Arvore de Amigos
O andarilho
............".entoado pelo vento ,ele demarcava o seu caminho através das árvores ao longo da sua jornada.Esquecera o seu nome ,com a ajuda do tempo perdera a razão-racional, a que os balzaquianos modernos insistem . Não se prendia a conceitos,aliás,a sua mente era deveras viajante no tempo futuro,e os seus passos largos e ligeiros não lhe ofereciam tempo suficiente para pequenas cois...as do pensamento lógico ,comum aos filósofos.
Alguns imaginavam o motivo da sua escolha, por abandonar o "mundo perfeito" e viver a mercê da própria sorte,ensaiando uma vida incerta,cheia de segredos e de medos.Mas ele não pensava assim,teve a oportunidade de fazer as próprias escolhas. Ele escolhera viver o perigo incerto,ao invés do previsível.
Cansado de viver a mesmice contemporânea,as dúvidas da idade,anseios por coisas que chegariam ao fim um dia,as desilusões dos planos não concretizados.
Ele tirou as sandálias e seguiu o caminho do infinito,resolvera atravessar o mar a nado,como forma de não correr o risco de retornar pelo caminho antes percorrido.
Assim,o andarilho,pode escrever a própria história,contando apenas com a sua fé para direcioná-lo rumo ao desconhecido,ao inevitável fim,o qual ele apenas tentou minimizar a forma de ver.Então ele buscou a sí mesmo durante toda a sua vida e quando esta chegou ao fim,ele suspirou e sorriu ,e disse:muito prazer!!"
"Ninguém lança pedra em árvore que não dá frutos,por isso me considero uma macieira,cujo clima tem feito frutificar e me tornando exuberantemente frondosa.Obrigada meu DEUS"
A vida é uma arvore, eis a questão como estão seus frutos?
Estão bons, cultiváveis, ou podres e feios?
Não há nenhuma maneira de aproveitar as coisas ruins da vida.
"Uma arvore a beira do precipício, no seu galho mais longo suspenso no nada existe uma fruta, esta se chama amor! É preciso mais do que coragem pra toma-la."
Árvore da vida
Lembro-me de quando ainda recebia comida no bico, só ficava ali, esperando.
Quando sentia fome era só chamar. E voz pra isso não me faltava. Gritava aos quatro ventos até conseguir o que queria. Logo era atendida.
O calor das asas dela aqueciam meu inverno e me trazia paz.
"Lembro-me de como eram altas as árvores, dos perigos que me rodeavam e das vezes em que quase cai"
Certo dia olhei para o lado e só avistei minhas próprias asas, ela havia partido, porém, sem ensinar-me a voar.
Não sei o que aconteceu, só sei que não a vi mais. Nenhuma resposta.
A muito tempo brotava em mim uma vontade louca de desbravar o mundo, voar cada vez mais alto, indo a lugares jamais descobertos. Observava os outros voarem, quando caiam alguém os juntava e os acolhia. "Perfeito como deveria ser"
Assim, sozinha. Aprendi a voar.
Joguei-me ao orizonte sem medo, descobri muitos segredos antes escondidos, passei fome. Lutei contra a morte, contra a dor, virei cinzas, renasci.
Busquei no inconsciente minha pluralidade. Tive raiva. Amei. Estraguei. Concertei. Sobrevivi.
Em pouco tempo já era respeitada pelo bando. Talvéz pelo meu desempenho e superação.
...
Comia apenas as boas frutas. As podres eu nem mexia.
...
Pousava apenas em arvores seguras, avistava as raposas lá de cima..
...
Os gaviões tentavam me devorar, mas eu tinha boa percepção e escapava com agilidade. Nunca os provoquei, apenas me mantive distante deles.
...
Passei anos voltando no mesmo lugar, aprendendo, reciclando. Nunca a esqueci.
Até que em um inverno quaquer ela voltou, tão diferente da ultima vez...
Haviam cicatrizes em suas asas e seu semblante era sofrido.
Abri as minhas, relembrando alguma coisa do passado, o amor. Porém sem entender aquela doação. Ela, em troca, quis oferecer-me seu tudo, mas eu já tinha.
Quis me mostrar o mundo, mas eu já conhecia.
Ao perceber que nada adiantava, por fim, tentou cortar minhas asas. "Não sou pássaro". Respondi. Logo depois, vooei tão alto, até sumir por entre as nuvens.
Sempre que volto a vejo no mesmo lugar.
..
..
..
Prefiro cortar a árvore podre pela raiz enquanto ainda pequena, antes q ela cresça e possa danificar o que está a sua volta!
Uma árvore cuja copa você não pode alcançar cresce de uma semente. Uma construção de mais de nove andares de altura começa com um punhado de terra. Uma viagem de mil milhas se inicia com um único passo.
(Um poema em cada árvore)
Estou aqui
Olhando fixamente para ti
Num impeto de te abraçar
Como mera formalidade de espécies
O meu verde punjante
Seu sangue pulsante
Entre nós, não há barreiras para o abraço
E espero imóvel, mas viva
Apenas com o balanço do vento a dizer que sim
Para poder sentir
Teu calor em mim
Nasceu um poema no topo da árvore e, até que o outono chegue, será poesia a encantar o mundo, depois se revelará no chão, perfumando algum caminho...
Você existe? Sim, existo.
O que existe além de você? Tudo!
Você é uma árvore? Não, eu sou eu.
Você não é árvore, mas a árvore é parte deste tudo que existe além de você?
Sim, ela é algo neste tudo.
Me dê exemplos de coisas neste tudo. ...
Tudo isso pode existir sem você? Sim.
E você, pode existir sem tudo isso?
Sim, mas também não.
Sabendo que tudo depende do equilíbrio entre suas existencias, qual a dificuldade em alimentar, cuidar, respeitar e fazer existir tudo que existe para que você exista?
O MEU POEMA MAIS CURTO - o primeiro
Plantei uma árvore.
Sem enxada.
Não precisei de mais nada.
A não ser as mãos.
E a árvore.
(Carlos de Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 14-10-2022)
ÁRVORE SECA
Ao vê-la, estarreci.
Ainda ontem
Do antes de ontem
De há três dias,
Eu vi-a;
Parecia-me salva
À luz da alva,
Daquele passado dia.
Hoje, mesmo agora,
Olhei lá fora:
Estava já mirrada,
Seca, num esturricado
Como torresmo queimado.
Quis regá-la,
Refrescá-la,
No pé do tronco a morrer.
Só então me lembrei
E pelo que sei,
Não adianta em desnorte,
Querer vencer
Sem poder,
Aquilo que já é morte!
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 02-04-2023)
A MENINA E A ÁRVORE
Desprevenido, plantei-te!
Sem escavar sequer um palmo
De terra do fundo germinador.
Quando brotaste o tronco esguio
E os ramitos
Pequenitos
Numa manhã chuvosa,
Custosa e fanhosa
De um Março marçagão,
Colei a minha trémula mão
À tua tão pequenina,
Magrinha,
Comprida, de pianista.
Parece impossível!
Haverá alguém que resista...
Deste-me na minha um esticão,
Como a querer fugir de mim.
Tomei isso como premonição
Negra,
Amarga
E fúnebre.
Continuas com a tua mãozita pequena
Da tua árvore a envelhecer
De madura,
No tronco e nos ramos
Mas com as maçãs tão verdes,
Ácidas,
Intragáveis.
Tão inutilmente
No perto,
Longe
De mim.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 06-05-2023)
A MAÇÃ
Era outono.
Havia uma maçã no chão,
Caída da árvore cinquentenária.
O homem, esfomeado, vergou-se
No ranger dos ossos castigados
Por longos jejuns lazarentos,
De uma vida de naufragados
Num barco de pobres assinalados,
Pelas misérias dos tempos.
Tinha já a podre maçã
O bicho que a carcomia,
Fruto de macieira arraçada
Também velha e corcovada,
Triste por não ser sã,
Nos ramos em agonia.
Prestes a pegá-la do chão
Pousa um passarito aflito
E o homem com prontidão
Diz ao pássaro com emoção:
Come, come tudo sem parar,
Pois assim me capacito
Que minha fome pode esperar.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)
O VENTO A ÁRVORE E A CASA
Tarde de sábado.
A depressão do tempo castigava.
Agora, chamam depressão
Ao tempo mau que faz.
Porque não!?...
Mas o vento é sempre rapaz
E as árvores também femininas
Quanto velhas mais meninas.
Com a diferença que o vento
Tem agora mais lamento
E as árvores amém,
Nestas tardes sem ninguém.
O vento soprava,
A árvore balançava
Sobre a humilde casa.
Era aí que ele habitava,
Um homem pobre,
De rosto nobre.
Invocou os deuses dos ventos
E dos contratempos
A ver se a borrasca amainava.
Qual quê!?...
O vento insistiu,
A árvore caiu
E a casa humilde ruiu.
E ele deixou de acreditar
Nos deuses dos ventos
E contratempos.
Abriu os braços e pôs-se a voar.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 29-10-2023)
