas no ar.
E na total escuridão,
numa noite intrépida
como testemunha
e cúmplice daquilo
que só eu sinto…
Resta o esplendor
do luar.
Lu Lena / 2026
MANIFESTO DA HIBERNAÇÃO
Do sonho a gente acorda, da realidade às vezes a gente hiberna.
Lu Lena / 2026
O TATUAR DA ALMA NO ESCURO
(O medo também pode levar à luz)
O medo é, muitas vezes, apenas o sintoma da nossa própria incompreensão. Ele nasce do vazio do nada, mas basta enfrentar a escuridão de olhos vendados até encontrar o interruptor da luz.
Lu Lena / 2026
LONGE DE PERTO
(O paradoxo do voo)
Impressionante como, muitas vezes, voamos tão longe e, absurdamente, não conseguimos pousar em lugares tão perto.
Lu Lena / 2026
LIMITES DO DESEJO
(A resiliência como marcador da alma)
Às vezes a vida oferece aquilo que podemos suportar. E, por isso, os desejos são filtrados.
Lu Lena / 2026
POSIÇÃO FETAL
(Onde o tempo para e a mágoa seca)
Às vezes, lavo todas as minhas mágoas
e sentimentos mal resolvidos no líquido amniótico;
torço-os com toda a força onde fui segregada
pelo útero materno,
estendo-os no cordão umbilical e,
enquanto não secam,
fico dormindo na posição fetal.
Lu Lena / 2026
Às vezes, atravessamos o deserto de nossa alma, que se perde num silêncio ensurdecedor… de vermos nossos filhos autistas sem saber, compreender e entender o seu ser… Aí Deus nos coloca no oásis de sua magnitude e benevolência e sussurra: — Caminhe, mesmo sem direção, eu seguro tua mão!
Às vezes, o calar nos sufoca, de tal forma que evitamos falar, o que nos expõe a julgamentos infundados, gerando angústia e isolamento, como um sufocamento emocional. Precisamos discernir e ter a sabedoria para saber quem merece ouvir nossa voz e segurar nossas mãos.
Lu Lena
