Aparência Física
"pensa no preconceito e lembra o seguinte antes de julgar: se você fosse cego..julgaria pela aparência?"
"faço questão as vezes de não se aproximarem de mim..porque..ser o centro das atenções, rouba a vida da gente, e eu não aprendi a viver de aparências..."
Quanto maior o entendimento, mais difícil se conter e ser discreto, nesta modernidade de aparências.
Uma camisa de grife tem seu valor, mas de nada adianta um profano vesti-la quando seu coração está sujo, enganando a sua própria aparência.
A super exposição nas redes sociais vem da necessidade desesperada de aprovação de uma alma frustrada.
Não tenho medo de tudo que eu não sei, tenho muito medo do que presumo saber e é bem longe e equivocado da verdadeira realidade.
Os falsos padrões de mesmice impostos pela sociedade de consumo fácil, hoje, afastam nos das nossas diferentes habilidades, individualistas, criativas, geniais e saudáveis que habitam silenciosamente ocultas por murmúrios em nossas múltiplas personalidades.
A vida contemporânea sucinta mais duvidas do que certezas. Por mais que ninguém se mostra frágil, inseguro e confuso nas redes sociais da internet, pelo contrario, apresentam se fortes, confiantes e decisivos, encobrindo suas verdadeiras naturais personalidades. A artificialidade é imperativa e a essência vacilante humana escondida diante o que aparenta ser mas não existe, enquanto vida.
A falta de valor das pequenas conquistas verdadeiras, fomentam os abismos da insatisfação e os desesperos frente as camuflagens das aparências e todo mega mundo midiático de sucesso imaginário.
A indústria estética universal em busca da beleza instantânea da vida a qualquer preço e valor, torna se cada vez mais amoral e antiética, se baseando nos artifícios da morte e sofrimento dos pequeninos indefesos roubando lhes a juventude.
Os olhos da justiça não flertam com o olhar da vingança,
não se deixam levar pelas aparências e jamais sucumbem
aos arroubos da ignorância.
COMPREENSÃO
A rua onde nasci era larga e extensa de vozes.
Nela havia uma velha casa de espera e de descobertas.
Minha mãe me ensinava a brincar de ver.
Ficava ao meu lado e com suas mãos me entregava seus olhos.
Dizia-me: O que vens?
Eu menino, com zeloso brio elaborava narrativas não aparentes.
As vezes via um pássaro falando com o vento.
Ora, era um arco-íris despontando no anoitecer.
E até eu voava, buscando palavras com asas.
Lembro-me quando lhe disse:
- Estou vendo uma dança no céu.
E ela pediu-me para tomar cuidado com os instrumentos, marcar os passos, ouvir a sinfonia.
E asseverou: Veras na vida aparências e essências.
Mas não tenha receio de vislumbrar.
No fim o que fica é o que se olha para dentro.
Antes de saber ler e escrever compreendi a ver poesia.
Carlos Daniel Dojja
In Poemas para Crianças Crescidas
