Às Vezes
Às vezes queria apenas dormir e acorda sem me lembrar do sentimento que sinto por você, o amor que sinto por você. Só para esse sentimento e essa dor acabar!
Às vezes, a gente sente saudades de um romantismo, de um gesto de carinho, de um toque mais afetuoso, de mais emoções.
Hoje em dia, parece que as pessoas estão mais frias.
Incondicional. Palavra forte e rica em desapego, universalismo, compreensão e amor. As vezes esbarro nela, as vezes a ignoro e muitas vezes a abraço.
Navego pela vida com uma certa tranquilidade, pois as vezes me entristeço comigo mesmo, ao cair. Me levanto, sorrio e prossigo.
A vida as vezes bate forte demais. O problema é que não aprendemos a esquivar e muito menos absorver com um sorriso de deboche.
Nem sempre sou água que se infiltra, contorna, transborda e flui. As vezes sou areia, que apenas preenche, deposita e sossega.
As oportunidades são como nuvens, nunca passa uma igual e as vezes somem, mas sempre reaparecem acompanhadas de outras.
As vezes acho que afirmar que sou fotógrafo, artista plástico, escritor, percussionista, instrutor de boxe e técnico em informatica soa estranho, com presunção, arrogância...mas eu sou, mesmo que não um dos melhores.
Eu me debruço sobre qualquer assunto que me exija, por duas ou três vezes, atenção necessária para poder entendê-lo.
Certos confinamentos e clausuras abrem portas e janelas que nem sabíamos existir...as vezes até mesmo necessários porões escuros e sótãos iluminados. Os melhores arrancam o telhado e deixam o sol entrar.
Somos raízes de uma mesma árvore, crescendo, se aprofundando na vida-terra, esquecendo muitas vezes, subindo aos céus, de olhar de onde viemos, percebendo que somos parte de UMA só fonte.
Exigimos dos outros, muitas vezes, aquilo que nem nós chegamos a oferecer, seja por pensamentos, palavras ou atos.
Vou me vingar de mim mesmo. Pelas vezes que eu desacrditei de mim, que me fiz menor ou maior pelo ego. Vou me vingar das vezes que eu fui uma âncora quando eu deveria ter me permitido. Vou me vingar das vezes que eu simplesmente virei as costas para os meus sonhos. Vou indo agora, prometo que vou me vingar.
As vezes me pego a pensar que o Criador é demasiado cruel conosco. Envelhece nossa carne e não envelhece nosso espírito.
Os desígnios de Deus, embora muitas vezes nos pareçam estranhos e incompreensíveis, são traçados com um propósito divino e perfeito. Há um filme que assisto de tempos em tempos chamado *Os Pássaros Feridos*. É uma história única, uma saga que atravessa mais de 60 anos, narrando o romance proibido entre um padre e uma jovem comum.
A trama se inspira na lenda de um pássaro espinheiro, que passa a vida buscando o espinho mais afiado para empalar-se. E, ao fazer isso, entoa um canto incomparável, mais belo que o da cotovia e do rouxinol. É um canto sublime, cuja perfeição só é alcançada ao custo da própria vida.
Quantos de nós, ao longo da vida, não nos ferimos em espinhos dolorosos, conscientes de que, apesar da dor, esses momentos podem extrair o melhor de nós? Esse filme fala sobre renúncia, não sobre religião, e carrega uma mensagem profunda e universal. Recomendo com entusiasmo, pois é uma obra que nos faz refletir. Espero que, um dia, você tenha a oportunidade de assisti-lo.
