As Coisas Findas muito mais que Lindas
Eu queria escrever um poema simples
Que falasse um pouquinho só
De coisas que a gente, normalmente
Tem deixado sempre de lado
Eu queria dizer coisas
Que te fizessem perceber
Ou que talvez me acordassem
E fizessem olhar
Pro ar
Pro Mar
Olhar para o Céu
Parar de olhar somente
Para as coisas que definitivamente
Não valem
Por mais que, de repente
Me calem
E que mais tarde
Olhando direito
Não convencem
Muito menos
Impressionam
Pois, na verdade
Nada me impressiona tanto
Quanto os raios do Sol
A fugir por detrás das nuvens
Irradiando Luz prateada
Eu queria só saber
Por que é que não consigo
Te convencer
Por que é que você
Olha, ouve... diz que pensa
Faz cara de paisagem
Mas nunca, porém
Entende nada
Continua vivendo ensimesmada
Parada, julgando o que não viu
Chorando o que não sentiu e nem viveu
Por que é que eu não consigo
Num simples poema simples
Fazer-te entender
As coisas que digo?
Antes de dizer coisas que realmente vale à pena ouvir, verifique se as pessoas a quem você pretende dizer não estão usando fones de ouvido, conversando com o umbigo, contando dinheiro ou admirando-se diante do espelho. Às vezes também pode acontecer de elas ouvirem mas não estarem preparadas para compreender.
Eu tento ser preciso
nas coisas que digo
Procuro ser bem claro
Passo a passo
nas coisas que faço
Evito dizer o que não devo
nas coisas que escrevo
Parece que vai ser fácil
mas sempre
Após perceber um novo fracasso
constato não ter sido nada disso
É preciso encontrar
Quem queira me ver de verdade
E escave um pouco
Com mais profundidade
Pois alí há de encontrar
Aquilo que não soube
Ou nunca pretendeu
Compreender
Aqui estão
As coisas que escrevi
Aqui estavam desde sempre
Desde que te conheci
Aqui estavam
Agora você quer
Que eu as ponha ali
Ali eu estava
No dia que te conheci
Ali eu estava
Antes de te conhecer
Aqui elas permanecerão
Você me disse naquele dia
Que era a garota
Que sabia lêr
Se soube me conhecer
E souber reconhecer
Há de entender
Que meu tesouro
É e sempre foi você
Juntamente com as coisas
que escrevi
E eu quero
Que fiquem aqui.
Você há que entender
Que o Homem
Que aqui escreve
Não vive
e nem quer viver
Sem a mulher
Que sabia lêr
Não posso responder
Se existe felicidade
Não sei ao certo distinguir
As coisas ilusórias
Das mais profundas verdades
Assim como você não saberá
E também não te cabe
Nem nunca caberá
Julgar aquilo que se pode definir
Como Glória
Daquilo
Que deve permanecer
Sob os tapetes da sua sala
Não sei responder se existem Glórias
Não sei definir se existe amor
Lealdade, sabor ou saudade
Mas sei te responder
Que existe em mim a vontade
De ver existirem
Todas essas coisas
As quais ninguém vê
E sei também definir
Que é preciso apenas desejar
Para que elas possam
Existir
Em sua realidade
A vida é uma lista
de coisas que nós não fizemos
relembre o que fez
E verá que deixou de fazer
Um tanto assim de coisas boas
E seu coração
Ainda guarda um lugar vago
Um lago sem vida
Cercado de esperanças perdidas
A saudade é uma cobra que voa
Pouca coisa sobra
Além daquilo que não fez
desde que elegeste a lista
das coisas importantes
Que hoje não parecem
Nem de perto
As mesmas de antes
Algo soa dissonante
A vida é um barbante esticado
No qual penduramos lembranças
Algumas doídas
Outras mansas
E algumas malsãs
A saudade é uma irmã
Furtada de nós, quando criança
A vida é uma dança
Que nós não sabemos dançar
A esperança
é um pote de ouro escondido
que você nunca vai saber
onde ele está
Por mais que procure
Por mais tempo que dure
esta busca infinda
Mas mesmo assim, no final
Verá que acabou de escrever
Uma história linda
num livro que não tivemos
tempo de lêr
Estávamos ocupados
em viver
Eu não compreendo o que se passa
Quando percebo
que pequenas coisas que me emocionam
Para a imensa maioria
Não tem e nunca terão
A mínima importância
A chuva durante uma tarde de verão
A nova versão de uma canção antiga
Uma pequena vitória
de qualquer pessoa amiga
O mendigo que sorri para você
Agradecendo a graça dividida
A tristeza inexplicável que eu sinto
Quando termino de ler um bom livro
A insustentável sensação
de ser e não ser livre
A vontade de saber voar
Contrastando com o medo de altura
A doçura do sorriso
daquela pessoa desconhecida
Que posou despercebida
Numa foto antiga da família
A saudade de amigos ausentes
O gosto de pitanga
Que a memória gustativa
Traz à boca
Eu posso sentí-las nos dentes
As plantinhas que nasciam
Nos cantos dos jardins
Nas escolas da minha infância
Incríveis coisas invisíveis
Que enxergava e ainda enxergo
Não é possível que os demais
estejam cegos
Coisas passam despercebidas
Temores contidos
Quando o Mundo Gira
Peixes emergem assustados
Seres emitem som de lira
Pedras rugem
Quando brilha a Lua
Sombras que surgem das sombras
Coisas sem explicação
Rondando as fronteiras
do meu coração
Medos que me fazem
Criar coragem
Meu peito emite
Um silêncio lancinante
E os impulsos descrentes me fogem
Vai longe o tempo da inocência
A gente aprende de repente
a ter prudência
Ao perceber que a Floresta encantada
Que a gente enxergava
espiando pelas frestas
se tranforma do dia pra noite
Em bosque assombrado
Certas palavras
Algumas visões
Muitas coisas
Das quais eu pouco entendo
Em determinadas situações
Tem me feito muito mal
Sendo a Humanidade uma só
Mesmo assim
Nem todo mundo é igual
E as coisas que a gente vê
Fazem saber
Que conhecimento é armadilha
E quem julga possuir
O conhecimento como um todo
Está fadado a grande engodo
Em muitos casos
O ardil mais preciso
Se esconde num simples sorriso
A mentira mais sem noção
Muita gente usa quando diz
Que traz você no coração
São coisas que a gente escuta
de gente pra lá de astuta
Que traz grandes inverdades
Em algo chamado amizade
Faltam muitos sentimentos
Que sejam
Realmente nobres
Como em qualquer regra de três
As grandezas não variam da mesma forma
Mas de minha parte não são
E nunca serão
Inversamente proporcionais
Muita gente acha normal
Mas a mim faz muito mal.
Alegrias
Que vivem no passado
São simplesmente
Alegrias tardias
São coisas que a gente não via
Sentia sem sentir
o dia que passa
Simples assim
Não as víamos reluzindo
Enquanto nos sorriam
À luz de cada dia
Alegrias futuras
Não passam de esperança
É confiar em receber uma graça
É não viver a alegria deste dia
Alegrias presentes
Estas sim
Essas são felicidade pura
Alegrar se com o dia que corre
É colher fruta madura
Ser feliz é compreender
Que nem sempre o infeliz
É aquele que morre
De vez em quando as coisas são
Exatamente o que parecem
As pessoas não te esquecem
Simplesmente
Nem se lembram de você
A noite cai
Bruxas em sorriso de fada
Tristes sorrisos insulados
Vozes melancólicas como um fado
Exploram os recônditos da sua mente
Com sua elegante languidez
Atraindo simpatias
Preparam seus ardis
A aparente fragilidade
Te conduz às suas ilhas
Trilhas mal iluminadas
Armadilhas nas quais
Você é insensível à dor
Quando percebe
Está envolvido por algo
Que parece ser amor
Aquele
do qual você fugia
Fingia ser imune
O odor que te atraiu
Não era sequer perfume
Aquilo que te fez
Cair na armadilha do mal
era algo bom e natural
Que te faz não crer na fé
E aquilo que parecia amor
Agora não mais parece
Simplesmente é.
As palavras que vem de você
Não me trazem coisas boas
Se eu fico pensando nelas
O meu pensamento voa e faz concluir
Que sempre que meu coração
Bateu mais forte por você
Bateu à toa
E que já passou da hora
de partir
Por você eu esperei
Você não veio
Por você eu viveria até o fim
Mas você parou no meio
Eu trocaria e troquei
Tudo por você
Hoje eu vejo
Decidi de forma errada
Pois você me trocou por nada.
Existem coisas tão belas
tão raras, tão delicadas
Que chega a ser indizível
Aquilo que sentimos
quando a gente sente
Tem coisas que a gente sente
que é melhor não dizer
Pois nem tudo que é belo
é divisível
Pra ser incompreendido somente
é melhor então, guardar pra gente
Aguardar que amadureçam
Nos corações endurecidos
Ou então guardamos somente aqui
Onde sabemos
Que nunca serão esquecidos.
Quando o Homem perde a Fé em Deus, Deus fica triste, mas as coisas presseguem. Tristeza de verdade nós vamos conhecer no dia que Deus perder a Fé no Homem.
Por mais que a gente viva, haverá sempre coisas que deixamos de fazer.
Por mais que a gente acerte, haveremos sempre de deixar erros.
Por mais que a gente ame, sempre tem alguém que não gosta da gente.
Por mais que a gente explique, haverá sempre quem não entendeu.
Por mais que a gente tente, não é tudo que a gente consegue.
Pois por mais que sejamos nós mesmos, sempre haverão de nos comparar a outras pessoas.
Mesmo com todas as imperfeições que possui, a vida continuará sempre sendo a melhor coisa que recebemos de Deus. Aprendamos então a agradecer por ela e a desejar mentalmente que este Mundo encontre o caminho da Paz e da Perfeição. O caminho consiste em não desejar que as coisas e as pessoas sejam sempre aquilo que esperamos delas e aceitá-las como são.
As coisas que faço
E as coisas que eu digo
Não pretendem conquistar nenhum espaço
Nem ligo
Não pretendo ser quem não sou
Sou aquele que Deus fez
A minha vez já chegou
é hoje, foi ontem e amanhã será
Meu tempo é este
E eu sou apenas eu
Apesar de todos os meus defeitos
Vivo apenas do jeito que posso
E te ajudo, se precisar
Às vezes me iludo
Pois sou gente igual você
Mas não quero o que não me pertence
Nem penso ser mais que ninguém
Estou na vida pra aprender
dividir e amar a vida
Por ser assim
e não saber mentir
Vivo sozinho
Quase que isolado
Não haverás de ver ao meu lado
Muita gente
Desejo que sejam felizes
Longe de mim
Não existe nenhuma garantia
Que eu não vá terminar meus dias
Embaixo de algum viaduto
Um desconhecido morto
Que viveu no anonimato
Não teve nada
e nem foi ninguém para este Mundo
Mesmo assim, se procurar
Não há de encontrar
A quem eu tenha feito o mal
O mal que me fizeram
Morreu em mim
Eu afoguei o mal, não o perpetuei
Portanto
Se terminar os meus dias
Sem ninguém ao meu lado
Eu mesmo me julgarei
Um bem aventurado.
Os milagres que existem no Mundo
Eu os vejo nas menores coisas
Mesmo que sejam grandes
Pois é nos detalhes, que se escondem
os seus significados mais profundos.
A escuridão que precede o amanhecer
traz junto a si uma paz e uma temperatura
Que a gente não há de ver ou sentir
Em todo restante do dia
O canto dos pássaros ao longe
Misturando-se ao silêncio
entrecortando-lhe, extingüindo-o
Findando-lhe aos poucos
A coloração acinzentada
misturada a uma tonalidade rósea
é a luz do Sol brincando entre as nuvens
Tornando menos plúmbeo
o milagre pluvial
Algo lindo de ser ver!
E assim
A noite e o silêncio morrem
Na rua as pessoas correm feito loucas
Quando cumprimentam-se, velozes
Suas vozes denunciam, roucas
Um misto de tristeza e alegria
Pelo milagre do nascer de mais um dia
Bom dia!
Em penso em coisas pra dizer
e muita coisa não digo
Pois suspeito ter perdido o prazo
Deixo em suspenso
Pode até parecer que não ligo
e que não vem ao caso
Aquilo que não tem mais jeito
Levo comigo aqui no peito
Essas coisas me dividem em quatro
Corpo, alma, coração
e sonhos que sonhei antes de ir dormir
Quando acordei eu percebi
Que eles de fato tinham ido embora
Mas nasce o Sol
e doura a terra de outra cor
Não faz diferença
Quantos Sóis que nasçam
ou quantos planos faça a alma
Uma hora a noite vem
Meus olhos não veem ninguém
Pra sonhar junto
tudo fatalmente se despedaça
Procuro coisas que me façam
Pensar em outro assunto
Tento outros sonhos pra esquecer
Tem horas que eu paro e penso
Que custa muito caro este querer
Quando cada manhã
Amanhece mais ingrata
Se eu tivesse uma alma barata
venderia tudo isso
Por muito ouro
e muita prata.
Há coisas que eu quero
Existe em mim esse segredo
de querer algumas coisas
Que eu sei que jamais terei
Não tento tê-las
Por medo de finalmente não saber
O que vou fazer com elas
Isso pode parecer inexplicável
Mas isso não quer dizer
Que esse querer
Não seja um querer infindável
Ou que esses objetos de desejo
Sejam para mim inatingíveis
Porquanto são coisas pequenas
Não me esforço em conseguí-las
Apenas porque minha vida
Segue bastante tranqüila sem elas
Quantas vezes ao dia
A gente vê coisas
Que antes não via?
E que porém, nem de longe
São aquilo que se esperava
e quanto mais a gente reza
Mais a Santa fica brava
Quantas vezes nessa Estrada
Eu tenho que me conformar
Em ver malogrados os meus planos
Quantos enganos haverão de haver
Pra finalmente eu me confortar
com coisa alguma?
Quando é que eu vou
lavar a alma
Antes de ver perder a calma
Quanta calma é preciso ter
Quantos traumas eu vou viver
Será que a gente
Se acostuma?
Não tenho nada
Eu vou sair
Pra buscar uma
Em suma:
O tempo passa
Nada se apruma
E não há nada que eu faça
Que me ajude a finalmente
ver os ponteiros se ajustarem
Tem horas que desejo
Simplesmente que eles parem
A gente vive
E esta vida não se arruma
haja fleuma
Pra enfrentar tanta celeuma
A verdade é só uma
Essa cidade
é feita de espuma
Duma hora pra outra
Pode não haver a outra
e não restar
Coisa nenhuma.
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