Às Vezes
E quantas vezes eu fiquei no meu quarto, escrevendo tanto sobre você.
Mas no final tudo que foi escrito
virou aviãozinho jogado pela janela do
meu quarto fechado
Às vezes penso se mais alguém vê o mundo como eu o vejo, e se, de certa maneira, o copo de água que seguram nas mãos será gota do rio que se insinua em mim, ao encontro de um extenso e aberto mar.
Eu sei
Quantas vezes se machucou
Feriu seu interior
E desistiu do amor
Sozinha cê se trancou
E no seu quarto chorou
Olhando as fotos surgiu
Facas dando vida a dor
Quem sou?
As vezes me pergunto, quem sou?
Não sei responder.
Para melhor saber, acho que necessário seria aos caminhos
já feitos voltar, às ruas por eu andadas, lugares que não
lembro mais.
As pessoas que amei, e as que esqueci e que deixei de
gostar.
Tudo o que fiz, bem ou mal feito, na memória guardado
está.
O bem que fiz e faço, é o que de útil deixarei.
Em uma análise fria, tenho mais prós, do que contras.
Vivo e deixo viver, amo a todos, se todos me amam, não sei.
Sou alguém que vive a vida, que dá de si para valer.
Sem ser modesto, mas honesto, sou alguém que não vale a pena esquecer!
Roldão Aires
São Paulo
Membro Honorário da Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências de Arraial do Cabo – RJ
Membro Honorário da Academia de Letras do Brasil
Membro da U.B.Epergunto
CORAÇÃO ENGANOSO
Por muitas vezes, ouvimos o que o coração diz, mas ele é tão enganoso, contraditório em seu olhar, insano em suas palavras. Acha da razão sua fraqueza, porque sabe que nela encontrará a verdade por trás de seu devaneio.
Perplexa ilusão, frenesi intensa, enquanto mantêm seus lábios ansiosos, seu corpo entregue aos desejos de uma sede insaciável. Delírio instigante, excitação que o aprisiona em seu cárcere.
Desgraçado em sua fraqueza, perdido em sua escuridão. Suas pernas já estão cansadas, seus olhos cegos e sua voz, incapaz de soar por certezas.
►Nas Horas de Tristeza
E a dor de escrever um poema de amor?
Quantas vezes fui debochado por escrever apaixonado
Eu perdi a conta, mas me machuca por toda semana
Pensei em parar quando a primeira pessoa começou a gargalhar
Sinceramente, a caneta cogitei em soltar,
E não mais utilizá-la para me expressar, parar de rimar
Por que não consegui parar? Eu não sei
Apenas continuei, e duzentas rimas eu já formei
Não sei quando vou encerrar, talvez eu vá desanimar
Por agora eu quero apenas desenhar meus pensamentos
Por agora só quero passar o tempo descrevendo cada momento.
Houveram partes em que era insuportável
Meus textos eram desrespeitados
Pensava em pôr um ponto final e "deixar para lá"
Palavras inocentes, ou falsas, sem precedentes
O apoio que eu recebia era como se fosse um jogo
Às vezes ganhava um, as vezes perdia outro.
Mas como eu poderia simplesmente não mais poetar?
Em várias folhas de papel meus pensamentos pude eternizar
Eles estarão lá quando eu precisar relembrar
Como poderia ignorar tudo o que já lapidei?
Nos versos estão os momentos que me magoei,
Que chorei, que me alegrei, e que me entreguei
Serão imortais, não esquecerei deles jamais
O fim só irá chegar se eu permitir.
São nas horas de tristeza que eu pego a caneta
Procurando uma maneira de distrair minha cabeça
Não tenho certeza se meus textos possuíram beleza
Não sei se serão aceitos, mas continuarei escrevendo
O que importa é que eu esteja melhor
Fico feliz por possuir o texto favorito
Só quero evitar de escrever o quanto me sinto só
Transformo a solidão em uma chance de reflexão
Quem sabe também transformar perdição em salvação?
Mas por enquanto escrever é minha missão
Acalmar o meu coração, e aceitar o vazio
Pensando se o que sinto é relativo e passivo.
Eu encontrei felicidade ao escrever na casualidade
Não que a escrita seja minha especialidade
Mas me sinto bem ao me abrir
Mesmo sem ninguém aqui para me fazer feliz
Está tudo bem, o papel é meu amigo
Termino mais um texto querido
Até a próxima, quem sabe uma nova história?
Entendo que a ausência de palavras seja apenas cansaço. Às vezes também me canso. As palavras deixam de surgir e passa-se somente a sentir.
Às vezes sento-me no topo do Universo e vejo o mundo passar apressado. Sorrio sem querer, balançando as pernas no vácuo, e contemplo a galáxia firme e distante, traduzindo a liberdade e o sonho longínquo dos felinos. Meu Deus, como é bom estar aqui!
Alguns vão estranhar meu silêncio, mas com o tempo entenderão.... pois as vezes nem todas as palavras do mundo consegue exprimir um sentimento, seja de alegria, tristeza, saudades ou de alguma emoção, cada um tem uma forma de reação diante da circunstância ou momento, e eu aprendi neste tempo que é melhor calar me as vezes diante delas.
“Ás vezes ficamos calados porque não temos o que dizer, em outras, é porque temos mais do que deveria.”
