Aniversário de Filha Distante

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O tempo já foi embora, os dias já não são 24 horas; me espanto que tal dia distante chegara. Viver deixou de ser vivido? Ou será que o vivido deixou de se viver?

O lugar mais distante
não é onde se vai,
é onde a solidão
jamais nos alcança.
Ali, só existe a paz —
silenciosa e firme —
aquela que sustenta a alma, a
que nos mantém de pé.


Atila Negri

Maldito seja eu pelos meus pecados.
Tão distante da perfeição estou que, ainda assim, destruo-me todos os dias, na esperança de, ao menos um dia, alcançar um ponto em que exista em mim o mínimo de fé para acreditar que posso ser santo.
Mas, como esse dia tarda, continuo a me destruir — dia após dia, noite após noite.
E, a cada amanhecer, reconstruo-me… apenas para, mais tarde, destruir-me novamente, repetindo esse ciclo até o fim da minha vida.


Vinicius Monteiro Tito

Eu te vejo tão de perto
Mas você está tão distante

Será que vale a pena se arriscar?
Nem sei o pq eu penso nisso, acho eu nunca vou ter coragem o bastante


Na história em que um cavaleiro enfrenta um dragão para salvar a princesa, será que ele era forte e corajoso ou só um medroso que decidiu arriscar? Não sei dizer, mas o importante é que a existência do dragão não o foi suficiente para impedir o príncipe de tentar salvar a princesa...


De: Kauan
Para: A.J.

Eu te vejo tão de perto
Mesmo você estando tão distante...


Na história em que um cavaleiro enfrenta um dragão para salvar a princesa, será que ele era forte e corajoso ou só um medroso que decidiu arriscar?


Não sei dizer, mas o importante é que a existência do dragão não o foi suficiente para impedir o príncipe de tentar salvar a princesa...


Não seria uma má ideia seguir o exemplo desse cavaleiro imaginário...


De: Kauan
Para: A.J.

O Inferno Pode Ser Aqui


Às vezes, me pego pensando que o inferno não é um lugar distante, escondido em alguma dimensão desconhecida. Talvez ele seja aqui mesmo — na Terra que pisamos todos os dias.


Não por falta de beleza. Pelo contrário.


Vivemos em um planeta onde o sol nasce com perfeição, onde a natureza é generosa, onde há fartura suficiente para todos. E, ainda assim, há fome. Há gente com mesas fartas e gente sem um pedaço de pão. Há quem viva em palácios… e há quem não tenha sequer um teto para dormir.


E então eu me pergunto: que lugar é esse?


Cresci conhecendo um Deus, dentro da minha religião. Um Deus de amor, de justiça. Mas o mundo me mostrou que existem muitos caminhos, muitas crenças, muitas formas de enxergar o divino. Cada um defendendo sua verdade como única.




E talvez seja aí que começa o nosso erro.


Porque, enquanto discutimos quem está certo, esquecemos de fazer o que realmente importa: sermos melhores.


Às vezes penso na possibilidade de outras vidas. Será que estamos aqui para aprender? Para corrigir erros? Será que quem hoje sofre já teve muito, e quem hoje tem muito já sofreu? Ou será que tudo isso é apenas o reflexo das escolhas que fazemos agora?


Não sei.


Mas sei que existe algo dentro de nós — uma voz silenciosa, firme — que nos diz o que é certo e o que é errado. Chamam isso de consciência.


E, mesmo assim, insistimos em ignorá-la.


O ser humano tem nas mãos tudo o que precisa para transformar este mundo em um paraíso. Temos tecnologia, inteligência, recursos. Poderíamos acabar com a fome, diminuir a dor, dar dignidade a todos.


Mas escolhemos competir, explorar, destruir.


Homens poderosos decidem guerras. Crianças pagam o preço. Povos inteiros sofrem. E o planeta, silencioso, vai sendo ferido.


E às vezes, num pensamento mais ousado, me pergunto: e se tudo isso aqui for um tipo de sanatório?


Um lugar onde almas vêm para se tratar.


Como se viéssemos de outras dimensões, de outros tempos, talvez até de outras galáxias… carregando erros, culpas, excessos — e aqui fosse um ponto de passagem. Um purgatório da existência.


Um espaço onde temos duas escolhas: nos curar… ou nos perder de vez.


Talvez alguns estejam em processo de cura — aprendendo a amar, a dividir, a compreender.


E outros… ainda dominados pela própria escuridão.


Se for assim, a Terra não seria apenas o inferno.


Nem totalmente o céu.
Seria um lugar de decisão.


Diante disso, é difícil não pensar: se isso não é o inferno… então o que é?


Talvez o inferno não seja um castigo imposto por Deus. Talvez seja uma construção humana. Um lugar que criamos quando nos afastamos do amor, da empatia, do respeito.


E talvez o céu também esteja aqui.


Ele aparece nos gestos simples, na bondade inesperada, no coração de quem ajuda sem esperar nada em troca. No pouco que se divide. No muito que se oferece.


No fim, talvez a Terra seja apenas isso: um campo de escolhas.


Onde, todos os dias, cada um de nós decide — consciente ou não — se quer alimentar o inferno… ou construir o céu.


Nereu Alves

DIA TRISTONHO
Hoje é um dia tristonho para o sol distante que componho
Ruas de terra com plantações ao redor sorteiam as pétalas da nostalgia de menino.

O menino chora!
A descoberta nas areias desertas que o banho de água doce deixou.
Experimenta o amargo das gotas que lavam a face.
O menino chora!

A inocência trazida num rosto que mostra em cada sulco as marcas que a vida lhe deu.
Sem ar o menino chora!

Dormindo no carro, escondido na areia, saindo do barro...
O menino chora!

Amargor da angústia, aperta o peito que reopousa no leito.
Deitado reclama do estômago que incomoda.

Sorver o coro angelical numa despedida fúnebre é a cena que a peça nunca quis encenar.

Sabores e sonhos.
Formas e doces.
Temperos da vida. (Júlio Raizer)

Uma melodia distante começou a ecoar em sua mente — fragmentos de uma antiga canção, perdida no tempo, transmitida talvez por ondas de memória. As palavras se misturavam ao som do vento e ao pulsar do próprio coração.

Se fosse tão fácil, não seria amor.


Se fosse distante, faria saudade
e se não houvesse, seria indiferença.
Meu peito não doeria e nem sequer iria lembrar;
da sua voz, do seu cheiro
do teu rancor e egoísmo de corpo inteiro.


Então eu grito,
por não te conhecer, por tudo aquilo que está a doer
pelas vozes que estão a dizer
"me deixe, não suporto mais você".


Não sei amar sem me esgotar,
não sei te olhar sem me comparar,
não sei te dizer sem querer morrer,
E isso só mostra o quanto nós não devemos ser.


Mas eu amo,
amo o jeito que me olha
o jeito que me abraça
o jeito que sempre disfarça,
por favor, não esqueça de mim quando amanhecer. Eu grito.

A Resiliência do Tempo, Quando O Passado Ecoa no Presente

Eco de um passado distante, mas que ainda se faz presente como uma grande porta que fica aberta permanentemente, ecoando o fato de autora, talvez, uma prova de que o tempo também é resiliente.

Ecoa materializado em alguma construção antiga, nas suas paredes, utensílios, artes e cenários ou guardado em uma memória viva — na mente daqueles que vivenciaram ou dos que ouviram e leram atentamente.

Ecoado por estar descrito nas páginas de algum livro de história entre a escrita, a fala e a leitura; nas suas marcas deixadas pela natureza, ecoando de várias formas e até espalhadas pela selva de pedras.

O sono bem distante, a madrugada muito acolhedora, uma música cativante, ideais para uma mente poética, ativa, que não se cansa facilmente, gerando aqueles pensamentos com as suas falas precisas ou inesperadas, algumas verdades declaradas ou implícitas

Despertando certos sentimentos instigantes, verdadeiros, pausando o tempo, trazendo uma sensação prazerosa que é intensificada pela inspiração na criação de versos que vão além de palavras, um entrosamento de frase, essência e emoção que provocam a reação da alma

Daqueles momentos bastante satisfatórios sem nenhuma perturbação indesejada, simplesmente, valiosos por trazerem um pouco de equilíbrio, de lucidez e de uma profundez aprazível que tanto acalma quanto abraça a intensidade, resultado genuíno, fruto da minha arte.

Mesmo distante, a verdade ainda confirma os fatos; a mentira, ainda que próxima, deles se afasta.

O Jardineiro do Infinito


Havia quem procurasse o céu
como quem busca um tesouro distante,
cavando terras alheias,
seguindo mapas desenhados por outros.
Mas o céu não se escondia no horizonte
ele dormia, quieto,
no solo esquecido do próprio peito.
E houve um dia em que o viajante cansou,
largou as ferramentas do mundo
e, em silêncio, voltou para dentro.
Ali encontrou uma terra seca,
cheia de antigas dores e medos.
Ainda assim, decidiu plantar.
Regou com esperança,
adubou com perdão,
aquecendo tudo com a luz do amor.
E pouco a pouco,
brotou um jardim inesperado
não de flores comuns,
mas de paz, sentido e eternidade.
Então ele compreendeu:
o céu nunca foi um lugar a alcançar,
mas um jardim a cultivar
dentro do próprio coração.


Simone Cruvinel

Você tem razão…
estou distante do que é eterno,
e às vezes, distante de tudo...


Às vezes eu penso…
Às vezes eu sinto…
Às vezes eu amo…
Às vezes, sou feliz.


E quando essas partes de mim se silenciam,
é como se eu deixasse de ser por inteiro…
como se faltasse algo que ainda não encontrei.
Porque nada permanece,
o “sempre” não mora neste mundo.
Ainda assim, guardo em mim uma certeza serena
de que um dia serei completo,
quando encontrar aquilo que realmente importa
não só para o agora,
mas para a eternidade…
até que, em algum tempo, eu me torne uno com o universo,
sem precisar mais retornar.
E se esse dia ainda não for agora,
seguirei nesta vida ou em outras
até descobrir, enfim,
o que realmente significa amar.

Como queres que eu desabroche em amor
se não alimentas meus sonhos?
se te fazes distante e indiferente?
se me deixas só, no orvalho frio da noite sem fim?
se tua voz calou palavras que soavam carinhos?
se teus olhos não mais procuram os meus?
se teu olhar de estrela distante se afastou do meu?
Como queres que eu desabroche em amor
se não respondes ao meu coração?
se apenas minh'alma te faz poesia?
se nada disso queres responder, adeus é o que resta, acabaste de me perder...

A sociedade atual está tão distante de seu propósito que o coaching diz: venham, venham! Sei ensinar a vocês a serem egoístas, porque sou egoísta. E ser egoísta é uma riqueza. Ué, não há ninguém que levante a mão e pergunte: mas em que momento o ser humano foi criado para ser egoísta?

Nunca deixe ir embora alguém que você não suportará tê-lo distante.

Não importa o quão distante você chegue, desde que esteja bem consigo mesmo. As batalhas da vida são provas da nossa sabedoria, resiliência e fé.

Venho de uma época diferente.
Demasiadamente distante daquilo que o mundo se tornou.

Onde as coisas eram um tanto menos fragmentadas.

Não no sentido literal.

Mas há algo em minha essência
que nunca pertenceu completamente a este tempo.

E talvez seja por isso
que eu tenha buscado refúgio
nas ruínas silenciosas do passado.

Onde ainda havia silêncio na contemplação.
Nas marcas deixadas pelo tempo sobre as páginas.
E em diálogos que existiam apenas para serem sentidos.

Às vezes sinto
como se estivéssemos nos afastando
daquilo que nos torna humanos.

Não pela tecnologia.
Nem pela globalização.

Mas pela incapacidade
de manter vínculos reais.

E enquanto o mundo corre desesperadamente
em direção ao excesso e à distração,
minha alma ainda anseia
por profundidade.

De forma silenciosa.
Quase hermética.

Talvez seja por isso
que eu admire tanto aquilo que resiste ao tempo.

As palavras escritas à mão.
Os sentimentos que permanecem em silêncio.
E as raras pessoas
que ainda sabem sentir
em um mundo anestesiado por estímulos.

Porque no fim,
como escreveu Shakespeare,
“somos feitos da mesma matéria dos sonhos”.

E talvez o maior erro deste tempo
tenha sido transformar sonhos em consumo,
e almas em vitrines.

No vaivém apressado do Rio de Janeiro, onde o barulho dos ônibus se mistura ao canto distante do mar, ela caminhava como quem conhecia o peso e a beleza da própria história. Não precisava anunciar sua presença. Havia algo nela que fazia a cidade diminuir o ritmo por um instante — talvez o olhar firme, talvez a serenidade rara de quem aprendeu a atravessar tempestades sem perder a delicadeza.


Era morena, de pele aquecida pelo sol carioca, daqueles tons que parecem guardar o brilho dourado do fim de tarde. Os cabelos caíam livres, volumosos, dançando com o vento que vinha da orla, como se também tivessem personalidade própria. Mas eram os olhos que mais impressionavam. Olhos fortes, atentos, capazes de intimidar a arrogância e acolher a tristeza no mesmo segundo.


Quem a conhecia sabia: ela carregava uma força silenciosa. Dessas que não fazem espetáculo. A força de acordar cedo, enfrentar dias difíceis e ainda encontrar gentileza para oferecer ao porteiro, à vizinha cansada, à criança perdida no ônibus. Tinha opinião firme, voz segura e uma coragem que não cabia em discursos. Nunca precisou endurecer o coração para sobreviver à cidade.


Nas tardes de calor intenso, gostava de observar o movimento das pessoas enquanto tomava café perto da praia. Via o Rio em suas contradições — belo e caótico, duro e apaixonante — e talvez por isso combinasse tanto com ele. Porque também era assim: intensa, luminosa, impossível de ignorar.


E enquanto a cidade seguia correndo sem olhar para trás, ela continuava ali, atravessando ruas, dias e memórias com a mesma elegância de quem entende que ser forte não é deixar de sentir. É continuar sendo gentil, mesmo quando o mundo desaprende como.