As Pessoas Sao como Ondas
QUEBRA CABEÇAS
Às vezes, penso em como somos tão parecidos,
como peças de um quebra-cabeça,
como se cada peça tivesse sua própria característica,
cor, formato e textura.
É difícil imaginar que uma peça sozinha faça sentido,
assim como nós quando estamos solitários.
Existe uma conexão invisível entre todas as peças,
como se, mesmo não estando ligadas, estivessem destinadas à união.
Às vezes, é difícil encontrar o encaixe correto à primeira vista.
É necessário paciência e perseverança.
Por mais que nos comparemos a uma peça que não tem lugar,
é necessário lembrar que não há um todo sem seus pedaços.
Às vezes, podemos nos encaixar, mas não fazemos
sentido naquele lugar.
Somos peças únicas no emaranhado quebra-cabeças
chamado Vida, e por mais perdidos que possamos estar,
somos essenciais para completar o todo,
sem esperar que mudemos para nos encontrar, e sim
que nós encontremos um lugar onde já façamos parte.
Um desconhecido, um ser humano, um homem que perdeu seu rumo, mas com um coração tão grande como sua humildade, nos deixou ou só foi chamado para estar ao lado dos bons.
Conhecer você foi como reaprender a enxergar o mundo: cores que antes eram opacas voltaram a vibrar, um coração antes frio encontrou abrigo, e na delicadeza da sua presença, nessa quase inexplicável Basorexia descobri que o extraordinário existe, às vezes, em uma única pessoa.
Se Viver é um rasgar-se e remendar-se, como descreveu lindamente Guimarães Rosa, penso que, pra se rasgar é imperativo ser flexível. Pedra não se rasga.
O que se rasga é seda, frágil, sem gesso, nem armadura. Sem orgulho. Se rasga, se expõe, se reconstrói. Atravez de infindáveis acertos e consertos. E nesse seu remendo, com agulha fina, e muitas lágrimas, escreve letra por letra as viagens de exploração da própria alma, sem julgar. Nunca intransigente, nunca dona da verdade, nunca cristalizada. Toda fluidez. Toda trama fina. Com Aberturas para a luz. Cicatrizes. Aquela rebeldia louca e inquisidora. Que desafia e desfia. Desfia tudo em mil fios, pra fazer do seu jeito, único. Anda por aí, nua e leve, vestida com seu olhar, vestida com suas histórias. E essa rebeldia, de nascença, encara tudo e escancara. Aponta o dedo, sim, mas só pra si. Escava a terra fertil de suas entranhas mais sagradas, e examina grão por grão. E joga pra cima. E se ri. De sua poeira. De seu nada. E se lança com as estrelas, se espalha. Se brilha.
Adriana L S C Adam
Não consigo entender como uma pessoa que passou anos com outra, dorme na mesma cama, come na mesma casa, tem uma família com a pessoa, consegue mentir olhando nos olhos, enganar e machucar essa pessoa. Onde a única coisa que ela entregou e fez foi dar amor e dedicar todo o seu tempo para aquela relação, aquela família. Isso é inadmissível!
Me aproximo do teu corpo
como quem tenta voltar
para dentro de si.
Mas há sempre algo errado:
um pequeno atraso entre o toque
e o sentir.
Tuas mãos me encontram
com uma precisão que me assusta.
Como se soubessem de mim
mais do que eu.
E eu deixo.
Deixo que percorram
o que ainda reconheço como meu,
mesmo quando tudo
já parece distante.
Seu toque é a fugacidade que procuro,
no instante que pulo e não me encontro.
Foi a porta de entrada para todos os nossos planos, terminando sempre no frio do teu abraço, embora algum dia fosse calor...
A vida é como o mar, onde cada onda nos leva pelos altos e baixos de uma trajetória incerta e inevitável.
O toque chama — insiste — repete,
um eco metálico no vazio,
como se minha urgência fosse leve,
como se meu tempo fosse frio.
Do outro lado, silêncio.
Um silêncio que pesa, que arranha,
que cresce dentro do peito
feito algo que não se ganha.
Não é só a ligação perdida,
não é só o “depois eu vejo”,
é o desprezo que se insinua
como um gesto sem apreço.
Porque ali vai meu trabalho,
minha pressa, minha razão,
e volta apenas o nada
ocupando a conexão.
E então nasce uma chama breve,
bruta, rápida, voraz —
um impulso de quebrar o mundo
pelo respeito que não se faz.
Mas no fundo, o que grita mesmo
não é raiva — é ser ouvido,
é querer que, do outro lado,
exista alguém comprometido.
O maior risco não reside na mentira evidente, mas naquilo que se identifica como verdade autorizada, aquela que se impõe como oficial, incontestável e, por isso mesmo, imune ao escrutínio.
A vida é como uma criança, criando uma reviravolta, fazendo graça e depois voltando, boa ou má por causa de nossas próprias palavras. Então se você quer boa sorte, tenha cuidado antes de semear as sementes.
Fico me perguntando: como é possível sentir falta de algo que eu nunca experimentei?Talvez seja o fascínio pelo desconhecido, pelas infinitas possibilidades que a vida nos esconde.
E mesmo sabendo que são apenas fantasias, não consigo deixar de senti-las como verdadeiras. O que me leva a crer que, talvez, não sejam as experiências que definem o que sentimos,mas sim a profundidade com que nós a desejamos.
O Alento da Ausência
Outrora, eu era vigília e fresta,
ansiando o teu olhar como quem acende a luz
no cais de uma espera deserta,
suplicando ao horizonte que te trouxesse de volta.
Hoje, as sombras me bastam.
Prefiro o abismo desse silêncio inteiro
à tua presença fragmentada, que não habita apenas visita.
Pois o que oscila entre o vir e o partir
não oferece abrigo; apenas turva o cristal da memória.
Ver-te agora, ainda que sob o véu da distância,
não é bálsamo, mas interrogação.
Cansou-me o fardo dos intervalos,
os sinais que desbotam antes de se tornarem rastro,
esses quase-encontros que são, em verdade, desertos.
Se o teu destino é o não-estar,
que a tua ausência seja, enfim, absoluta e limpa.
Sem o eco de passos breves,
sem o toque fantasma que tateia mas não sustenta.
Há uma quietude austera em renunciar à espera.
Descubro, no vagar dos dias, a lição mais difícil:
que o esquecimento, por vezes,
é a forma mais profunda de zelar por si.
Manifesto de Uma Alma Livre
Sempre tão ansiosa a respeito do futuro,
Eu me antecipava, como se pudesse vencer o tempo.
Carreguei expectativas que não eram minhas,
Engoli silêncios,
Tolerei situações e palavras que me desgastavam,
Até perceber que me perder de mim mesma
Era a pior prisão que eu poderia aceitar.
Eu não nasci para competir por atenção,
Nem para provar nada a ninguém.
Minha única missão é superar a mim mesma,
Acordar a cada dia com a vontade urgente de ser mais.
Exploro tudo o que sinto
Porque negar minhas emoções seria negar minha própria natureza.
Sou intensidade, movimento e recomeço.
Se algo me magoa, eu não finjo que não doeu.
Eu sinto, permito queimar,
Mas transformo as cinzas em impulso.
Não guardo mágoas, mas não esqueço histórias.
Lembro-me de cada nome e cada olhar,
Não por rancor,
Mas porque não há aprendizado sem memória.
Eu aprendi a dar um sentido temporário a tudo,
Porque permanência é ilusão.
O que eu amo pode ser eterno dentro de mim,
Mas sei que o mundo está sempre em movimento.
E eu também estou.
Se há algo para melhorar,
Vou encarar sem medo.
Se há algo para deixar para trás,
Vou soltar sem arrependimentos.
Nada me congela, nem a dúvida, nem a razão.
Se tiver que cair, eu caio com coragem.
E se cair, volto com um propósito maior.
Porque viver é experimentar, é sentir, é arriscar.
É construir e destruir se for preciso,
Até encontrar aquilo que faz meu coração vibrar.
Eu sou intensa, sim.
Não fujo de mim mesma.
Exploro o mundo com a mesma coragem
Com que mergulho em meus sentimentos.
E, mesmo sabendo que nada é para sempre,
Continuo a escolher sem medo
Tudo o que me faz sentir viva.
Como calar as vozes da nossa mente?
Quando morre a mãe da gente, é o momento que a gente entende de verdade que não somos imortais.
É como se caísse a ficha de uma vez por todas que, o colo que só uma mãe pode nos dar, não nos pertencesse mais, mãe é aquela que nos alicerça
E como lidar com o desamparo que maltrata tanto?
Uma vez me questionaram sobre o tempo do luto e quando isso ia passar?
As pessoas só entendem essa dor, quando dói na carne delas.
E não é sobre superar, é sobre resignificar.
A saudade vem , numa terça feira qualquer, as vezes vem num almoço de domingo, ou mesmo numa festa incrível que você só queria a companhia daquela pessoa.
A vida tem que continuar, e continua mesmo, nos primeiros segundos da perda a gente já sente o desabor do luto.
Mas muitas vezes o mundo está a todo vapor e você no meio disso tudo não tem outro caminho a não ser correr junto nessa maratona que é a vida.
Que possamos nos curar das dores silenciadas, das palavras ouvidas, dos julgamentos. Das vezes que dissermos que estava tudo bem e sorria para camuflar a dor.
Das indiferenças, dos pesos, dos julgamentos.
A beleza e a vulnerabilidade de uma flor nos faz jardim. Não há como não se inspirar nas cores, no perfume e na leveza que a natureza nos dá.
É possível ser primavera , mesmo que o deserto seja demorado.
É possível ser verão, mesmo que o outono nos acolha.
CICLO DA RAZÃO (III — Razão)
Agilson Cerqueira
E então surge a razão.
Não como pedra fria,
nem como montanha isolada,
mas como um horizonte
que se abre no pensamento.
Ela ilumina o que foi sentido,
revela o que foi pensado,
e costura o mundo
à consciência.
Na razão,
as coisas encontram forma,
e o pensamento encontra direção.
O ser humano percebe
que compreender
é também uma maneira
de tocar o infinito.
Pois cada ideia
é uma ponte invisível
lançada entre o eu
e o universo.
E assim,
o mundo continua
a nascer todo dia
com sentidos, mente e razão.
Vida!
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