Às Vezes
Por vezes, é importante escrever o que se sente, não adianta descrever, não se consegue. As palavras estão inertes.
Motim Plumitivo
A imortalidade é uma infinita solidão.
É necessário morrermos muitas vezes
para inferirmos que o íntimo da Vida
é um ápice cintilante, e renasce a cada instante.
As quatro subdivisões do ano morrem profundamente
no colo do mundo. Ressuscitam os seus padrões
climáticos pelas formas do sentimento:
perfumes melódicos que revelam o mundo interior
das almas. À superfície de um lúcido minério
todas as existências são instintivamente sublimes.
As pétalas da consciência coabitam os pensamentos
torturados pelas noites geladas dum solitário poema.
E assim permanece o motim plumitivo:
que escorre da minha pena.
A Vida Inteira
A vida passa tão rápido
que, por vezes,
deixamos escapar
aquilo que o coração
e a pele,
a vida inteira
não conheceram.
Algumas vezes
podemos despir
toda a roupa,
mas o coração
e as palavras
continuam totalmente vestidos.
Naufragar
Por vezes, internamente,
necessito naufragar.
Coberto de rios e oceanos,
ao emergir a minha alma
está repleta de ilhas
e vagarosamente construo
novos cósmicos continentes.
Só o meu coração
sabe as imensas vezes
que falo de ti
para a minha alma.
Só a minha alma sabe
tudo sobre o amor.
Essências humanas , por vezes, revelam-nos outros caminhos, como também, que afastamento e distância geográfica são formas verdadeiramente curativas.
Somos livros.
Por vezes, não somos nós que viramos a página ao livro, inesperadamente, é o próprio livro que vira a nossa própria página.
